sexta-feira, 6 de junho de 2014

Segunda-feira



Tento não sentir falta das suas mãos

que por teimosia eu deixo serem maiores que as minhas.

Tento não sentir falta do jeito que você diz as coisas

que eu sempre quis ouvir.

Eu conhecia amores de ouvir falar,

eu prometia eternidade com a esperança

que as coisas que foram feitas para não durar

não encontrassem o final,

e agora estamos aqui sem promessas

e deixando acontecer bem devagar.

Tento não sentir essa vontade absurda

de dizer novamente bem baixinho no seu ouvido

que você é a mulher mais linda que já beijei.

Tento não sentir a falta do jeito que você me beija sorrindo,

do jeito que seus olhos brilham,

das perguntas que fazemos sem ter respostas.

Eu queria que todo dia fosse uma segunda-feira,

que todas as noites fossem feitas de frio na barriga

e corações acelerados.

Eu queria um replay de tudo isso,

você me contando seus segredos,

nós dois concordando com nossos medos

de insetos ou sapos,

concordando sobre algo forte e inexplicável

que faz a saudade de um dia

se tornar a dor de uma semana.

Eu tento não sentir falta do seu carinho enquanto dirijo,

da sua vontade de ficar até que o momento se torne inesquecível,

falta dos beijos que quero te dar,

do tempo que quero te dedicar.

Eu tento não notar os sonhos dando as mãos,

os teus erros de português,

as cores do seu tênis,

o jeito que você espera que eu diga palavras bonitas,

e seu olhar que simplesmente se distrai.

Eu tento desde que te conheci não me apaixonar,

mas quanto mais eu tento mais eu vejo

que você pode ser meu amor por toda a vida,

o amor que eu sempre procurei sem encontrar,

então eu deixo de tentar.

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