segunda-feira, 28 de julho de 2014

Gosto dos dias que se vão


Gosto de me perder,
gosto de cair no seu olhar
e ficar até os sonhos sobrevoarem o se pôr de mais um dia.
Gosto de caminhar pensando nas mil maneiras que existem
de resolver os mesmos problemas,
gosto de sentir a solidão quebrar quando me abraça,
gosto de imaginar nossos planos daqui há alguns anos
se realizando, às vezes não,
afinal não existe voo eterno de aviões feitos de papel.
Gosto das lembranças,
seja do pote que quebra de manhã,
seja do cansaço que nos força a ficar por horas no sofá,
gosto de ser mortal, fraco e teimoso,
de ser útil, intenso e desapegado.
Gosto do seu sorriso,
da risada incontrolável,
de me sentir em casa em qualquer lugar que você faça morada,
gosto dos sentimentos que não são almejados pelos interesseiros,
gosto de gastar minhas últimas moedas do mês em um vaso de flor.
Gosto de me perguntar de que é feito o dia daqueles que não se perdoam,
são minutos regando razões?
São horas esperando mais uma gota de desculpa?
São os segundos mais lentos de uma vida única?
Gosto de desenhar um tapete de estrelas para te receber,
gosto de oferecer seus sonhos realizados em forma de banquete,
ser parte do que te faz feliz e não o todo,
gosto de ser o momento que você sempre quer repetir e não o filme inteiro.
Gosto da simplicidade, do meio termo,
e se for pra ser absoluto que seja mais sim do que não,
gosto da sua companhia, de te fazer falta,
de falar o que não quer ouvir, de ser um porto resistente à tempestade.
Gosto do que vejo ao olhar para trás,
vejo um rio de erros desaguar no mar de coisas que se encaixam,
gosto do que é imperfeito,
gosto de ser do avesso, às vezes parecido,
gosto mesmo é de voar.
Voar sem tirar os pés do chão,
por isso me perco em seu olhar,
me perco no desejo de ser um sonho que sobrevoa o infinito do que somos
ao se pôr de mais um dia.

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