sábado, 17 de março de 2012

Flores do fim do mundo


Flores do fim do mundo
nascem nesse campo de planos carbonizados.
Lugares de sonhos
dando lugar aos gritos de um filme mudo.
Bom Deus, como seríamos conhecidos?

Marchamos como um exército faminto
que já não sabe o por quê da luta.
Muitas bandeiras em uma guerra sem munição,
remendamos nossos uniformes,
palavras de luxo como balas de canhão.
Bom Deus, como seríamos conhecidos?

Meus amigos mortos, junto com seus ideais,
estão enterrados no lixo das teorias inventadas.
Não sobrou nenhum pedaço da história
que não tivesse feito parte da sua revelação,
as vidas não ceifadas, imitam os mortos no chão.
Bom Deus, como seríamos conhecidos?

Algumas moedas no bolso e uma antiga fotografia
afastam o gosto de sangue da garganta.
Dirão que éramos bons homens,
levando cada um dentro de si seu próprio rei,
anunciando um novo começo enquanto começávamos a destruição.
Bom Deus, como seríamos conhecidos?

Bom Deus, segure as mãos que já não sinto,
enquanto desfaleço nessa multidão de corpos e verdades retorcidas.
Bom Deus, não repare em minhas palavras sem sentido,
sou apenas mais um soldado relembrando como seríamos conhecidos.
Bom Deus, seríamos conhecidos pelo amor.
O amor que nem as medalhas,
nem os discursos se lembrarão.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Palavras da saudade


É só reparar nos olhos,
de quem ainda consegue enxergar,
e teremos o retrato do lar,
as palavras doces,
e a simplicidade de acreditar.
Meu coração distraído,
se fez aprendiz do desapego,
e dança com as dores do mundo,
com ar de tanto faz.

Seria tarde para um filho que se foi,
poder voltar atrás?
Seria pedir demais,
um abraço desse velho Pai?

Estou aqui,
e não mereço.
Estou aqui,
perdido, machucado.
Estou aqui,
porque já não consigo,
estar em qualquer lugar,
que não seja do seu lado.