domingo, 17 de abril de 2011

Encontrei


Estamos quites.
Mentia pra mim mesmo,
meu pobre pensamento,
eu que perdido e inseguro,
me achava sendo o dono do mundo,
mas nem isso te afastou.
Eu tentei te esquecer,
quem poderia me culpar?
Não existem escolas que ensinem,
a ser amado de verdade,
ainda bem que você não desiste,
até diria que você me encontrou,
mas não se pode encontrar o que nunca perdeu.
Não sei quando te deixei,
não tenho noção do tempo que estive aqui,
trocando cacos de um coração de pedra,
por um punhado de orgulho de ouro.
Relembre.
Você me diz como se fosse fácil,
são fatos ou medalhas feitas de papelão?
Sou o que diz ou luto pra não te decepicionar?
Temos nossos segredos,
seguiremos cada qual pra seu lugar,
um filme que acaba sem final,
esperando a versão do diretor ou esperando o protagonista chegar?
Quem não perde não pode encontrar,
quem não se surpreende não pode se decepcionar,
você me diz sabendo que eu vou sorrir no fim.
Então posso dizer que eu te encontrei,
quando estava perdido e inseguro,
longe de mim e de tudo.
Eu te encontrei,
quando era cada um por si,
e todos por quem quiser.
Te encontrei,
encontrei,
rei.

A Dádiva de te ter aqui


Ninguém nunca vai saber os sonhos,
que se realizam quando abro meus olhos,
e te vejo aqui,
te vejo aqui sorrindo pra mim.
As frases sem cabimento,
as cores do universo,
o mais lindo pôr-do-Sol,
todos cantarão essa canção,
que canto em silêncio,
quando te tenho aqui.
Todos procuram um amor,
e eu tenho a dádiva de te ter.
Todos viveriam pela metate,
mas eu te peço por favor,
fique aqui,
fique aqui até a Lua virar Sol,
até essas palavras bobas,
se tornarem livros de palavras que se repetem,
implorando pra te ter aqui.
Minha casa é o calor do teu abraço,
ter seu beijo de bom dia,
é em que se resume ser feliz,
que seja eterno você sempre aqui.
Eu me perco ao te encontrar,
e essas palavras são tão mentirosas,
se você estiver distante,
que só você estando aqui,
e olhando a realidade em meu olhar pra saber,
que te ter aqui,
é o amor sem explicação,
assim como eu amo te ter aqui,
assim como eu amo a dádiva de te ter pra mim.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Teoria das mudanças


O silêncio quase sufoca,
eu usurpava dos sonhos,
a qualidade de ser sonhador,
hoje sou real,fato, quase frio.
Lembro bem das frases que inventei,
justificaram por muito tempo meus devaneios,
afinal tudo dura o tempo certo,
pelo menos é assim que penso,
quando penso em um Deus que não tem dúvidas,
e sabe exatamente onde tudo começou.
Eu costumava ser mais alegre,
não que me queixe,
recebi sem merecimento a dádiva de ter alguém,
e de ser de alguém ao mesmo tempo,
por falar em receber,
me vem a memória minha falta de agradecimento,
pela eternidade que virá,
pelos dias que vivi,
e pelo amor que recebi,
reforço ao dizer que foi sem nenhum merecimento.
Persistência era uma opção certa,
quando eu discursava sobre minhas atribuições,
hoje com o adoecer da esperança,
eu desisto mais rápido,
simplesmente por não acreditar em mudanças,
quanto ao sistema, circunstâncias e pessoas,
pessoas que já não me surpreendem,
logo não me decepcionam,
no fundo do que restou do que um dia fui,
eu acredito sim,
acredito que eu não perdi as esperanças nos outros e no mundo,
apenas não tenho grandes expectativas.
As coisas são de época, uns diriam até que são de "Lua",
outrora a verdade machucava,
hoje a lisonja é sinônimo da verdade,
lembro-me como se fosse ontem,
que tudo era simples pra quem tinha fé,
hoje tudo continua sendo simples, só que, para os que tem dinheiro,
mas como disse antes, as coisas são de época,
antes Deus não se vendia,
hoje Ele ainda não se vende,
mas tem aqueles que o façam.
Como era bom antigamente,
a coluna não doía,
matar aula era a maior batalha da preguiça,
e tudo que eu quisesse ser, eu poderia,
vai parecer clichê, pois continuará na rima,
mas tudo que eu escrevo aqui não tem nenhum sentimento de nostalgia,
é apenas uma teoria,
a teoria das mudanças,
do que foi, do que é e do que será,
com uma pitada de como seria.

domingo, 10 de abril de 2011

Ainda não consigo expressar


Acho que às vezes deveríamos correr,
ir para algum lugar fora da estrada,
onde o Sol deixe seu olhar com cores,
que só daqui a mil anos irão inventar.
Mas pra isso é preciso deixar de olhar ao redor,
não se importar com os que vivem a vida alheia,
que fazem pra si conceitos que os aprisionam em suas próprias teias,
os fantasmas esquecidos,
que abarrotam o porão de nossas vidas.
Sim, todos precisam dar sua opinião,
encontrar algum lugar, mesmo até, que esse seja lugar nenhum,
afinal no país dos sorrisos fingidos,
quem não sorri não é feliz,
e se soubéssemos o que é felicidade,
mais do que um estado,
mais até do que uma palavra com descrição no dicionário.
Acho que o fim está tão perto,
e ao mesmo tempo distante,
são fantasmas esquecidos em nossa estante,
que mudam as cores do cenário,
e logo nos convencem que é novidade.
Quem sabe essas notícias no jornal,
não sejam parte de uma grande mentira,
que amanhã quando acordarmos veremos,
que perdemos quase tudo o que somos,
mas guardamos a convicção,
guardamos o motivo que nos faz acreditar,
que um dia tudo estará em seu devido lugar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Durmam bem (Homenagem a todas as vítimas do atentado no RJ)


Hoje eu acordei,
chorando de tudo.
Hoje eu acordei,
sentindo as dores do mundo.
E na minha tv, retratos desse absurdo,
o ser humano em seu lado mais obscuro.

Durmam bem, nossas criançinhas.

Hoje eu acordei,
sentindo a dor de um pai,
que perde seu filho,
para o "nunca mais".
Hoje eu acordei,
com lágrimas de mãe,
que perde sua filha,
e implora pra que o tempo volte atrás.

domingo, 3 de abril de 2011

Gosto tanto


Gosto de lembrar do seu sorriso,
de quando conversávamos por horas à fio,
dos conselhos de um pai,
do ombro de um amigo,
do carinho que eu nunca tive,
das coisas que o mundo trata como fatos sem sentido.
Gosto do cheiro da felicidade,
aquele que sentem os que podem acordar te agradecendo,
que são felizes por ter sua fidelidade e misericórdia.
Gosto do som da sua voz,
que não precisa de melodia,
que pouco se importa com notas musicais,
gosto do som da sua risada,
rindo do meu desespero de criança que não sabe o que fazer,
o som da sua voz me dizendo que o que eu sonho eu não vou alcançar,
mas isso será bom pra mim e eu entenderei lá no fim.
Gosto da sua sinceridade,
me chamando de bonito quando experimento roupas frente ao espelho,
ou quem sabe me dizendo que eu desisto muito fácil de tudo,
e que eu deveria dar uma chance pra mim mesmo,
e resolver acreditar mais nos outros.
Gosto e ao mesmo tempo tenho medo do seu silêncio,
é que me sinto sozinho sem seu senso de humor,
ou até mesmo seu conforto depois que acordo de um pesadelo,
eu gosto de te amar muito mesmo,
de um jeito pobre, indevido e carente,
mas te amar daqui pra sempre ou se posso arriscar, desde sempre.
Gosto de tudo em você,
mas além de gostar, eu amo sua persistência em não me deixar ficar longe,
longe de Ti.

Outono


Eu sussurrei para o Sol,
palavras de chuva,
a ventania dos que não se encontram,
dos que reclamam de tudo.
Vai acontecendo devagar,
uns diriam que são coisas da cabeça,
invenções de um desespero,
o suspiro dos que acordam de um pesadelo,
mas agora com todas as chaves na mão,
ela diz que não precisa de respostas.
Nem ao menos bateu a porta,
sem que ninguém notasse,
simplesmente foi embora,
me sobra ler o rótulo dessa bebida que de tão amarga,
prefiro dizer que não tem sabor.
Mais um fim chegou,
e logo outro recomeço chegará,
sem paciência deixamos de esperar,
deixamos um bilhete de papel pardo em nosso lugar,
afinal nada dura pra sempre,
foi o que ela sempre dizia em seu olhar.
Quanto tempo faz?
As farpas de tudo que dissemos deram lugar à flores,
e se antes o que havia entre a lembrança e a dor era casamento,
hoje só a lembrança me escreve cartas do que passou,
sem dor, ao menos sem nenhuma dor que eu seja capaz de sentir.
O outono chegou,
o Sol não acreditou em meus segredos,
e as palavras de chuva,
hoje molham meu rosto enquanto ando por aí,
me lembrando do que eu dizia com meu olhar,
que o que é eterno foi feito pra durar,
as palavras de chuva molham meu rosto,
me lembrando o que eu não quis escutar,
o seu olhar que dizia ao tom de uma velha canção,
"que o pra sempre, sempre acaba".