sábado, 26 de novembro de 2011

Ruínas


Não quero inventar palavras,
que sejam bonitas, que rimam,
ou até me convençam que eu...
Posso te convencer.

Está tudo caíndo em ruínas,
tudo se cumprindo como deveria ser,
o amor esfriando,
os mestres de si ensinando sobre um Deus,
que dizem ser você.

Não quero a hipocresia,
que pratico todo dia,
a sabedoria que me engana,
ou até mesmo que me convence que eu...
Posso te convencer.

Uma menina


Como alguém que se distrai,
ela fica desenhando nuvens,
esperando alguém que penteie seus cabelos,
apenas uma menina,
esperando uma carta de um amor inventado.
O vento que sopra do sul e afasta o calor,
é quase um beijo pra quem mora no vale,
e ela voa como uma flor no vento,
esperando cair no jardim certo.
Apenas uma menina,
com suas bonecas,
brincando de um mundo perfeito.
Quantas letras são necessárias,
para formar uma frase de amor?
Quanto sentido é preciso,
para deixar de ser ideal?
Apenas uma menina,
usando seus lápis coloridos,
esboçando seu final feliz,
seu príncipe,
e seu filme favorito.
Como alguém que se distrai,
sem notar que o tempo é o carrasco mais cruel,
que não gosta de crianças,
que passam a vida inteira,
brincando de casinha,
ela tenta acreditar que o romantismo da imaginação,
é mais importante,
do que a vida real.
Mas ela é apenas uma menina,
que espera do mundo,
espera de todos,
espera um amor,
e esperando se distrai,
enquanto a vida real vai passando sem ela notar.

Eu sempre tive um Pai


Eu tinha apenas sete anos,
sei lá o que eu sabia sobre o mundo,
sobre como tudo funcionava,
o que era ser só. Ter um vício.
Ser um pai.
Tanto tempo sem aparecer,
sem um telefonema,
sem um presente de natal,
sem ao menos um eu te amo dito da boca pra fora.
Mas lá estava ele,
sete anos depois de ter deixado uma família pra trás,
estava sentado no chão,
sem ter o domínio de si,
sem forças pra se levantar,
sem a sobriedade necessária para se expressar.
Quem iria culpar uma criança que tem vergonha do próprio pai?
Eu tinha apenas dezoito anos,
pensava que acreditar nas pessoas era ser sincero,
comigo e com o mundo inteiro,
pensava que já tinha o domínio de algumas lições,
que uma segunda chance se faz necessária,
quando o perdão é a única ponte que nos traz paz,
traz a certeza, traz um pai.
Mas eu pensava em coisas demais,
fui roubado como alguém que entrega a senha, o tesouro,
e de si todo o mais.
Quem iria culpar a mesma criança que tem vergonha do próprio pai?
Eu tinha uma vida inteira pela frente,
errava como um qualquer,
acertava como qualquer um,
tinha sonhos, tinha planos,
magoei milhares, fiz sorrir poucos milhões,
tinha lá meus dez dons, e mais de mil pedras nas mãos,
tinha os conceitos, era um preconceitoso e egoísta,
e mesmo assim era amado,
um amor que se apega as coisas simples,
que valoriza cada detalhe,
que ouvia minhas lágrimas quando a voz faltava.
Quem poderia culpar essa criança de ter vergonha de si mesma?
Eu tenho apenas vinte e cinco anos,
conto nos dedos da mão, os amigos,
incontáveis feridas,
importantes desafios,
e um abrigo,
apenas um pai,
o que sempre esteve comigo.

Meu chefe é um otário


Parece tão serio com essa cara de doutor,
um cara esperto,
um sabe tudo,
um fdp que não sorri,
que anda de olhos fechados,
porque só precisa olhar pra si.

Meu chefe é um otário,
o dono do chicote,
massacrando na servidão.
Meu chefe é um otário,
um hitler que não é general,
um qualquer pensando ser maioral.

Parece tão capaz com essa cara de intelectual,
o pica das galáxias,
o que tem a carta do jogo nas mãos,
pensando ser tão bom,
mas não passa de um cuzão.

Meu chefe é um otário,
o dono do chicote,
massacrando na servidão.
Meu chefe é um otário,
um hitler que não é general,
um qualquer pensando ser maioral.

Casa


Se estiver distante,
das palavras que só o olhar pode dizer,
então pense em tudo que já foi dito,
e no que ainda há de acontecer.
Porque os caminhos traçados,
seguem os passos daqueles,
que tateando indicam uma direção,
crianças emprestando seus brinquedos,
com segundas intenções.

Me diz quantos passos faltam,
para brincarmos de Deus,
inventando as teorias mais loucas,
os fanatismos mais tolos,
em busca de paz e respostas?

Você é Deus?
Um juíz ou algo parecido?
Me diga então se somos loucos.
Se estamos perdidos.
Se há luz no fim do túnel.
Ou se você é só mais um,
com as palavras certas,
para conquistar um povo que acredita em tudo.

Se estiver distante,
das lembranças do lar,
do cheiro de casa,
das risadas das crianças,
que não precisam ser escravas,
nas minas de carvão,
nos programas da televisão,
lembre que tudo vai passar,
e que logo estaremos em casa.

Amanhecer


Faltam poucos minutos,
para um novo dia,
em que muda tudo,
os sentimentos eternos,
e tudo o que planejamos,
sem saber que o amanhã é...

Infinito e intocável,
perfeito para os que sonham,
e real ao amanhecer,
enquanto nós brincamos,
de construir um mundo perfeito.

Você me pergunta quem eu sou,
com saudade de quem eu poderia ser pra você,
eu sou seus defeitos,
seus sapatos,
e os sonhos que você não realizou.

sábado, 19 de novembro de 2011

Como os que sonham


Uma garrafa quebrada,
que eu já não consigo juntar,
os cacos, os planos, o que sou,
e quem me dera saber quem sou.
Eu sinto tanta falta de você,
uma saudade absurda,
que quase me mata,
e com certeza me assusta.
É como se tudo que existe fosse insuficiente,
como se o coração que bate no tempo certo no meu peito,
logo, logo, fosse desfalecer.
É que eu te amo tanto,
e já faz tanto tempo,
que já me acostumei com o seu amor tão imenso.
É que eu lembro de tanta coisa,
das palavras que disse,
de tudo que já ouvi você dizer,
seja lá longe,
seja aqui perto,
seja em qualquer lugar.
Eu construí tantos pensamentos,
e eu deixaria toda essa cidade vazia,
só pra ir para o fim de tudo ao teu lado,
é que eu te amo como nunca amei ninguém,
e esse coração tão sujo em forma de pedra,
sempre que bate, almeja lá no fundo encontrar seu toque,
sua essência, seu louco amor.
Você é suficiente, e bem mais do que eu mereço,
se é que merecer pode fazer parte do meu vocabulário.

Vaidade


Sente do meu lado como se tivessémos nas mãos,
a eternidade ao nosso dispor,
vamos falar sobre as mentiras vendidas em rótulos de verdade,
vamos falar sobre nossa mania de comprar pela embalagem.
Será mesmo que isso tudo não é apenas um ensaio?
Eu não tenho dúvidas que Deus tem um senso de humor bem apurado,
mas nem por todos os motivos,
eu acreditaria que Deus teria um coração malvado,
que fere a fogo a bel prazer,
sem nos dar a oportunidade de fazer o mal a nós mesmos.
Os culpados não possuem espelhos,
não conseguem assumir,
não sentem seus pesares,
são podres há tempos que já não sentem seu fedor.
O sucesso é cultuado por qualquer alguém que valoriza,
o menos importante,
o mais fútil,
e nós forasteiros cometemos o mesmo erros,
como uma cultura estrangeira que nos engole com o passar do tempo,
a futilidade nos devorou.
Sente aqui do meu lado velho rei,
velho sábio,
o mais rico,
e se não te ofender...
Permita-me te chamar de o mais decepcionado.
Ninguém mais se lembra do lar,
do cheiro de poder estar em paz,
todos vivem numa maratona, uma correria que ninguém nunca chega em primeiro lugar.
Todos egoístas, pensando em sí mesmos,
culpando os outros, falando dos outros,
reis de suas próprias vidas,
é exatamente o que há tempos você viu debaixo do Sol?
Porque se for, a humanidade em nada mudou.
As duas filhas se multiplicaram,
e estão em cada canto da cidade,
consumindo nosso tempo, nossos sonhos,
nossa força,
e levando embora nossos grãos de mostarda,
e nesse exato momento em que conversamos,
já levaram todas as minhas lágrimas.
Os olhos secos só revelam o que você já viveu,
um tempo tão escasso,
que até aqueles que dizem adorar a Deus,
não o conhecem, e autoflagelam-se com conceitos humanos e tolos.
São os dias de antigamente como se fosse hoje,
é o mesmo Deus vendo o mesmo povo,
cometendo os mesmos erros,
e eu, um qualquer,
sentado ao lado de um antigo rei,
falando sobre um livro que o mesmo já escreveu,
e que resumindo tudo que disse,
apenas pode afirmar que tudo é vaidade,
tudo.

Eu fico por aqui


Eu sonhei com o amanhã,
e pude esquecer por alguns instantes,
as respostas que faltam,
os dias de hoje,
e as derrotas que ficaram para trás.

Era tão bom estar ao lado dos que não desistem,
que quase pude me sentir assim,
tão forte quanto aos que tentam,
e algum dia alcançarão seus sonhos.

Vá em frente velho amigo,
a vida é feita de altos e baixos,
e as cicatrizes dos dias difíceis,
só nos lembram de dar valor ao dias fáceis.

E eu...
Eu fico por aqui.
Eu fico por aqui.
Eu fico por aqui velho amigo.
Fico por aqui.

Eu toquei o irreal,
e pude sentir que meus pés sairam do chão,
sem medo de ter do que se arrepender,
a vida sem replay,
só vale a pena para os que não tem medo de viver.

Então mesmo que ao redor,
tudo seja silêncio e dor,
e a falta de saber o que fazer,
existirá um pódio esperando por você,
dos que tentam, dos que vencem,
no meu sonho eu via você.