quinta-feira, 12 de março de 2015

Tão perto, mas tão longe

Somos os fragmentos de uma eternidade frágil,
intocável pelo tempo que pode ser marcado no calendário.
Somos as lembranças das coisas que não voltam mais,
vítimas de um adeus inevitável.
Somos passageiros aguardando o trem,
que por uma vida inteira vive como se ele nunca fosse chegar.
Mas ele sempre chega.
Somos os sorrisos e as frases engraçadas,
carregando uma bagagem de tristezas e glórias,
de dias escuros e noites claras,
vestidos com roupa de gala cheias de palavras não ditas,
calçando sapatos furados pelos arrependimentos,
debaixo do braço um livro para ler na viagem
que fala sobre como tudo poderia ter sido.
Mas não levamos nada.
Somos uma tempestade de escolhas
caindo sobre sonhos.
Somos a próxima curva
que traz em si alguma expectativa...
Quem sabe um nunca mais...
Quem sabe uma para sempre...
Mas nunca sabemos.
Somos noites na varanda,
fazendo músicas de uma nota só,
desafinando sobre estar tão perto
e ao mesmo tempo tão longe,
esperando que a canção nunca termine.
Mas ela sempre termina.
Somos a saudade das longas caminhadas,
das grandes aventuras de um domingo a noite,
de conversar sobre coisas simples como se fossem mudar o mundo.
Somos essas lágrimas caindo como se fosse chuva,
que molha as fotografias, que cala a voz
e que tem vencido mais um amanhecer.
Mas sim, eu sei,
somos aqueles que vivem não apenas pelo que se pode ver,
somos reconstrutores de uma vida passageira,
com a esperança de que a dor acabe.
Mas ela nunca acaba.
Pelo menos nunca vai acabar enquanto não chegar minha vez de pegar o trem.