quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Amor maduro

Se alguma palavra se perder,
e eu não chorar a saudade,
não me ache insensível,
estou ficando velho,
sou parte das coisas que se vão.
Lembra de quando os planos
eram como os dias de verão?
Eu era pra você um lar,
um peito para adormecer,
um oceano pronto a receber suas tempestades,
mas sobre sua pele corre um rio agora,
você tão forte,
um céu estrelado esperando amanhecer.
Repenso sobre os anos que pesam sobre mim,
invejo as certezas,
são tão límpidas como fantasmas de outrora,
refaço nossa pequena parte de ser feliz,
lentos segundos, lentos beijos,
como eu ainda sinto você em mim?
Seus olhos fechados imaginando um deserto de flores,
o impensável construindo uma casa com tons de furacão,
as mais lindas cores pintam as paredes do seu quarto,
todas lilás como a cor do céu amando o anoitecer.
Dias de amores maduros, rotina de corações solitários,
sem nomes rabiscados distraidamente,
sem pensamentos distantes,
sem admirar desde o sorriso até o jeito amassado de um beijo de bom dia,
sem os discursos de quem quer mudar o mundo,
sem a tristeza de quem quer desistir de tudo,
mas esse amor é infantil demais para os dias de hoje.
Sou parte do tempo que passa,
dos carros que engarrafam,
dos que amam dias chuvosos,
adoram o frio,
e mesmo assim amam o mar.
Sou parte do que desaparece,
tenho a sorte de gostar de filmes ruins,
e a idiota habilidade de deixar partir as únicas chances de uma vida inteira.
Mas bem certo é que nada do que é dito é claro o suficiente
pra apagar o que é feito,
palavras são ondas, atitude é correnteza,
gente interessante é raridade, a maioria é beleza,
e eu só queria te dizer uma preciosidade dentro dessas frases sem sentido,
que de tanto procurar achei a palavra que se perdeu,
mas ela está tão feliz,
que melhor seria dizer que fugiu,
e ao fugir encontrou o que sempre procurou entender,
que amores maduros perdem a chance de aprender com um amor infantil.

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