domingo, 11 de dezembro de 2011

A ladeira


Já não consigo acordar tarde,
troco meus dias de folga,
por um corpo cansado,
pés que caminham hoje,
para alcançar o amanhã.
Se era sorriso nos resta a dificuldade,
o suor que nos arde os olhos,
o chegar em casa já dormindo,
a brisa sussurrada que nada mais é
que um alívio imediato.
Quando chove sabe-se lá,
se é um carinho ou um desatino,
um presente de Deus que nos molha como um agrado,
ou se é a tortura de trilhar um caminho escolhido.
Bem lá do alto a cidade que não venta,
e lá embaixo a alma que não quer seguir a pele queimada,
mas que por obrigação não se permite desistir.
O privilégio da descida é uma dádiva admirada por poucos,
uma árvore no canto do caminho é um oásis,
e cada gota que cai da garrafa com água congelada,
evapora antes de tocar a sede que me mata.
Eu não nasci para o acidente,
para ser o que der,
nem me apego ao que se passa,
afinal o que não foi não é.
Não sei medir as consequências das tentativas,
e me falta o medo necessário pra ficar parado,
sem sonhar, sem tentar,
mesmo que tentar não signifique conseguir,
e mesmo que conseguir signifique poder desistir.

Um comentário:

ELENA BARROS disse...

Parabéns, meu filho!!! Você escreve muito bem!!! Mummy loves you!!! Kisses!!!