sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Melhor amigo

Eu penso em um jeito menos dramático, meço as palavras à conta-gota, para não parecer fútil, fraco, ou até mesmo forçado. Ele aqui sentado me olhando como se me escutasse, como se eu fosse o mais importante, depois de seu ursinho e osso. Como entender a sensação de um cão, que faz cara de triste, e mesmo sem sorrir é o mais simpático, abraçando o mundo com a maior simplicidade. Já me ensinou tantas coisas, e talvez ele nunca vá saber, o bem que me faz chegar em casa e vê-lo timidamente vindo me cumprimentar. Quando foi que perdi as chances de aproveitar os momentos mais importantes? Sim, esses momentos que nunca voltarão, as coisas simples, um cão com seu osso pedindo atenção, um cão com medo da bronca por errar o lugar do xixi, um cão que reclina sua cabeça em seu calcanhar e dorme até roncar. Ele me lembra que ter medo de coisas simples faz todo sentido, como o medo que tem do banho ou do secador, medo que tem de que eu não chegue na hora certa do almoço, ou que não ganhe um biscoito como sinal de aprovação, é tão simples, tão fácil, tão natural. De onde vem as complicações? Só um cão? Fale isso para as teimosias, burrices e talvez conspiração, um cão que consegue o que quer sem conseguir falar um por favor. Não sei, acho que é mais que isso. É o jeito sútil que Deus encontrou para chamar minha atenção, para me dizer que a paciência não é tão somente um dom, é um exercício, uma dedicação. É o jeito que Deus encontrou para me lembrar como se sente, quando cometo os mesmos erros, quando se preocupa e cuida para que não me machuque em tomadas, e que comer a parede, madeira e tudo pela frente não me levará a nada. Deus mais uma vez me presenteia com seu doce jeito, de me dizer o que fazer sem precisar dizer uma só palavra, o amor, o cuidado, a dedicação, tudo por um cão, mas nada que se compara ao que Ele faz por um filho.

sábado, 27 de outubro de 2012

"Cedo ou tarde ela vai perceber que seu sorriso é como um dia de Sol no litoral, um anjo ou algo parecido, é um dia perfeito, é o momento certo para acabar o mundo e morrermos rindo."

Só uma manhã

Acordei cedo e deixei os minutos passarem lentos como antigamente, suponhamos que temos o necessário para voar, pularíamos ou teríamos medo de tentar? Eu consigo sentir a dor, o desespero e a saudade das coisas que meu coração insiste em tocar sem ao menos ver. São queixas sobre não ter ninguém, sobre ter alguém que não se importa, queixas sobre ter o mundo inteiro e não se suportar. As fotografias antigas já não me lembram nada que seja mais importante que o dia de hoje, sim, eu tenho as chaves, as decepções e um futuro pela frente. Em um quarto sem portas, você espera de mim apenas lágrimas? Eu trago dinamite como solução. Não me traga suas frustrações em uma bandeja de vítima, já não tenho a inocência necessária, tão pouco disposição para acreditar, nas escolhas fracassadas, nas decisões que te fariam feliz, mas te deixaram à pé na estrada. Acho que estamos com guarda-chuvas abertos esperando por um furacão, e vemos o fim com o interesse de quem assiste a um programa fútil na televisão. As mentiras serão sempre as maiores verdades para quem acredita, assim como as promessas quebradas são eternas, e o que poderia ser, será sempre melhor do que é, mas isso vamos fingir que são as maiores mentiras da humanidade.

sábado, 6 de outubro de 2012

Ainda me lembro

Me diz a falta que te faço, que te digo a falta que você me faz. Eu me esqueço? Me enlouqueço ou só finjo? São as perguntas que te faço. É a dor que carrego calado, ou um calo nos pés de quem caminha sobre cacos? Éramos amigos, pai e filho, cúmplices em pensamentos, hoje quase inimigos, como tudo mudou em tão pouco tempo? São meus ressentimentos que nada tem haver contigo? É a frieza desse tempo há tempos predito? Te faço as perguntas de um coração em desespero, que já se sente cheio do vazio, que já não corresponde ao que outrora foi prometido, e se eu um dia fui príncipe, hoje não passo de um perdido. E se eu ainda tento iludir alguém que seja a mim mesmo, pobre, cego, pródigo e já nada parecido contigo. Goles ao invés do Espírito prometido, era isso então o planejado? Ou foi eu que troquei os alvos e me acostumei em acertar os erros que parecem certos. Não sinto falta dos que ficaram em seus cercados santos, altares de pau-oco, nada mais que um povo que se prende a uma rotina, mas que no fim sabemos que estão tão perdidos. Sinto falta é do quarto, silêncio, você e eu, cantando as canções desafinadas em um violão faltando corda, sinto falta é de estar só, sem ter nada, mas sentir seu abraço. Sinto falta do seu abraço. Um só caminho? Então como vim parar aqui? Eu te amo tanto... Amo tanto seu cuidar, essa mania quase tola de me amar, em detalhes. Como era bom o violão vermelho, a igreja vazia, os mesmos acordes, era tão simples, tão "nós", que falta que você me faz. Me lembrei tanto de você esses dias e eu sei que você sabe bem, quando um acidente trouxe a tona a vida por um triz. Eles falam em milagres, em revoluções, e eu aqui tão sujo... Será que te conhecem? Eu já nem sei. Ainda me lembro, de tudo. E eu só queria te dizer que ainda me lembro.

domingo, 30 de setembro de 2012

Quanto tempo temos?

Vamos demorar a dormir, como se esta noite fosse a última, se na verdade não for. Mesmo que os olhares preencham os diálogos com tom de silêncio e um pouco de saudade e preocupação. Faz tanto tempo que não conversamos, que inventarei histórias só para que aparente que eu vivi dois mundos inteiros, no espaço de um só. Estou mudando o reflexo no espelho, por dentro estou mais forte, mais quieto, como a Lua que disfarça sua luz atrás das nuvens em uma noite fria de primavera. Não me peça novidades, somos íntimos demais para assuntos de elevador, você costumava me entender quando eu era apenas só um sonhador. Senti tanto sua falta, como a ansiedade que teme por não alcançar o fim da dor, ou os dias frios que procuram seu calor, nessa rima pobre que banaliza o que mais sinto por você, amor. Se você espera um fim ou um aperto de mão, acho que te desaponto com meu pedido para que fique, existe um mundo que sem você nunca mais girou, e tudo morreu, cada flor, cada amor, cada sonho.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Onde iremos essa noite?


Eu ouvi dizer que as qualidades
existiam para disfarçar os defeitos,
nem me importei com os fatos que demonstram
as coisas que não são.
Sim, eu estou aqui imundo e incomodo
com a sinceridade que ofusca seus olhos
e distorce os conceitos de um mundo perfeito.
Onde estão os que mudariam o mundo?
Acomodados em sua própria inconformação?
Você ainda sustenta esse discurso
que não convence nem mesmo a você?
Existe um lugar distante das possibilidades,
que ouvimos na tv, nos milagres, curas e crendices,
porém perto demais para acreditarmos que alcançaríamos,
por ser simples e acessível aos que não merecem.
Já são quase duas da manhã?
E eu falando coisas que sem valor se perderão no tempo?
Quem diria que chegaríamos a tal ponto?
Os olhos que brilham são lágrimas dos que se sentem abandonados
ou dos que com revolta ignoram a religião?
Eu vejo os mortos cantando canções de desespero,
morrendo novamente em suas fantasias de redenção,
sucesso e agendas compromissadas.
Os missionários erram a missão,
os profetas inventam o destino alheio,
os tolos são reis,
e nós somos um enorme elefante preso por uma corda de barbante.
Me conte como é ser feliz em um mundo triste,
esperando os tijolos do seu castelo de ouro em um mundo de poeira.
A faca em minha mão não é suicídio,
é o assassinato dos sonhos falsos
de um Deus inventado pelos ladrões da verdade
que vivem a intensidade de um mundo que passa
por não mais acreditar na eternidade que virá.
O quase silêncio que me aprisiona,
deixa o fôlego sufocante da sobrevivência,
para que eu veja esperança, fé e amor,
onde as pontes queimam e desfiladeiros atraem os mais nobres corações,
que já existiram.

sábado, 21 de abril de 2012

Um degrau


Acho que esse sorriso é sobre conseguir chegar ao fim,
essas palavras são sobre acreditar.
Meu objetivo desta vez não é levantar o troféu,
estar perto do pódio talvez.
Hoje o mais importante é não desistir
e aqui estou eu.
Sempre tive todas as chances
e sempre vivi todas as oportunidades
mesmo que tenham sido todas pela metade,
mas hoje eu estou em cima do primeiro degrau
e o que pra muitos é apenas um passo
pra mim é Deus dizendo ser possível conseguir.
Eu nunca fui forte,
nunca consegui caminhar com as próprias pernas,
sempre que tentava reclamava das dores
e voltava então a ser carregado,
mas hoje dei meu primeiro passo,
e não que eu tenha me tornado forte
ou que eu consiga correr,
porém Deus conseguiu me ensinar a não desistir.
Hoje me transborda os olhos todo o agradecimento
e em forma de lágrimas escorrem todas as cicatrizes,
não que tenha sido difícil,
mas isso não significa que não tenha doído.
O que vejo é apenas parte do que ainda vou me tornar,
mas seus olhos miram além-mar
e mesmo com todas as tempestades
suas mãos fortes nunca me deixarão,
e mesmo que eu me perca nas palavras,
no sentido, ou até mesmo em mim
que em dias como hoje eu nunca me perca de Ti.

sábado, 17 de março de 2012

Flores do fim do mundo


Flores do fim do mundo
nascem nesse campo de planos carbonizados.
Lugares de sonhos
dando lugar aos gritos de um filme mudo.
Bom Deus, como seríamos conhecidos?

Marchamos como um exército faminto
que já não sabe o por quê da luta.
Muitas bandeiras em uma guerra sem munição,
remendamos nossos uniformes,
palavras de luxo como balas de canhão.
Bom Deus, como seríamos conhecidos?

Meus amigos mortos, junto com seus ideais,
estão enterrados no lixo das teorias inventadas.
Não sobrou nenhum pedaço da história
que não tivesse feito parte da sua revelação,
as vidas não ceifadas, imitam os mortos no chão.
Bom Deus, como seríamos conhecidos?

Algumas moedas no bolso e uma antiga fotografia
afastam o gosto de sangue da garganta.
Dirão que éramos bons homens,
levando cada um dentro de si seu próprio rei,
anunciando um novo começo enquanto começávamos a destruição.
Bom Deus, como seríamos conhecidos?

Bom Deus, segure as mãos que já não sinto,
enquanto desfaleço nessa multidão de corpos e verdades retorcidas.
Bom Deus, não repare em minhas palavras sem sentido,
sou apenas mais um soldado relembrando como seríamos conhecidos.
Bom Deus, seríamos conhecidos pelo amor.
O amor que nem as medalhas,
nem os discursos se lembrarão.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Palavras da saudade


É só reparar nos olhos,
de quem ainda consegue enxergar,
e teremos o retrato do lar,
as palavras doces,
e a simplicidade de acreditar.
Meu coração distraído,
se fez aprendiz do desapego,
e dança com as dores do mundo,
com ar de tanto faz.

Seria tarde para um filho que se foi,
poder voltar atrás?
Seria pedir demais,
um abraço desse velho Pai?

Estou aqui,
e não mereço.
Estou aqui,
perdido, machucado.
Estou aqui,
porque já não consigo,
estar em qualquer lugar,
que não seja do seu lado.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Conserta-me


Deixei cair chuva de pedras,
sobre meus sonhos de vidro,
um homem arrependido,
que corta as mãos,
ao juntar os cacos caídos.
Desconfio que as palavras que digo,
sejam minhas desculpas,
entorpecendo meu coração ferido.
Eu demorei pra chegar até aqui,
não deixarei nada escondido.

Me fale sobre meus defeitos,
sobre quem sou e finjo ser.
Me fale as palavras,
que só você pode dizer,
me fale o que preciso,
e conserta-me.

Tornei minha cidade um grande cemitério,
que ironia um enviado da vida,
se transformar em um ótimo coveiro.
Eu tinha todas as perguntas,
mas não aprendi a esperar,
o tempo certo que se leva para responder.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O teatro de viver sem Ti


Tudo era fácil, agente não sabia,
tudo era simples, agente não entendia,
mas tudo mudou...
Certos são aqueles que lutam por seus sonhos,
fazem de suas vidas uma vida por todos,
e se encontra ao se perder em Ti.
Os medos são as sobras das nossas desistências,
ricos são aqueles que vivem em sua presença,
eu me apego ao que você falou.
Que tudo nessa vida é muito passageiro,
o coração adoça o amargo dos desejos,
o teatro de viver sem Ti.

Quando as palavras se forem,
e os dias bons não puderem mais voltar
e se a solidao se transformar em mar revolto,
e a saudade for o barco para navegar.

Lembre de tudo que Ele fez por nós.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Embarque


Não preciso das coisas que perdi,
para pintar o céu, das cores que desejo,
existem sim muitos motivos para relembrar,
mas levo comigo as lágrimas da despedida,
para transformar em sorrisos na chegada,
no fim dessa estrada que decidi caminhar.
Espero que fotografias sejam suficientes,
para te fazer esquecer as loucuras desse mundo,
e não se preocupe em corresponder as expectativas,
eu sempre acreditei que o final,
é um copo meio cheio,
é um novo começo,
é a última chance até termos a próxima.
Às perguntas nunca feitas,
respostas silenciosas,
como alguém que grita,
gotas de chuva no deserto.
Ao olhar que destila a história,
canções de como poderia ser,
esperando somente os ponteiros marcarem,
a hora de embarcar e ir embora.
Eu seguirei essa estrada aberta,
quem se importa com o que é seguro,
se a vida nada mais é que um tiro no escuro,
em alvos que se movem.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Indefinível


Não preciso de mapas,
quando lembro do seu abraço,
da sua voz chamando meu nome,
como uma tatuagem em sua mão,
um filho com olhos cheios,
pedindo perdão.

Do que são feitos os dias
de felicidade?
Se não do seu sorriso.
Do que são feitos os dias,
da eternidade?
Se não do prazer,
de te ter como amigo.

Não trago medalhas no peito,
mesmo quando isso é valorizado,
pelos discursos alheios,
continuo sendo o órfão,
com os olhos que brilham,
por te ter como Pai.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Barcos


Enquanto o tempo pesa sobre nós,
fazemos um pedido inocente,
que as promessas quebradas,
não resistam ao esquecimento.

Estive preso durante muito tempo,
por ter uma auréola torta,
quando me deram as chaves da cela,
percebi que a porta sempre esteve aberta.

Nesse teatro sem platéia,
não tenho um texto ensaiado,
que soe bem aos seus ouvidos,
e quanto a ser autêntico,
escondo minhas fontes,
e finjo ser improviso.

Fugimos em navios de papel,
rezando por calmaria,
deixando para trás,
uma cidade em chamas,
queimando nossos fracassos,
deixando em ruínas nossos desatinos.

Eu sinto tanto sua falta,
eu pensava que era medo dos raios,
que rasgavam a escuridão,
mas eram as lembranças,
que ninguém vai entender.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Pobre rei


‎Poderíamos ser príncipes,
em um reino eterno,
mas preferimos ser reis,
em um reino que passa,
correndo atrás de tudo o que não temos,
para nos convercermos,
que é tudo o que precisamos.

Escondemos nossos rostos,
consumidos pela idéia que não há nada,
que a humanidade não possa se adaptar.
Pra tentar fugir.

Tínhamos a sinceridade,
de uma vida inteira,
abandono consentido,
falsos refletindo a vida alheia,
parecendo o que não somos,
pra ser tudo o que não precisamos.