quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Delírio


Hoje deixei o mundo de lado,
não fui trabalhar,
fiquei dormindo até tarde,
como alguém que tem coragem,
para ser parte do essencial,
e tudo que é essencial é invisível,
para quem tenta ver ao invés de respirar.

A razão das tristezas,
é não desistir de tudo que ficou pra trás,
como um corpo que resiste as surras,
e que se cai...
já sabe a força necessária para se levantar.

Faz sentido ser delirante,
se a luz no fim do túnel se apagou.
Sonhar acordado,
deixar esse mundo em pedaços,
pra quem nunca sonhou,
para todos que plantam a rotina,
e nos forçam a colher.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Você tem mesmo que ir?


A porta se fechou com o vento,
ela disse estar tudo bem,
e nunca mais voltou,
como as canções que não ouvimos até o fim.
Eu me sentia tão perdido,
tatuadas em minhas mãos todas as respostas,
só me resta as coisas que não fiz,
e a única pergunta que podia lhe fazer.
Você tem mesmo que ir?
Acendia o Sol e você despertava sorrindo,
diferente do cinza que atormenta,
os que não querem se despedir.
Essa ligação é pra gritar seus defeitos,
esquecer dos seus bons feitos,
e fingir que desculpas não são necessárias,
e também te perguntar.
Você tem mesmo que ir?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Viver


Pensei que eram gotas de cansaço,
mas são rios de tristeza,
levando planos em barcos de papel,
não se preocupe se faltar o sono,
a viagem deve ser turbulenta.
Toda vez que me esforço pra lembrar,
do tempo em que a dificuldade era apenas...
Apenas a obra prima...
E hoje borra nossas vidas derramando nosso tempo,
então admito um Deus distante.
Meu sorriso é a saudade,
do que suponho um dia fazer,
pés descalços, corpo descansado,
admirando as cicatrizes,
que só quem vive é digno de ter.
Porque difícil é ter que viver uma vida sem tentativas,
sem se saciar da desistência,
sem saborear o realizar.
Não se trata do mundo inteiro,
se trata do que os olhos não podem ver,
é estar por inteiro, nem que isso dure poucos momentos,
e isso não significa chegar em primeiro lugar,
felicidade é ter o nome escrito na lista de presença,
e poder ter toda a certeza que você esteve lá,
durante toda a vida, durante segundos,
durante o tempo que foi lhe dado para estar.
Meu sorriso é vontade,
do que suponho um dia dizer,
"o mundo se preocupa demais,
o mais importante não aparece na tv,
e eu apenas vivi tudo que me foi dado pra viver."

domingo, 11 de dezembro de 2011

Aprendi tão pouco


Eu nunca soube como implorar,
você sempre admirou os espinhos,
me ensinando que o todo não se resume em flores.
Como eu pude te dizer palavras lindas,
em tom de despedida?
Se só você me fazia me sentir vivo novamente.
Eu nunca me apeguei as horas que se vão,
você ao esquecer meus erros,
me pediu pra não eternizar o que é passageiro.
Como eu pude me sentir sozinho,
se você nunca me abandonou?
Se só você me fazia me sentir vivo novamente.
Quando eu finjo saber tudo,
as histórias que você me conta,
revelam que tenho muito a aprender.
Como eu tive forças pra carregar meus próprios erros,
achando que carregava o mundo?
Como eu testei seu amor,
como se o amor pudesse ser medido?
Sua mão me guia para casa,
eu era tão mais feliz quando desconhecia os atalhos,
quando caminhar com minhas próprias pernas,
era tropeçar a cada passo dado,
hoje corro sem me importar se é o caminho errado.
A sinceridade frustra,
tanto quanto meu sentido é delirante,
sinônimo de perder tempo,
é reclamação,
e eu tenho perdido tanto tempo,
como alguém que planta sem querer colher,
como alguém que esqueceu a lição.
Como pude crescer tanto,
se ser louco era ser o mais sábio,
em um reino em que os príncipes eram crianças?
Como pude me achar livre,
vivendo como se fosse alguém que tem todas as respostas,
se só você me faz me sentir vivo novamente?

A ladeira


Já não consigo acordar tarde,
troco meus dias de folga,
por um corpo cansado,
pés que caminham hoje,
para alcançar o amanhã.
Se era sorriso nos resta a dificuldade,
o suor que nos arde os olhos,
o chegar em casa já dormindo,
a brisa sussurrada que nada mais é
que um alívio imediato.
Quando chove sabe-se lá,
se é um carinho ou um desatino,
um presente de Deus que nos molha como um agrado,
ou se é a tortura de trilhar um caminho escolhido.
Bem lá do alto a cidade que não venta,
e lá embaixo a alma que não quer seguir a pele queimada,
mas que por obrigação não se permite desistir.
O privilégio da descida é uma dádiva admirada por poucos,
uma árvore no canto do caminho é um oásis,
e cada gota que cai da garrafa com água congelada,
evapora antes de tocar a sede que me mata.
Eu não nasci para o acidente,
para ser o que der,
nem me apego ao que se passa,
afinal o que não foi não é.
Não sei medir as consequências das tentativas,
e me falta o medo necessário pra ficar parado,
sem sonhar, sem tentar,
mesmo que tentar não signifique conseguir,
e mesmo que conseguir signifique poder desistir.