sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Melhor amigo

Eu penso em um jeito menos dramático, meço as palavras à conta-gota, para não parecer fútil, fraco, ou até mesmo forçado. Ele aqui sentado me olhando como se me escutasse, como se eu fosse o mais importante, depois de seu ursinho e osso. Como entender a sensação de um cão, que faz cara de triste, e mesmo sem sorrir é o mais simpático, abraçando o mundo com a maior simplicidade. Já me ensinou tantas coisas, e talvez ele nunca vá saber, o bem que me faz chegar em casa e vê-lo timidamente vindo me cumprimentar. Quando foi que perdi as chances de aproveitar os momentos mais importantes? Sim, esses momentos que nunca voltarão, as coisas simples, um cão com seu osso pedindo atenção, um cão com medo da bronca por errar o lugar do xixi, um cão que reclina sua cabeça em seu calcanhar e dorme até roncar. Ele me lembra que ter medo de coisas simples faz todo sentido, como o medo que tem do banho ou do secador, medo que tem de que eu não chegue na hora certa do almoço, ou que não ganhe um biscoito como sinal de aprovação, é tão simples, tão fácil, tão natural. De onde vem as complicações? Só um cão? Fale isso para as teimosias, burrices e talvez conspiração, um cão que consegue o que quer sem conseguir falar um por favor. Não sei, acho que é mais que isso. É o jeito sútil que Deus encontrou para chamar minha atenção, para me dizer que a paciência não é tão somente um dom, é um exercício, uma dedicação. É o jeito que Deus encontrou para me lembrar como se sente, quando cometo os mesmos erros, quando se preocupa e cuida para que não me machuque em tomadas, e que comer a parede, madeira e tudo pela frente não me levará a nada. Deus mais uma vez me presenteia com seu doce jeito, de me dizer o que fazer sem precisar dizer uma só palavra, o amor, o cuidado, a dedicação, tudo por um cão, mas nada que se compara ao que Ele faz por um filho.