sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Flor


Eu odeio despedidas,
mãos frias aquecendo mãos frias,
não gosto de deixar portas encostadas,
eu sou ventania,
sou Sol que dissipa a neblina,
então querida me leia como uma carta de amor
quando o fogo se for,
afinal somos o hoje fantasiado de eternidade,
somos o que "é" planejando como deveria ser.
Eu odeio palavras repetidas,
minhas promessas quebradas me fazendo companhia,
eu sou parte do seu sorriso ou desse seu dia triste?
Vou continuar te achando linda,
como uma tatuagem por toda vida,
me preocupar com sua chegada,
desejar os abraços perdidos,
os beijos não dados,
no meu silêncio de noite mal dormida.
Minha querida da próxima vez que me ler,
saiba que a sinceridade de ser leal ao que se sente
ainda é uma das obras de artes mais lindas,
assim como um jardim de flores não regadas,
morrendo lentamente.
Faça dos meus olhos seu espelho,
se veja através do que eu vejo
e admire a sintonia que temos,
os mundos que se encontram,
e nunca mais repita que realmente existe um tempo certo
e que por capricho do destino sempre estamos no pretérito imperfeito.
Minha querida eu fui sua lista de defeitos descritos em um dia,
uma carta de amor esquecida,
o convite recusado, as risadas de alegria,
o ciúme de brincadeira,
as palavras verdadeiras,
os dias que não voltam,
o botão que desliga o autocontrole,
a intensidade que disfarça esse cinza da monotonia.
Eu odeio despedidas,
as frases que deixamos para depois,
os dias que vão chegar e nunca chegam,
então minha querida leia-me como livro em promoção
ao lado de revistas sobre o que comer, como decorar,
enquanto aguarda na fila pra pagar o pão,
afinal a vida é feita de momentos como este
com palavras bonitas colorindo o começo, o meio e o fim.



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