quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ronin (Não existem dias sem Sol pra quem voa acima das nuvens)

Acordo em outro lugar,
não sou parte das coisas que ficam para trás,
esgoto minhas forças para lembrar de dias fáceis,
bom poder fechar os olhos e descansar sabendo que já não precisamos
persistir em tudo que já não queremos mais.
Eu segui por muito tempo as regras que já não me cabem mais,
eu sangrei sozinho me coroando com uma coroa de espinhos,
uma floresta em chamas que não espera pela chuva,
um coração contente por saber que o amor
é a coragem de dizer não.
Se existe uma mentira
que seja o tempo alimentando o esquecimento,
nenhuma cicatriz pode ser esquecida,
nenhuma guerra é vencida sem uma cicatriz,
um orgulho quase tolo,
tatuado em meu corpo a história incrível
de quem consegue se reinventar.
Acordo longe de casa,
estar perdido é uma fotografia de quem não sabe onde quer chegar,
é o exato momento que define que mesmas atitudes levam sempre ao mesmo lugar,
e não quero parecer pretensioso,
mas quem já dormiu em chão gelado sem ter o que comer,
quem já escolheu um recomeço,
quem já viu no inferno um pedaço do céu,
pode dizer que não fica bem em fotografias.
Então comemore as histórias tristes,
somos as risadas do futuro,
a paisagem depois da curva,
o amor que não congela,
a ideia que não se esvai,
somos as partes que não se encaixam nesse deus inventado.
Acordo sem precisar de alguém ao lado,
o que se tem dentro sempre será mais importante do que se tem ao redor,
uma multidão não faz com que o solitário se sinta menos só,
mas a paz de te ter dentro de mim me faz vencer guerras,
um leão por dia,
um urso por vez,
o desespero de não saber o que acontecerá nesta vida sem replay.
O mundo dorme com os olhos abertos,
as vozes gritam,
mas as ações caladas consentem,
em terra de culpados
somos todos juízes inocentes.
Eu acordo em um lugar diferente,
mais perto de tudo que acredito,
reinventor do destino,
possivelmente contador de histórias tristes,
assumidamente autor dessa bagunça sem precedentes,
mais um culpado contribuindo com minha parcela de inocência.

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