sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O motorista, a porta e a certeza.

Ele devia estar ouvindo uma música que gosta, rindo das memórias do dia, conversando sobre o que fez, refletindo sobre o que deixou de fazer. Poderia estar chateado, bêbado, quem sabe perdeu um amor, uma chance, quem sabe sempre teve tudo e hoje almeja o que não pode ter. Ele pode ser um cara engraçado, que todos falam bem, mesmo sem ele saber, inteligente ou apenas esforçado, pode ser o tímido da turma, que quando bebe se torna o dono do palco. Talvez ele não seja amado, ou apenas não ame o suficiente para entender, que o amor não tem saldo negativo. Acho até que ele deva ter perdido os pais bem cedo, ou então nunca valorizou os conselhos, há sempre os que já nascem sabendo tudo, mas que no fim não entendem nada. Ele pode ser tão diferente do que consigo imaginar, alguém que consegue se arrepender, e não tem chance de se desculpar, eu nunca vou saber. Eu só sei que ele não assume os erros, talvez por fraqueza, talvez porque tenha certeza de que nunca erra. Eu só sei que ele não se preocupa, talvez por egoísmo, talvez porque não tenha aprendido que o mais importante não é o que se tem, tão pouco o que se pode comprar, e sim o que se faz. Eu só tenho a certeza que ele foge, foge da responsabilidade, foge da oportunidade de não ser um covarde, e talvez vá fugir da oportunidade de viver uma vida bem vivida, em paz e com a calma dos que possuem um consciência tranquila, foge, como fugiu ao bater na porta do meu carro.

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