domingo, 16 de outubro de 2011

A Eternidade não desafina


Fiz questão de evitar seus olhos
cheios de mágoas e silêncio,
transformados em lágrimas.
Somos o avesso dos planos de ontem,
rasgando sem saber o sonho de viver juntos o amanhã,
e que sejam por nossas besteiras,
que sejam por nossas tristes certezas.
As tempestades, por mais fortes que sejam,
não foram feitas para durar pra sempre,
e minha memória deixa de lado os erros cometidos,
como se fosse uma criança sem juízo,
que se joga no mar sem saber nadar.
Existiriam mil culpados se o crime não fosse amar,
mas em matéria de amor o único dever é amar
e o único direito é ser amado,
e se não for assim, alguém será condenado a se iludir,
pensando que não precisa de amor,
que não precisa amar,
e pensar assim é um crime inafiançável.
E alguém gritará "que me prendam"!
Sem nem notar que já está preso a tanto tempo.
Fiz questão de ouvir suas palavras em tom de acusação,
que desafinadamente ao meu ouvido chegam em tom de explicação,
você me faz provar cada um dos meus erros amargos,
e no meu peito apertado apenas consigo sentir o sabor das lembranças doces,
de estar do seu lado.
Fiz questão de segurar suas mãos,
mesmo enquanto você evitava olhar em meus olhos,
me alivia a dor saber que tudo é real,
porque o amor é uma dor que se prende com um nó na garganta,
transborda os olhos e parte em pedaços a história, a nossa história,
na esperança de juntar de um modo perfeito o que sempre deveria ter sido.
Nada fica para trás quando não se tem o dom de esquecer
os melhores momentos que alguém já pode viver,
e talvez seja esse o sentido do que é eterno,
e se esse for o fim, e o fim sempre chega,
foi eterno enquanto durou,
como já disse um antigo poeta,
e você estará em mim,
e eu estarei em você,
como uma lembrança, nos dias de Sol,
como uma dor, nos dias frios,
como um simples pensamento que as vezes irá surgir, e sempre surge,
de como poderia ter sido,
poderia, mas acabou.

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