sábado, 27 de outubro de 2012

"Cedo ou tarde ela vai perceber que seu sorriso é como um dia de Sol no litoral, um anjo ou algo parecido, é um dia perfeito, é o momento certo para acabar o mundo e morrermos rindo."

Só uma manhã

Acordei cedo e deixei os minutos passarem lentos como antigamente, suponhamos que temos o necessário para voar, pularíamos ou teríamos medo de tentar? Eu consigo sentir a dor, o desespero e a saudade das coisas que meu coração insiste em tocar sem ao menos ver. São queixas sobre não ter ninguém, sobre ter alguém que não se importa, queixas sobre ter o mundo inteiro e não se suportar. As fotografias antigas já não me lembram nada que seja mais importante que o dia de hoje, sim, eu tenho as chaves, as decepções e um futuro pela frente. Em um quarto sem portas, você espera de mim apenas lágrimas? Eu trago dinamite como solução. Não me traga suas frustrações em uma bandeja de vítima, já não tenho a inocência necessária, tão pouco disposição para acreditar, nas escolhas fracassadas, nas decisões que te fariam feliz, mas te deixaram à pé na estrada. Acho que estamos com guarda-chuvas abertos esperando por um furacão, e vemos o fim com o interesse de quem assiste a um programa fútil na televisão. As mentiras serão sempre as maiores verdades para quem acredita, assim como as promessas quebradas são eternas, e o que poderia ser, será sempre melhor do que é, mas isso vamos fingir que são as maiores mentiras da humanidade.

sábado, 6 de outubro de 2012

Ainda me lembro

Me diz a falta que te faço, que te digo a falta que você me faz. Eu me esqueço? Me enlouqueço ou só finjo? São as perguntas que te faço. É a dor que carrego calado, ou um calo nos pés de quem caminha sobre cacos? Éramos amigos, pai e filho, cúmplices em pensamentos, hoje quase inimigos, como tudo mudou em tão pouco tempo? São meus ressentimentos que nada tem haver contigo? É a frieza desse tempo há tempos predito? Te faço as perguntas de um coração em desespero, que já se sente cheio do vazio, que já não corresponde ao que outrora foi prometido, e se eu um dia fui príncipe, hoje não passo de um perdido. E se eu ainda tento iludir alguém que seja a mim mesmo, pobre, cego, pródigo e já nada parecido contigo. Goles ao invés do Espírito prometido, era isso então o planejado? Ou foi eu que troquei os alvos e me acostumei em acertar os erros que parecem certos. Não sinto falta dos que ficaram em seus cercados santos, altares de pau-oco, nada mais que um povo que se prende a uma rotina, mas que no fim sabemos que estão tão perdidos. Sinto falta é do quarto, silêncio, você e eu, cantando as canções desafinadas em um violão faltando corda, sinto falta é de estar só, sem ter nada, mas sentir seu abraço. Sinto falta do seu abraço. Um só caminho? Então como vim parar aqui? Eu te amo tanto... Amo tanto seu cuidar, essa mania quase tola de me amar, em detalhes. Como era bom o violão vermelho, a igreja vazia, os mesmos acordes, era tão simples, tão "nós", que falta que você me faz. Me lembrei tanto de você esses dias e eu sei que você sabe bem, quando um acidente trouxe a tona a vida por um triz. Eles falam em milagres, em revoluções, e eu aqui tão sujo... Será que te conhecem? Eu já nem sei. Ainda me lembro, de tudo. E eu só queria te dizer que ainda me lembro.