quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A canção das flores


Os dias tristes
não sabem o que é acordar do seu lado,
não conhecem seu sorriso,
nem seu jeito de cantar desafinado.
As manhãs só acordam o Sol
quando encontram seus olhos castanhos,
o frio só existe pra sentir seu calor,
e se poemas são necessários,
eles serão feitos de eternas palavras,
que repetirão meu amor.

É quase novembro,
e as flores se jogam aos seus pés.
É um pouco do que consigo descrever,
e um amor que em silêncio,
se dedica todo a você.

Os dias cinzas,
não sabem as cores que destilam,
quando você diz me amar,
mesmo sem ter nada a dizer.
A felicidade só não é mais feliz,
porque nunca saboreou o prazer,
de andar de mãos dadas com você.
O mundo muda constantemente,
mas só foi criado um momento perfeito,
e parece que esse momento,
se torna eterno quando estou com você.

Conforto


Me sinto perdido,
longe do peito que bate acelerado quando me vê,
você grita: estarei sempre aqui.
Eu ouço minhas vontades,
cantando a canção do desespero.
Eu era a cura,
agora sou parte da doença,
que distorce as palavras doces,
o olhar de amor.
Me sinto como se soubesse as respostas necessárias
para o mundo,
logo hoje que consegui me convencer que faço parte
do rol dos piores do mundo.
Sim é a mais pura verdade,
nada é mais como eu pensei ser,
sim, acredite em mim,
nada é como pensei.
Eu me protegi contra os dragões,
salvei a princesa, defendi o castelo,
e fui ferido de morte,
pelo meu maior inimigo,
o meu jeito tolo de pensar ter vencido.
Todo o tempo do mundo ou poder voltar no tempo?
Quantas coisas eu teria pra mudar...
Quantas escolhas...
Como alguém que não aprendeu a desistir,
você me diz que tudo é possível ao que crer,
minha imunidade reage,
culpando ao resto do mundo por não crer,
por me fazer sofrer.
Se em tempos remotos,
um sábio e um dos mais sábios,
teve a sabedoria de dizer que tudo era vaidade,
eu, em toda minha burrice posso dizer,
que hoje tudo é futilidade,
amores pela metade,
palavras sem sinceridade,
sem a menor razão para existir,
para viver.
Então eu vejo seu olhar,
e de alguma forma me antecipo ao seu dizer,
e percebo que você é mais que tudo,
tudo que já tive, já fui, terei, serei.
E vou dormir,
mesmo sendo um dos mais errados,
vou dormir sendo amado,
como alguém que muito foi perdoado.
Afinal quais são as palavras que compõem o amor?
Sim...
É a falta do que responder,
que me prova o quanto você me ama,
e quanto eu tenho valor.

Insônia


Vai ser uma longa noite,
com o pensamento longe,
arrependimentos perto,
e muita coisa pra mudar.
Logo de manhã,
vai ser como uma brisa de domingo,
sem muito o que se preocupar,
sem muito assunto pra constar,
mas eu vou lembrar de tudo
que vale a pena,
e trarei uma âncora
pra presentear meu lado ranzinza,
ou como diriam,
meu lado frágil de ser rancoroso.
Mas vamos ver o lado bom
que todos têm,
todos, menos os que queremos que não tenham,
ou aqueles que nos fere o peito,
arranca os sonhos,
e levam embora toda paixão e amor dedicado.
Existe amor?
Mais certo que o calor do Sol,
ou tão certo como a saudade de quem perdeu quem tanto se amou!
Viva, sem precisar culpar alguém por não ter vivido,
porque a vida não aceita cheque pré-datado,
o pagamento é à vista,
e no final do prazo não existe saldo devedor.
Eu gosto dos que se misturam,
o puro é aquele iludido que acaba por se sentir superior,
te veio na lembrança tanta gente...
Eu sei...
Minha mente também vagou e numerou um tanto enorme de pessoas,
que não caberiam em um texto.
Eu gosto dos que não fazem sentido,
dos que correm atrás do sonho,
mesmo que sonhar seja pagar o preço de correr atrás,
sem nunca chegar em primeiro lugar.
Afinal estamos passeando
por essa vida cheia de futilidades e absurdos,
amores eternos e o que pensamos que vale a pena,
pensamos...
No final vendemos o que não tem preço,
já dizia meu favorito compositor,
por isso ao menos super valorize
o que você tem de bom,
e eu espero que o que você tenha de melhor
seja seu coração, seu sentimento,
e a vontade enorme de sonhar com um dia,
em que tudo será como um filme,
mesmo que esse filme seja um curta-metragem,
só por existir já vale o preço da entrada,
no cinema da sua vida.
Fico por aqui com minhas palavras repetidas,
sinônimos do que um dia já disse,
e cópias do que já disseram.

domingo, 16 de outubro de 2011

A Eternidade não desafina


Fiz questão de evitar seus olhos
cheios de mágoas e silêncio,
transformados em lágrimas.
Somos o avesso dos planos de ontem,
rasgando sem saber o sonho de viver juntos o amanhã,
e que sejam por nossas besteiras,
que sejam por nossas tristes certezas.
As tempestades, por mais fortes que sejam,
não foram feitas para durar pra sempre,
e minha memória deixa de lado os erros cometidos,
como se fosse uma criança sem juízo,
que se joga no mar sem saber nadar.
Existiriam mil culpados se o crime não fosse amar,
mas em matéria de amor o único dever é amar
e o único direito é ser amado,
e se não for assim, alguém será condenado a se iludir,
pensando que não precisa de amor,
que não precisa amar,
e pensar assim é um crime inafiançável.
E alguém gritará "que me prendam"!
Sem nem notar que já está preso a tanto tempo.
Fiz questão de ouvir suas palavras em tom de acusação,
que desafinadamente ao meu ouvido chegam em tom de explicação,
você me faz provar cada um dos meus erros amargos,
e no meu peito apertado apenas consigo sentir o sabor das lembranças doces,
de estar do seu lado.
Fiz questão de segurar suas mãos,
mesmo enquanto você evitava olhar em meus olhos,
me alivia a dor saber que tudo é real,
porque o amor é uma dor que se prende com um nó na garganta,
transborda os olhos e parte em pedaços a história, a nossa história,
na esperança de juntar de um modo perfeito o que sempre deveria ter sido.
Nada fica para trás quando não se tem o dom de esquecer
os melhores momentos que alguém já pode viver,
e talvez seja esse o sentido do que é eterno,
e se esse for o fim, e o fim sempre chega,
foi eterno enquanto durou,
como já disse um antigo poeta,
e você estará em mim,
e eu estarei em você,
como uma lembrança, nos dias de Sol,
como uma dor, nos dias frios,
como um simples pensamento que as vezes irá surgir, e sempre surge,
de como poderia ter sido,
poderia, mas acabou.

sábado, 8 de outubro de 2011

Um gosto amargo


Quando foi que meu olhar deixou de brilhar
ao encontrar os seus planos se concretizando nos meus?
Você sabe que nunca os momentos foram tão reais,
deixo você tentar renascer como se fosse fácil,
e não espero que você tenha dificuldade,
só não quero que se esqueça,
que ainda fecho os olhos,
pensando em você.
Não sonho alto,
quem tem cicatrizes aprende a dor que é cair,
e eu que já ouvi falar que tudo te vai bem,
não poderia me sentir pior,
mas com um sorriso de quem se importa, mas consegue disfarçar,
eu desligo as lembranças,
com a esperança que realmente elas não venham me acordar.
Eu entenderia se o mundo fosse perfeito,
e se todo resto se esforçasse para parecer o que não é,
mas seu dom de me fazer sentir o que o mundo imperfeito não conhece,
me surpreende ao mesmo tempo que me faz ser quem eu sempre fui,
alguém que já não consegue desaprender a viver sem tudo que somos,
tudo que somos quando estamos juntos.
Eu tenho ainda as flores, já mortas,
as cartas, já ilegíveis,
e a história que não se completa por si só,
como meu corpo em dias frios esperando pelo calor do Sol.
Não lhe culpo pela dor,
não tenho por direito te dizer tudo que me falta,
ou tudo que poderia ter sido e se acabou,
mas não nego que odeio ter que amar tudo que se passou,
e o cansaço de quem tenta quase que em vão,
esquecer o que o tempo não consegue apagar.
Mas não acabou, ao menos dentro do mundo que você me deixou,
com seu cheiro, assinatura e os momentos eternos,
que em instantes trazem a saudade, as lágrimas vestidas de sorrisos,
e os goles amargos nesse copo cheio de qualquer coisa que entorpece
o que sinto, o que penso, o que sou,
de tudo aquilo que você deixou,
de tudo aquilo que restou.