sexta-feira, 11 de maio de 2012

Onde iremos essa noite?


Eu ouvi dizer que as qualidades
existiam para disfarçar os defeitos,
nem me importei com os fatos que demonstram
as coisas que não são.
Sim, eu estou aqui imundo e incomodo
com a sinceridade que ofusca seus olhos
e distorce os conceitos de um mundo perfeito.
Onde estão os que mudariam o mundo?
Acomodados em sua própria inconformação?
Você ainda sustenta esse discurso
que não convence nem mesmo a você?
Existe um lugar distante das possibilidades,
que ouvimos na tv, nos milagres, curas e crendices,
porém perto demais para acreditarmos que alcançaríamos,
por ser simples e acessível aos que não merecem.
Já são quase duas da manhã?
E eu falando coisas que sem valor se perderão no tempo?
Quem diria que chegaríamos a tal ponto?
Os olhos que brilham são lágrimas dos que se sentem abandonados
ou dos que com revolta ignoram a religião?
Eu vejo os mortos cantando canções de desespero,
morrendo novamente em suas fantasias de redenção,
sucesso e agendas compromissadas.
Os missionários erram a missão,
os profetas inventam o destino alheio,
os tolos são reis,
e nós somos um enorme elefante preso por uma corda de barbante.
Me conte como é ser feliz em um mundo triste,
esperando os tijolos do seu castelo de ouro em um mundo de poeira.
A faca em minha mão não é suicídio,
é o assassinato dos sonhos falsos
de um Deus inventado pelos ladrões da verdade
que vivem a intensidade de um mundo que passa
por não mais acreditar na eternidade que virá.
O quase silêncio que me aprisiona,
deixa o fôlego sufocante da sobrevivência,
para que eu veja esperança, fé e amor,
onde as pontes queimam e desfiladeiros atraem os mais nobres corações,
que já existiram.

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