quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Oceanos

Eu entendo seus sorrisos,
as cores que você colore o céu.
A dor que despeja um oceano de deserto
em um coração feito pra suportar temporal.
Eu entendo as palavras não ditas,
a folha em branco que é não saber o que sentir.
A dor que despeja um oceano de deserto
em um coração que não ouve o que queria ouvir.
Entendo que para cada onda que quebra
existe um oceano de possibilidades que não consigo enxergar o fim.
Para toda certeza que me faz abrir mão de algo bom
existe um oceano de esperança de que algo melhor está por vir.
Para cada instante de medo,
existem mil oceanos de superação.
Eu entendo as perguntas sem respostas,
as tentativas de ser forte sem precisar disfarçar.
A dor que despeja um oceano de deserto
em um coração que esquece de si mesmo.
Eu entendo o sim querendo dizer não,
o afastar querendo estar perto,
o morrer de amor querendo viver o reencontro,
o acordar sorrindo por tudo se tratar de um pesadelo.
A dor que despeja um oceano de deserto
em um coração feito de mares que não secam.
Entendo que para calendário riscado,
existe um oceano de dias feitos do que poderia ter sido.
Entendo que para cada oceano,
existe a profundidade e a imensidão de um coração como o seu
que sorri por não ter aprendido a desistir,
que ama eternamente por não saber construir o fim.
Entendo pouco sobre muitas coisas,
mas entendo que todos somos o oceano que decidimos ser.




quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Despertador

A fidelidade do despertador me espanta,
a sua facilidade em me despertar dos meus sonhos,
seu jeito de cantar sempre a mesma música no mesmo horário,
acho que por isso somos tão diferentes.
Nunca tive aptidão pra ser o mesmo,
sou mais folha do que árvore,
mais vento do que mar,
sou tão passageiro que logo não saberei informar
o local que outrora fora meu endereço.
Não me entenda mal,
eu invejo as raízes,
conhecer o carteiro,
ver o Sol nascer da mesma janela por uma vida inteira,
mas não sou feito de lugares,
sou feito de pessoas,
carrego em meus melhores momentos conversas sem sentido,
tenho em porta retratos não as mais belas paisagens,
mas os melhores sorrisos.
Eu já vi o pior dia de chuva se transformar em um belo dia de Sol,
já vi um rio calmo se transformar em um gigante destruidor,
já vi tempestade de raios, chuva de estrelas,
mas nada se compara ao sorriso forçado de uma segunda-feira de mau-humor,
pois lugares existem, coisas acontecem,
simplesmente faz Sol, simplesmente chove,
mas um sorriso em uma segunda de manhã,
nasce nos lábios daqueles que se importam.
Do que é feito o arrependimento?
Eu sempre me pergunto isto quando me despeço,
eu revejo os dias rabiscados no calendário,
os elogios inesperados, as piadas contadas,
as atitudes incompreendidas, a falta de atitude,
revejo os momentos engraçados, as palavras de incentivo,
as perguntas, as muitas perguntas respondidas,
e eu sou parte disso.
Então toda vez que me pergunto do que é feito o arrependimento,
eu me lembro do despertador
e agradeço por cantar a mesma música no mesmo horário,
por ser fiel, por me despertar dos meus sonhos todos os dias,
pois o arrependimento é feito dos dias em que os objetivos,
os lugares e as coisas,
se tornam mais importantes do que as pessoas,
e isso o meu despertador nunca deixa acontecer.