segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Funeral da esperança


Nem deixou um bilhete suicida,
foi embora sem se despedir da vida,
não há rastro de pão na trilha,
quem diria que seria assim que tudo acabaria,
uma história mal escrita,
um copo de whisky que entorpece a mente,
a vida em uma noite fria.
Nossos pais não estavam errados,
quanto aos nossos defeitos,
todos compram valores invertidos,
na loja de pecados enrustidos,
e vemos em fração de segundos,
reis que erguem reinos de si mesmos,
e pensar se tornou objeto que entope os ralos,
e se junta aos sonhos que abarrotam o lixo.
Todos em suas roupas pretas,
tentando homenagear com frases decoradas,
alguém que já não pode escutar,
algumas lágrimas ensaiadas,
um aplauso a mais se aproxima,
quando chega mais um que desistiu.
Agora é o silêncio, a ilusão,
e o teatro que todos já conhecem o final,
mas não se espante não existe um ideal,
só tentativas que supõe encontrar a raíz de todo mal.
Consegue ainda deixar seu perfume no ar,
a lembrança consegue trazer o tom de sua voz,
mas todos querem um pouco mais de esperança,
e não presenciar este cortejo,
que nos leva a seu próprio funeral.
Se era a última a morrer,
porque nos trazer a tona,
o fato de que estamos mortos a tanto tempo?
Porque não deixar um bilhete nos dizendo o que fazer?
Levou consigo as respostas,
e nos deixou as perguntas,
de um mundo governado pelo desespero,
que recusa heróis,
e não reconhece seus defeitos.

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