quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Relativo


Somos seres pela metade,
buscamos algo que se encaixe,
e nossos olhos fixos no céu,
denunciam a esperança que temos,
de que haja mais que nuvens,
mais que essa chuva que não passa.
O caos só proporciona um momento de alívio,
mas só consegue sentir os que tem o dom do silêncio,
e enquanto os sábios de um mundo louco usam os pronomes pessoais me, mim, comigo,
os loucos de um mundo "são" continuam trocando verbos por ações.
Falham as segundas chances,
adormecem as boas inteções,
a fagulha de hoje nada mais é que o incêndio de amanhã,
e se existem coisas que o dinheiro não compra,
deixaram de nos mostrar.
O fim que antes era justificado pelos meios,
hoje já não precisa de justificativa,
nossos erros hasteiam a bandeira de tudo que é relativo,
logo nada é tão certo que não possa estar errado,
e nada é tão errado que não possa estar certo.
Segue sem titubear os ponteiros do relógio,
marcando as horas e minutos por anos à fio,
e nos falta mesmo assim, tempo para admitirmos,
que sentimos falta de viver cada momento,
isso mesmo... momento... aquela menor fração do tempo,
sentimos falta dos momentos em que o mais importante é não fazer nada,
mesmo que isso já seja fazer alguma coisa,
mas todos nós entendemos a indústria do consumismo,
que ter é mais importante do que ser,
isso é indubitavelmente indiscutível,
porém quando isso começou a acontecer,
isso eu não me lembro.
Uma bala deixa seu rastro no céu escuro,
que era palco das estrelas,
o sangue escorre no jardim,
que era palco das flores,
e o desconforto borra o papel,
que era palco da poesia,
tempos que mudam, seres que se adaptam,
valores que se perdem.
O tempo nos deixou escolher,
e fizemos as escolhas erradas,
mesmo tendo a justificativa do relativismo.
Resta-nos agora simplesmente aprender,
que entre ter e ser, devemos ser absolutos,
resta-nos acreditar que o mais simples é a escolha certa,
mesmo sendo um absurdo.

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