domingo, 3 de março de 2013

1h 18m

As palavras sempre faltam, não importam os ensaios, os planos, o teatro.
Hoje meu telefone tocou pra me lembrar,
que deixei para depois o mais importante,
pra me lembrar que restarão apenas as lembranças.
Me perdoe por não ter voltado a tempo
pra que você pudesse ver o homem que me tornei,
pra poder ouvir as histórias sobre as bagunças que eu e seu filho tanto aprontávamos.
A última coisa que lembro são as palavras a seguir: "Eu vou separar vocês dois porque vocês juntos não dão certo".
Deve ter sido por isso que eu consegui cumprir minha promessa de um dia ir embora e seu filho cumpriu a dele de um dia se casar.
Saudade do macarrão com feijão, de roubar seus doces, das broncas sobre as notas baixas, muita saudade.
Fico feliz por você ter visto seu filho já um homem feito, pai de família,
ter visto seus netos e principalmente ter visto que seu filho bagunceiro
se tornou um homem de caráter, afinal não é essa a maior vitória dos pais?
Fico triste por não estar com você meu grande amigo,
fico triste por perder uma mãe junto com você,
fico triste por atender esse telefone à uma hora da manhã
e ficar sem ter o que falar, sem ter sequer uma simples palavra.
Queria ter ouvido sua risada mais uma vez,
ver o jeito cansado de quem trabalhou o dia inteiro,
 e ainda sim pôs mais um lugar à mesa para o amigo do filho que não tinha o que comer em casa. Queria te encontrar a caminho de casa e te ajudar com as sacolas do mercado,
mas acho que isso não será mais possível.
Na verdade queria escrever mais,
mas hoje é um dia bem difícil daqueles que amanhece,
mas ainda continua sendo uma hora da madrugada.

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