sexta-feira, 15 de maio de 2015

Estilhaço

A gente quebra como o cair de um copo,
somos fortes,
mas somos frágeis.
É o contrassenso que desatina o que tínhamos por absoluto,
afinal ter certeza de nada é melhor que duvidar de algo.
A gente quebra quando o que menos se quer é o que mais se tem,
seja um adeus, seja um eternamente que se desfaz,
sejam trinta minutos pra ser feliz que se acabam.
A gente quebra tão fácil como as palavras que se perdem
em atitudes que não existem,
e não me fale de amor,
é tão triste ver que a vida não se repete,
e você sempre repete a mesma nota,
e algumas vezes e só algumas vezes se permite desafinar.
Mas a gente quebra, volta atrás por medo e não por vontade,
então se você diz que ama alguém, que ame hoje,
como você nunca amou ninguém,
afinal o futuro é a desculpa perfeita para deixar o hoje pra depois.
Eu vi o pior que a vida pode ser,
e nada se compara a ser como as pessoas que são fortes demais,
não sofrem, não sentem, não são.
Você me diz que vai morrer de saudades,
logo lembra de como era perfeito,
e se era perfeição não poderia ser amor,
e se não era amor não poderia ser eterno,
então não se preocupe em morrer de saudades,
afinal o que mata é morrer de amor.
A gente quebra como alguém que espera o temporal passar por medo de se molhar,
deixe a tempestade durar o tempo que precisa,
saboreie o gosto da chuva,
faça uma dança maluca,
lembre que o tempo é curto pra só sair de casa com guarda-chuva,
o vento contrário inventou os navios à motor,
o vento à favor, se houver,
eu já desacreditei.
A gente quebra e isso resume as perguntas que ainda nem fiz,
o dia de ontem,
o dia que ainda não nasceu,
e cada pedaço do inteiro que sobrou.

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