domingo, 3 de abril de 2011

Outono


Eu sussurrei para o Sol,
palavras de chuva,
a ventania dos que não se encontram,
dos que reclamam de tudo.
Vai acontecendo devagar,
uns diriam que são coisas da cabeça,
invenções de um desespero,
o suspiro dos que acordam de um pesadelo,
mas agora com todas as chaves na mão,
ela diz que não precisa de respostas.
Nem ao menos bateu a porta,
sem que ninguém notasse,
simplesmente foi embora,
me sobra ler o rótulo dessa bebida que de tão amarga,
prefiro dizer que não tem sabor.
Mais um fim chegou,
e logo outro recomeço chegará,
sem paciência deixamos de esperar,
deixamos um bilhete de papel pardo em nosso lugar,
afinal nada dura pra sempre,
foi o que ela sempre dizia em seu olhar.
Quanto tempo faz?
As farpas de tudo que dissemos deram lugar à flores,
e se antes o que havia entre a lembrança e a dor era casamento,
hoje só a lembrança me escreve cartas do que passou,
sem dor, ao menos sem nenhuma dor que eu seja capaz de sentir.
O outono chegou,
o Sol não acreditou em meus segredos,
e as palavras de chuva,
hoje molham meu rosto enquanto ando por aí,
me lembrando do que eu dizia com meu olhar,
que o que é eterno foi feito pra durar,
as palavras de chuva molham meu rosto,
me lembrando o que eu não quis escutar,
o seu olhar que dizia ao tom de uma velha canção,
"que o pra sempre, sempre acaba".

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