sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Lá bem longe...

Eu abri meus olhos mais cedo, como um náufrago que amanhece na areia. Será que somos o que deveríamos ser? Eu carrego na lembrança, os sinais de uma missão incompleta, dias cinzas que imploram por cores, por paz, pelo sorriso bobo de quem não precisa de motivos pra sorrir. Poderia ser um porto de um enorme continente, sem nenhum passo adiante, morreríamos pensando se tratar de uma ilha, só por ter medo das curvas, só porque as vezes agradecer é a resposta de quem tem todas as perguntas. Desde aquele dia eu fraciono as poucas gotas que restaram do seu olhar que diziam alguma coisa que eu já nem preciso mais saber, ouço o necessário no silêncio, e faço desse silêncio uma canção, parte de mim daqui pra frente. Você era um alívio e eu queria tempestade, relógio no mar, o infinito que começa no fim da tarde, e é do seu abraço que sinto mais saudade, que seja loucura, coisas que contarei como um louco gritando em uma praça, tentando convencer com gritos pessoas que não ouvem. Logo estaremos em casa, e eu terei perdido todas as chances, assistindo alguém ganhar o jogo, como se eu fosse destinado a acertar a bola oito. Não me importo mais, com o Sol que queima as expectativas, com o seu jeito de cantar certo em um idioma que não sei falar, eu só quero que antes que o dia termine, eu saiba que vivi tudo que tinha para viver, e lá onde o tempo fez moradia, exista um retrato de nós dois, meus olhos agradecidos, e seu sorriso torto.

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