quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Sorrir é teatral

O mundo escurece rápido demais,
as luzes acessas já não iluminam os retratos
e as palavras que ouvi você dizer.
Eu sei como é sentir a dor nos ossos,
cortando a pele de dentro pra fora até sobrar o vazio,
e então meu corpo transborda desse vazio,
tira meu sono, minha fome.
A tragédia da vida não é perder o que se tem,
mas sim perder o que nunca se pôde ter,
é assim com o tempo que não volta,
com a saudade que não passa,
com o adeus que não se quer ouvir.
Acredito que dias como estes
foram feitos para que eu possa aprender
que sou feito de um uma noite que se rende ao Sol à nascer,
para que eu possa aprender
que encontrar um amor não deveria ser assim.
Estou cansado também,
deixei meu peito aberto,
pensei ser brisa,
se vão alguns dias e nem sei o que sobrou,
pensei ser sonho,
se vão alguns dias que não sei o que é dormir.
Eu vou sair pra correr,
não me pergunte onde quero chegar,
dias como estes só me permitem saber onde não quero estar,
não quero estar quando o telefone tocar,
não quero estar quando qualquer frase boba me fizer lembrar,
não quero estar quando meu olhar te procurar e te encontrar,
não quero estar, não mais,
sou floresta queimando lentamente,
e que cada vez mais almeja incendiar.
Dias como estes
foram feitos para que eu possa aprender
que não se pode tocar a eternidade sem cair,
que o amor é feito de não ter nada e conseguir dar tudo de si,
que triste é estar despedaçado,
mas em qualquer fotografia conseguir sorrir.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Conta-gotas

Seja bem vindo ao que me faz feliz,
eu sou um tanto quanto esquisito,
sou chuva de verão,
sou a melhor parte do estar sozinho,
gosto de ficar em casa.
Eu gosto do mundo ao meu modo,
se te parece meio egoísta pouco me importa,
nos veremos em breve no final disso tudo.
Já queimei meus trunfos,
minha última carta é uma lembrança,
seu jeito babaca de me procurar quando precisa,
me cansa esses quadros borrados do que foi
querendo ser o que nunca será.
Logo iremos nos despedir,
você sem nada a dizer,
eu com uma consciência pesando um mil,
merecem uma medalha aqueles que não tem do que se arrepender,
eu mereço o desprezo,
pois te disse um mundo de flores que você nunca mereceu receber.
Estamos chegando em casa com um gosto amargo na boca,
não são palavras represadas,
são ideais que se afastam,
Tivemos chances pra respirar o mesmo ar,
concordar sobre o tom,
mas nenhum desafino
consegue aplauso da perfeição.
Seja bem vindo ao caos,
a esse meu mundo imperfeito,
eu sou uma bomba em suas mãos,
rabugento, engraçado e inconsequente.
Já fui menos honesto,
hoje pouco me importa sua opinião,
não fujo de conflitos,
só não quero perder meu tempo
com o que você tem a dizer.
Seja bem vindo ao olhar que despreza
essa tolice de ser, ter, alcançar,
o essencial continua invisível aos olhos que não conseguem ver.



sábado, 19 de setembro de 2015

Beijos

Me beije pela última vez,
estamos morrendo aqui,
e a cada dia que passa
é um pra sempre que se acaba.
Todos os meus antigos amigos
estão sentados ao lado do doutor
esperando que ele diga que minha loucura
é o que me faz te querer.
Me beije devagar,
a vida passa sem perdoar as chances que se vão
e ninguém consegue superar a colisão de oportunidades que perdemos esperando o amanhã chegar.
Me beije sorrindo,
como no final de um filme
onde a sequência consegue ser melhor que o filme original,
é impossível eu sei,
mas somos feitos do inacreditável,
de amores absurdos,
conversas superficiais
e vontades disfarçadas.
Me beije enquanto morde minha boca,
eu vou dizer no seu ouvido
que seu beijo tem gosto de mar
e que o suor do seu corpo no meu
é o mais próximo do paraíso
que um mortal pode experimentar.
Me beije do seu jeito,
gostoso, forte e indecente.
Me beije como alguém que está perdido,
encontra seu caminho,
mas prefere se perder.
Me beije de uma vez,
sem pensar no depois,
me beije todas as manhãs,
me beije com o calor que seca oceanos,
me beije como a chuva de um dilúvio,
pois só quando você me beija
eu consigo ver o tempo parar,
o mundo sumir,
e nós dois sermos o que nascemos pra ser,
um beijo eterno na lembrança.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Dias que se passam

Em algum momento estarei errado,
não sei o tempo que falta para o relógio da vida começar a repetir a história,
de alguma forma eu vejo que sempre vai ser assim.
Meus velhos amigos estão vivendo um sonho e eu aqui,
eles estão sobrevivendo a um acidente de avião
e eu nunca consegui voar.
Eu lembro da tequila,
não conte a ninguém eu não lembro muito bem,
eu lembro do seu abraço,
desconfiado eu sei, meu querido pai,
sem pensar que sentiria saudade, eu sei,
eu lembro das suas lágrimas minha querida tia,
com saudade, eu sei.
Eu já disse adeus a esse lugar,
afinal estar onde o coração não está
é a maior prisão que alguém pode estar.
Lá se foram os dias no porão,
as belas canções,
os purês de batata e o banheiro que nunca gostei de limpar,
lá se foram nossas histórias não escritas e bem vividas.
Eu admiro os meus erros,
me trouxeram um grande amor,
um filho bulldog,
grandes amigos
e uma família que não cabe na fotografia.
É estranho chegar em algum lugar,
seja ele qual for,
não existe referência,
não existe descendência,
mas existe alguém disposto a dizer que pra chegar em algum lugar
é só seguir reto toda vida.
A salvação vem pela coragem de acreditar no ridículo,
de ser tolo o suficiente de dizer sim quando todos diriam não,
de dizer não quando todos diriam sim,
e começar do zero é a salvação para aqueles que enxergam o topo como um degrau, não como o fim.
Lembro dos últimos momentos,
do olhar que se perde enquanto o ônibus se vai,
da carona que leva o que resta de um relacionamento que se acaba,
da risada que se dá quando a história parece se repetir,
das festa que começam,
sim...
Eu não lembro como terminam.
Eu me sinto tão vivo,
eu lembro de tudo que deixei pra trás,
de tudo que já vivi,
a fome que já passei,
a mãe doente que já cuidei,
a mãe doente que já perdi,
os amigos que já desfiz,
o frio que já senti,
o calor que já gerei,
a vida bem vivida que só quem arrisca tudo em uma só jogada pode dizer que já viveu.
E sim o mundo vai ruir,
tudo vai desabar,
mas o Deus que não existe,
Ele vai estar lá segurando minha soberba mão,
me dizendo o que fazer,
ou em silêncio me abraçando
quando eu menos merecer.
Enfim sobre os dias que passam
me resta apenas dizer que de mil arrependimentos
existem alguns que valem mais que mil acertos,
pois se até quem sabe erra,
imagina eu que nada sei,
imagina eu que sou feliz por poder errar,
e em meio a erros conseguir acertar.



sexta-feira, 10 de julho de 2015

Quase lá

Uma fotografia antiga
desbotando a cada dia.
Vivendo na prática a diferença
da vida planejada na teoria.

Se tiver medo não tenha,
não me pergunte como.
Todos dizem que é impossível,
mas estou aqui desmentindo.

Noites mal dormidas
perseguindo estrelas até o sol chegar.
Cantando baixo que quem não sabe ser um bom ímpar 
não consegue ser um bom par.

Se não tiver coragem então tenha,

não me pergunte como.
Pra todo dia que nasce
uma noite tem que morrer.

Não me interprete mal,

eu tenho em mim a teimosia
de tentar a mesma coisa da mesma forma
e esperar resultados diferentes,
mas sou fiel a persistência
não se trata de cair e sim de conseguir levantar,
é que minha história me tornou guerreiro,
e minhas escolhas
mestre na arte de recomeçar.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Shhh...

Vou te contar um segredo,
não conheço o futuro.
Não sei dizer verdades
quando se quer ouvir mentiras.
Não gosto de ser o motivo,
sou desafinado quando se trata do tom,
sou parte não todo,
me dê um desconto,
não consigo pagar à vista o preço cobrado pela solidão. 
A quantidade de exceção é que define o que é regra e o que não.
A quantidade de segunda chance é o que define o que é chance e o que é perdão.
Sou feito de palavras loucas que definem dias que se passam sem repetição,
sou feito das chatices que tornam os dias iguais,
expectativas que se moldam ao que você já viveu.
Sou o sim absoluto em momentos de indefinição,
o sorriso bobo que ama o jeito que você arruma o cabelo.
Não entendo muito sobre tudo, 
e sempre falo sobre o que não sei.
Gosto quando você percebe que as palavras a seguir vão demorar.
Gosto dos momentos perfeitos, 
das músicas feitas para os momentos perfeitos, 
dos encontros sem querer querendo.
E eu amo te amar de qualquer jeito,
mais ainda com seu batom vermelho.
Hoje vou te contar um segredo,
eu não conheço o futuro,
mas posso te dizer que viveria o dia de hoje em replay até o infinito se cansar.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Monotonia

Deixe me ficar aqui escutando seu coração cheio de distrações,
te dar flores em uma quarta comum,
ser parte dos dias que lembraremos por muito tempo,
a história inacabada,
a história que escrevemos,
a história que não sabemos como irá terminar.
Deixe me ficar aqui sentindo como seria perfeito
se eu tivesse mil anos ao seu lado,
se eu fizesse você acreditar que tudo que sinto nunca vai ser expresso com palavras que se apagam.
Deixe me ser a saudade do que ainda não vivemos,
ser parte dos planos eternos,
de ser o conquistador dos seus sorrisos,
das risadas que não fazem sentido.
Deixe me quieto de vez em quando,
o silêncio que planeja os sonhos se realizando.
Deixe me te agarrar, roubar seu beijo,
te fazer minha só pra saciar o desejo.
Deixe me desenhar por um instante essa vida imperfeita
com tons de perfeição,
seu sorriso, seu corpo, seu morder dos lábios,
minhas mãos em suas mãos.
Deixe me ser seu beijo de boa noite,
sua monótona companhia,
o errado de todas as brigas,
o carinho que cura suas feridas.
Deixe me borrar seu batom,
te irritar todas as manhãs,
esquecer datas importantes,
te fazer rir até chorar.
Deixe me te olhar sem motivos,
respirar seu perfume,
sentir falta do teu gosto.
Deixe me por um segundo para que eu sinta sua falta pela vida inteira,
e que esse segundo dure o mínimo da inexistência.
e que esse segundo seja a menor fração de tempo que exista,
para que ao deixar me eu não sinta que tenha me deixado.

Estilhaço

A gente quebra como o cair de um copo,
somos fortes,
mas somos frágeis.
É o contrassenso que desatina o que tínhamos por absoluto,
afinal ter certeza de nada é melhor que duvidar de algo.
A gente quebra quando o que menos se quer é o que mais se tem,
seja um adeus, seja um eternamente que se desfaz,
sejam trinta minutos pra ser feliz que se acabam.
A gente quebra tão fácil como as palavras que se perdem
em atitudes que não existem,
e não me fale de amor,
é tão triste ver que a vida não se repete,
e você sempre repete a mesma nota,
e algumas vezes e só algumas vezes se permite desafinar.
Mas a gente quebra, volta atrás por medo e não por vontade,
então se você diz que ama alguém, que ame hoje,
como você nunca amou ninguém,
afinal o futuro é a desculpa perfeita para deixar o hoje pra depois.
Eu vi o pior que a vida pode ser,
e nada se compara a ser como as pessoas que são fortes demais,
não sofrem, não sentem, não são.
Você me diz que vai morrer de saudades,
logo lembra de como era perfeito,
e se era perfeição não poderia ser amor,
e se não era amor não poderia ser eterno,
então não se preocupe em morrer de saudades,
afinal o que mata é morrer de amor.
A gente quebra como alguém que espera o temporal passar por medo de se molhar,
deixe a tempestade durar o tempo que precisa,
saboreie o gosto da chuva,
faça uma dança maluca,
lembre que o tempo é curto pra só sair de casa com guarda-chuva,
o vento contrário inventou os navios à motor,
o vento à favor, se houver,
eu já desacreditei.
A gente quebra e isso resume as perguntas que ainda nem fiz,
o dia de ontem,
o dia que ainda não nasceu,
e cada pedaço do inteiro que sobrou.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Tempestade

Eu sou a tempestade
que leva para longe seus pensamentos,
que sopra palavras de dias como deveriam ser.
Eu sou a tempestade
que você espera para se molhar,
que cai lentamente e beija seu corpo inteiro.
Eu sou a tempestade
que te faz lembrar dos desencontros,
que faz da primeira sempre a última chance.
Eu sou a tempestade
que ama o raio de sol,
que anoitece pensando no amanhecer.
Eu sou a tempestade
que preenche a falta que te faz viver um futuro bom,
que devasta as incertezas dos dias como são.
Eu sou a tempestade
que segura suas mãos e te chama pra dançar,
que escurece com a certeza que você vai me pedir pra ficar.
Eu sou a tempestade
que bagunça seu sentido,
te faz me querer longe e perto ao mesmo tempo,
te traz os sonhos que são reais por um momento.
Eu sou a tempestade
que agita seu mar,
que te abraça como se logo toda chuva fosse acabar.
Eu sou a tempestade
que persegue a eternidade dos filmes que acabam,
que vai parando devagar,
que passa por você mais uma vez,
e mesmo com saudade não sabe quando vai voltar.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

O amor não usa relógio

Existe um mundo...
onde acordo do seu lado todos os dias,
não existem lembranças, não existe saudade, não existem vontades esquecidas,
somos eu, você e um mundo inteiro que não entende como a vida poderia ser.
Existe um mundo...
onde meu olhar se perde não no que poderia ser, mas no que é,
e nesse tempo de pessoas que fingem ser,
ser real é a única certeza que posso inventar.
Existe um mundo...
onde você nunca diz adeus,
não existe último beijo,
não existem chances que se perdem,
nem sorriso mais bonito que o seu.
Existe um mundo...
que pintamos de uma cor qualquer,
quem iria prestar atenção na cor do céu
quando seus olhos castanhos roubam toda atenção?
Existe um mundo...
onde minhas mãos fazem parte do que te faz se sentir segura,
e meu abraço é o lar que afasta seus medos,
e tudo que eu digo se faz silêncio
por ser desnecessária qualquer palavra.
Existe um mundo...
feito de momentos eternos
como quem beija na chuva,
como quem não conhece o último segundo,
afinal o amor não usa relógio,
e nesse mundo ele não precisa se preocupar,
não existe amanhã que apague o que vivemos hoje.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Sunshine

Vai amanhecer saudade,
você me acha um louco eu sei.
Bom dia sunshine,
seja o que Deus quiser,
seja a resposta que vier,
a vida é esse mar,
cheio de ondas que afogam possibilidades,
cheio de ventos que levam barcos de sonhos.
Não saberia viver sem esse seu jeito simples
de achar tudo tão simples em mundo complicado.
Você me fala sobre como as coisas deveriam ser,
eu te falo sobre coisas que não fazem sentido para você,
nada se repete, nada é igual, ninguém é perfeito,
feche os olhos, é um lapso,
eu lembro de tudo,
mas só o agora é real.
Vai amanhecer seu sorriso dançando com o Sol,
eu não pretendo ser sua razão,
sou o sussurro que diz palavras bonitas no final.
Parte desse seu jeito forte é meu,
parte do que você é me faz ser quem eu sou,
e o inteiro do que resta resume uma história infinita
feita de dias intocáveis.
Eu te ligo sem nada pra falar,
invento algum motivo,
só queria ouvir sua voz,
te sentir perto,
ouvir como você insiste em me chamar,
ser mais seu sem que você perceba,
afinal ser mais ou ser menos
é uma decisão que nunca vamos entender.
Não me importo em ser seu esconderijo,
seu braço forte quando tudo não vai bem,
sua distração em meio ao furacão de coisas que acontecem,
sua sintonia aparente,
sua dose diária de como o amor deve ser.
Bom dia sunshine,
estou antecipando o amanhecer,
talvez saudades de você,
muita certeza sangra as surpresas do que pode acontecer,
e não sou feito de promessas,
sou feito de viver,
sou parte desse amanhecer,
sua parte favorita desse mundo que não pára de girar,
o brilho do Sol que você sempre vai lembrar.



quinta-feira, 12 de março de 2015

Tão perto, mas tão longe

Somos os fragmentos de uma eternidade frágil,
intocável pelo tempo que pode ser marcado no calendário.
Somos as lembranças das coisas que não voltam mais,
vítimas de um adeus inevitável.
Somos passageiros aguardando o trem,
que por uma vida inteira vive como se ele nunca fosse chegar.
Mas ele sempre chega.
Somos os sorrisos e as frases engraçadas,
carregando uma bagagem de tristezas e glórias,
de dias escuros e noites claras,
vestidos com roupa de gala cheias de palavras não ditas,
calçando sapatos furados pelos arrependimentos,
debaixo do braço um livro para ler na viagem
que fala sobre como tudo poderia ter sido.
Mas não levamos nada.
Somos uma tempestade de escolhas
caindo sobre sonhos.
Somos a próxima curva
que traz em si alguma expectativa...
Quem sabe um nunca mais...
Quem sabe uma para sempre...
Mas nunca sabemos.
Somos noites na varanda,
fazendo músicas de uma nota só,
desafinando sobre estar tão perto
e ao mesmo tempo tão longe,
esperando que a canção nunca termine.
Mas ela sempre termina.
Somos a saudade das longas caminhadas,
das grandes aventuras de um domingo a noite,
de conversar sobre coisas simples como se fossem mudar o mundo.
Somos essas lágrimas caindo como se fosse chuva,
que molha as fotografias, que cala a voz
e que tem vencido mais um amanhecer.
Mas sim, eu sei,
somos aqueles que vivem não apenas pelo que se pode ver,
somos reconstrutores de uma vida passageira,
com a esperança de que a dor acabe.
Mas ela nunca acaba.
Pelo menos nunca vai acabar enquanto não chegar minha vez de pegar o trem.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ronin (Não existem dias sem Sol pra quem voa acima das nuvens)

Acordo em outro lugar,
não sou parte das coisas que ficam para trás,
esgoto minhas forças para lembrar de dias fáceis,
bom poder fechar os olhos e descansar sabendo que já não precisamos
persistir em tudo que já não queremos mais.
Eu segui por muito tempo as regras que já não me cabem mais,
eu sangrei sozinho me coroando com uma coroa de espinhos,
uma floresta em chamas que não espera pela chuva,
um coração contente por saber que o amor
é a coragem de dizer não.
Se existe uma mentira
que seja o tempo alimentando o esquecimento,
nenhuma cicatriz pode ser esquecida,
nenhuma guerra é vencida sem uma cicatriz,
um orgulho quase tolo,
tatuado em meu corpo a história incrível
de quem consegue se reinventar.
Acordo longe de casa,
estar perdido é uma fotografia de quem não sabe onde quer chegar,
é o exato momento que define que mesmas atitudes levam sempre ao mesmo lugar,
e não quero parecer pretensioso,
mas quem já dormiu em chão gelado sem ter o que comer,
quem já escolheu um recomeço,
quem já viu no inferno um pedaço do céu,
pode dizer que não fica bem em fotografias.
Então comemore as histórias tristes,
somos as risadas do futuro,
a paisagem depois da curva,
o amor que não congela,
a ideia que não se esvai,
somos as partes que não se encaixam nesse deus inventado.
Acordo sem precisar de alguém ao lado,
o que se tem dentro sempre será mais importante do que se tem ao redor,
uma multidão não faz com que o solitário se sinta menos só,
mas a paz de te ter dentro de mim me faz vencer guerras,
um leão por dia,
um urso por vez,
o desespero de não saber o que acontecerá nesta vida sem replay.
O mundo dorme com os olhos abertos,
as vozes gritam,
mas as ações caladas consentem,
em terra de culpados
somos todos juízes inocentes.
Eu acordo em um lugar diferente,
mais perto de tudo que acredito,
reinventor do destino,
possivelmente contador de histórias tristes,
assumidamente autor dessa bagunça sem precedentes,
mais um culpado contribuindo com minha parcela de inocência.