quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Roda-gigante

Hoje é só mais um dia frio,
dias feitos de céu azul,
casacos e rinite.
Hoje é metade da minha vida desperdiçada
entre meus sonhos de como poderia ser
e as coisas como são.
Me dói o peito ver sua tristeza,
não que me deva sorrisos,
afinal hoje é só mais um dia riscado
no calendário dos dias que se vão.
Você não precisa me dar explicações,
as melhores frases sempre foram ditas no silêncio
dos que estão por perto.
Eu queria que nosso mundo fosse no mínimo mil vezes maior,
pra que você tivesse uma dimensão
das coisas não ditas e deixadas pra trás,
dos dias esquecidos sem chance de voltar atrás,
do quanto admiro as fraquezas que fazem de você o que ninguém mais poderia ser.
Eu sei, e por isso não te imploro a confiança de uma antiga amizade,
nem seria um bom conselheiro,
afinal do que são feitas as soluções alheias?
Mas de que vale os dias mais especiais sem o viver dos dias comuns?
Sem o acordar de mau humor,
sem o suspiro disfarçado enquanto pensa no chefe,
sem a cama bagunçada de quem acorda na pressa.
sem o pensar em desistir de tudo?
Hoje é só um dia de adeus inverno,
de desmoronamentos de castelos,
de solidão com conversas fúteis por perto,
e por favor faça da última vírgula reticências,
afinal ninguém consegue ser feliz sem uma boa dose de solidão.
Não é relevante, mas sempre tive medo de roda-gigante,
sempre tive medo dessa analogia à vida,
o frio na barriga de quem sobe,
o vislumbre de quem permanece em cima,
a tristeza conta-gotas de quem desce,
a coragem de quem desiste,
a loucura de quem insiste.
Então hoje,
sem datas comemorativas ou feriados,
ou assuntos interessantes,
eu só queria que você soubesse,
que o espelho mente tanto quanto sua vontade de acreditar
que cinza é escala absoluta pra colorir um mundo feito de amor,
não um amor de cinema,
mas um amor que existe,
sim,
um amor de um dia comum.

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