sábado, 8 de outubro de 2011

Um gosto amargo


Quando foi que meu olhar deixou de brilhar
ao encontrar os seus planos se concretizando nos meus?
Você sabe que nunca os momentos foram tão reais,
deixo você tentar renascer como se fosse fácil,
e não espero que você tenha dificuldade,
só não quero que se esqueça,
que ainda fecho os olhos,
pensando em você.
Não sonho alto,
quem tem cicatrizes aprende a dor que é cair,
e eu que já ouvi falar que tudo te vai bem,
não poderia me sentir pior,
mas com um sorriso de quem se importa, mas consegue disfarçar,
eu desligo as lembranças,
com a esperança que realmente elas não venham me acordar.
Eu entenderia se o mundo fosse perfeito,
e se todo resto se esforçasse para parecer o que não é,
mas seu dom de me fazer sentir o que o mundo imperfeito não conhece,
me surpreende ao mesmo tempo que me faz ser quem eu sempre fui,
alguém que já não consegue desaprender a viver sem tudo que somos,
tudo que somos quando estamos juntos.
Eu tenho ainda as flores, já mortas,
as cartas, já ilegíveis,
e a história que não se completa por si só,
como meu corpo em dias frios esperando pelo calor do Sol.
Não lhe culpo pela dor,
não tenho por direito te dizer tudo que me falta,
ou tudo que poderia ter sido e se acabou,
mas não nego que odeio ter que amar tudo que se passou,
e o cansaço de quem tenta quase que em vão,
esquecer o que o tempo não consegue apagar.
Mas não acabou, ao menos dentro do mundo que você me deixou,
com seu cheiro, assinatura e os momentos eternos,
que em instantes trazem a saudade, as lágrimas vestidas de sorrisos,
e os goles amargos nesse copo cheio de qualquer coisa que entorpece
o que sinto, o que penso, o que sou,
de tudo aquilo que você deixou,
de tudo aquilo que restou.

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