sexta-feira, 6 de junho de 2014

Medo



Respiro o ar pesado dos erros cotidianos,

finjo não ver só por diversão,

me apego às coisas como deveriam ser,

e me convenço que os olhos fechados

me levarão em alguma direção.

Estou cansado e sem tempo para discussões,

você me pergunta razões para o silêncio,

eu te ofereço uma mesa farta de opções,

mas eu não saberia te dizer se as pessoas ao redor

são frutas de plástico em cesto de vidro

ou se sou apenas eu questionando

o que é incompreensível,

gritos da desigualdade,

um pouco de decepção.

São muitos sorrisos e uma rara sensação

de que não existem tantos motivos para sorrir em vão,

temos a sinceridade seletiva,

as palavras que fazem bem ao coração,

e mestres do jogo movendo seus peões.

Acho que a vida que passa diante dos meus olhos

me faz sentir medo de me tornar apático,

de ser parte desses reis que só pensam em seus umbigos,

medo de me acostumar com tudo isso,

medo de ser o peão na linha de frente obedecendo cegamente

e acreditar que o nome disto é paz.

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