quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Delírio


Hoje deixei o mundo de lado,
não fui trabalhar,
fiquei dormindo até tarde,
como alguém que tem coragem,
para ser parte do essencial,
e tudo que é essencial é invisível,
para quem tenta ver ao invés de respirar.

A razão das tristezas,
é não desistir de tudo que ficou pra trás,
como um corpo que resiste as surras,
e que se cai...
já sabe a força necessária para se levantar.

Faz sentido ser delirante,
se a luz no fim do túnel se apagou.
Sonhar acordado,
deixar esse mundo em pedaços,
pra quem nunca sonhou,
para todos que plantam a rotina,
e nos forçam a colher.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Você tem mesmo que ir?


A porta se fechou com o vento,
ela disse estar tudo bem,
e nunca mais voltou,
como as canções que não ouvimos até o fim.
Eu me sentia tão perdido,
tatuadas em minhas mãos todas as respostas,
só me resta as coisas que não fiz,
e a única pergunta que podia lhe fazer.
Você tem mesmo que ir?
Acendia o Sol e você despertava sorrindo,
diferente do cinza que atormenta,
os que não querem se despedir.
Essa ligação é pra gritar seus defeitos,
esquecer dos seus bons feitos,
e fingir que desculpas não são necessárias,
e também te perguntar.
Você tem mesmo que ir?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Viver


Pensei que eram gotas de cansaço,
mas são rios de tristeza,
levando planos em barcos de papel,
não se preocupe se faltar o sono,
a viagem deve ser turbulenta.
Toda vez que me esforço pra lembrar,
do tempo em que a dificuldade era apenas...
Apenas a obra prima...
E hoje borra nossas vidas derramando nosso tempo,
então admito um Deus distante.
Meu sorriso é a saudade,
do que suponho um dia fazer,
pés descalços, corpo descansado,
admirando as cicatrizes,
que só quem vive é digno de ter.
Porque difícil é ter que viver uma vida sem tentativas,
sem se saciar da desistência,
sem saborear o realizar.
Não se trata do mundo inteiro,
se trata do que os olhos não podem ver,
é estar por inteiro, nem que isso dure poucos momentos,
e isso não significa chegar em primeiro lugar,
felicidade é ter o nome escrito na lista de presença,
e poder ter toda a certeza que você esteve lá,
durante toda a vida, durante segundos,
durante o tempo que foi lhe dado para estar.
Meu sorriso é vontade,
do que suponho um dia dizer,
"o mundo se preocupa demais,
o mais importante não aparece na tv,
e eu apenas vivi tudo que me foi dado pra viver."

domingo, 11 de dezembro de 2011

Aprendi tão pouco


Eu nunca soube como implorar,
você sempre admirou os espinhos,
me ensinando que o todo não se resume em flores.
Como eu pude te dizer palavras lindas,
em tom de despedida?
Se só você me fazia me sentir vivo novamente.
Eu nunca me apeguei as horas que se vão,
você ao esquecer meus erros,
me pediu pra não eternizar o que é passageiro.
Como eu pude me sentir sozinho,
se você nunca me abandonou?
Se só você me fazia me sentir vivo novamente.
Quando eu finjo saber tudo,
as histórias que você me conta,
revelam que tenho muito a aprender.
Como eu tive forças pra carregar meus próprios erros,
achando que carregava o mundo?
Como eu testei seu amor,
como se o amor pudesse ser medido?
Sua mão me guia para casa,
eu era tão mais feliz quando desconhecia os atalhos,
quando caminhar com minhas próprias pernas,
era tropeçar a cada passo dado,
hoje corro sem me importar se é o caminho errado.
A sinceridade frustra,
tanto quanto meu sentido é delirante,
sinônimo de perder tempo,
é reclamação,
e eu tenho perdido tanto tempo,
como alguém que planta sem querer colher,
como alguém que esqueceu a lição.
Como pude crescer tanto,
se ser louco era ser o mais sábio,
em um reino em que os príncipes eram crianças?
Como pude me achar livre,
vivendo como se fosse alguém que tem todas as respostas,
se só você me faz me sentir vivo novamente?

A ladeira


Já não consigo acordar tarde,
troco meus dias de folga,
por um corpo cansado,
pés que caminham hoje,
para alcançar o amanhã.
Se era sorriso nos resta a dificuldade,
o suor que nos arde os olhos,
o chegar em casa já dormindo,
a brisa sussurrada que nada mais é
que um alívio imediato.
Quando chove sabe-se lá,
se é um carinho ou um desatino,
um presente de Deus que nos molha como um agrado,
ou se é a tortura de trilhar um caminho escolhido.
Bem lá do alto a cidade que não venta,
e lá embaixo a alma que não quer seguir a pele queimada,
mas que por obrigação não se permite desistir.
O privilégio da descida é uma dádiva admirada por poucos,
uma árvore no canto do caminho é um oásis,
e cada gota que cai da garrafa com água congelada,
evapora antes de tocar a sede que me mata.
Eu não nasci para o acidente,
para ser o que der,
nem me apego ao que se passa,
afinal o que não foi não é.
Não sei medir as consequências das tentativas,
e me falta o medo necessário pra ficar parado,
sem sonhar, sem tentar,
mesmo que tentar não signifique conseguir,
e mesmo que conseguir signifique poder desistir.

sábado, 26 de novembro de 2011

Ruínas


Não quero inventar palavras,
que sejam bonitas, que rimam,
ou até me convençam que eu...
Posso te convencer.

Está tudo caíndo em ruínas,
tudo se cumprindo como deveria ser,
o amor esfriando,
os mestres de si ensinando sobre um Deus,
que dizem ser você.

Não quero a hipocresia,
que pratico todo dia,
a sabedoria que me engana,
ou até mesmo que me convence que eu...
Posso te convencer.

Uma menina


Como alguém que se distrai,
ela fica desenhando nuvens,
esperando alguém que penteie seus cabelos,
apenas uma menina,
esperando uma carta de um amor inventado.
O vento que sopra do sul e afasta o calor,
é quase um beijo pra quem mora no vale,
e ela voa como uma flor no vento,
esperando cair no jardim certo.
Apenas uma menina,
com suas bonecas,
brincando de um mundo perfeito.
Quantas letras são necessárias,
para formar uma frase de amor?
Quanto sentido é preciso,
para deixar de ser ideal?
Apenas uma menina,
usando seus lápis coloridos,
esboçando seu final feliz,
seu príncipe,
e seu filme favorito.
Como alguém que se distrai,
sem notar que o tempo é o carrasco mais cruel,
que não gosta de crianças,
que passam a vida inteira,
brincando de casinha,
ela tenta acreditar que o romantismo da imaginação,
é mais importante,
do que a vida real.
Mas ela é apenas uma menina,
que espera do mundo,
espera de todos,
espera um amor,
e esperando se distrai,
enquanto a vida real vai passando sem ela notar.

Eu sempre tive um Pai


Eu tinha apenas sete anos,
sei lá o que eu sabia sobre o mundo,
sobre como tudo funcionava,
o que era ser só. Ter um vício.
Ser um pai.
Tanto tempo sem aparecer,
sem um telefonema,
sem um presente de natal,
sem ao menos um eu te amo dito da boca pra fora.
Mas lá estava ele,
sete anos depois de ter deixado uma família pra trás,
estava sentado no chão,
sem ter o domínio de si,
sem forças pra se levantar,
sem a sobriedade necessária para se expressar.
Quem iria culpar uma criança que tem vergonha do próprio pai?
Eu tinha apenas dezoito anos,
pensava que acreditar nas pessoas era ser sincero,
comigo e com o mundo inteiro,
pensava que já tinha o domínio de algumas lições,
que uma segunda chance se faz necessária,
quando o perdão é a única ponte que nos traz paz,
traz a certeza, traz um pai.
Mas eu pensava em coisas demais,
fui roubado como alguém que entrega a senha, o tesouro,
e de si todo o mais.
Quem iria culpar a mesma criança que tem vergonha do próprio pai?
Eu tinha uma vida inteira pela frente,
errava como um qualquer,
acertava como qualquer um,
tinha sonhos, tinha planos,
magoei milhares, fiz sorrir poucos milhões,
tinha lá meus dez dons, e mais de mil pedras nas mãos,
tinha os conceitos, era um preconceitoso e egoísta,
e mesmo assim era amado,
um amor que se apega as coisas simples,
que valoriza cada detalhe,
que ouvia minhas lágrimas quando a voz faltava.
Quem poderia culpar essa criança de ter vergonha de si mesma?
Eu tenho apenas vinte e cinco anos,
conto nos dedos da mão, os amigos,
incontáveis feridas,
importantes desafios,
e um abrigo,
apenas um pai,
o que sempre esteve comigo.

Meu chefe é um otário


Parece tão serio com essa cara de doutor,
um cara esperto,
um sabe tudo,
um fdp que não sorri,
que anda de olhos fechados,
porque só precisa olhar pra si.

Meu chefe é um otário,
o dono do chicote,
massacrando na servidão.
Meu chefe é um otário,
um hitler que não é general,
um qualquer pensando ser maioral.

Parece tão capaz com essa cara de intelectual,
o pica das galáxias,
o que tem a carta do jogo nas mãos,
pensando ser tão bom,
mas não passa de um cuzão.

Meu chefe é um otário,
o dono do chicote,
massacrando na servidão.
Meu chefe é um otário,
um hitler que não é general,
um qualquer pensando ser maioral.

Casa


Se estiver distante,
das palavras que só o olhar pode dizer,
então pense em tudo que já foi dito,
e no que ainda há de acontecer.
Porque os caminhos traçados,
seguem os passos daqueles,
que tateando indicam uma direção,
crianças emprestando seus brinquedos,
com segundas intenções.

Me diz quantos passos faltam,
para brincarmos de Deus,
inventando as teorias mais loucas,
os fanatismos mais tolos,
em busca de paz e respostas?

Você é Deus?
Um juíz ou algo parecido?
Me diga então se somos loucos.
Se estamos perdidos.
Se há luz no fim do túnel.
Ou se você é só mais um,
com as palavras certas,
para conquistar um povo que acredita em tudo.

Se estiver distante,
das lembranças do lar,
do cheiro de casa,
das risadas das crianças,
que não precisam ser escravas,
nas minas de carvão,
nos programas da televisão,
lembre que tudo vai passar,
e que logo estaremos em casa.

Amanhecer


Faltam poucos minutos,
para um novo dia,
em que muda tudo,
os sentimentos eternos,
e tudo o que planejamos,
sem saber que o amanhã é...

Infinito e intocável,
perfeito para os que sonham,
e real ao amanhecer,
enquanto nós brincamos,
de construir um mundo perfeito.

Você me pergunta quem eu sou,
com saudade de quem eu poderia ser pra você,
eu sou seus defeitos,
seus sapatos,
e os sonhos que você não realizou.

sábado, 19 de novembro de 2011

Como os que sonham


Uma garrafa quebrada,
que eu já não consigo juntar,
os cacos, os planos, o que sou,
e quem me dera saber quem sou.
Eu sinto tanta falta de você,
uma saudade absurda,
que quase me mata,
e com certeza me assusta.
É como se tudo que existe fosse insuficiente,
como se o coração que bate no tempo certo no meu peito,
logo, logo, fosse desfalecer.
É que eu te amo tanto,
e já faz tanto tempo,
que já me acostumei com o seu amor tão imenso.
É que eu lembro de tanta coisa,
das palavras que disse,
de tudo que já ouvi você dizer,
seja lá longe,
seja aqui perto,
seja em qualquer lugar.
Eu construí tantos pensamentos,
e eu deixaria toda essa cidade vazia,
só pra ir para o fim de tudo ao teu lado,
é que eu te amo como nunca amei ninguém,
e esse coração tão sujo em forma de pedra,
sempre que bate, almeja lá no fundo encontrar seu toque,
sua essência, seu louco amor.
Você é suficiente, e bem mais do que eu mereço,
se é que merecer pode fazer parte do meu vocabulário.

Vaidade


Sente do meu lado como se tivessémos nas mãos,
a eternidade ao nosso dispor,
vamos falar sobre as mentiras vendidas em rótulos de verdade,
vamos falar sobre nossa mania de comprar pela embalagem.
Será mesmo que isso tudo não é apenas um ensaio?
Eu não tenho dúvidas que Deus tem um senso de humor bem apurado,
mas nem por todos os motivos,
eu acreditaria que Deus teria um coração malvado,
que fere a fogo a bel prazer,
sem nos dar a oportunidade de fazer o mal a nós mesmos.
Os culpados não possuem espelhos,
não conseguem assumir,
não sentem seus pesares,
são podres há tempos que já não sentem seu fedor.
O sucesso é cultuado por qualquer alguém que valoriza,
o menos importante,
o mais fútil,
e nós forasteiros cometemos o mesmo erros,
como uma cultura estrangeira que nos engole com o passar do tempo,
a futilidade nos devorou.
Sente aqui do meu lado velho rei,
velho sábio,
o mais rico,
e se não te ofender...
Permita-me te chamar de o mais decepcionado.
Ninguém mais se lembra do lar,
do cheiro de poder estar em paz,
todos vivem numa maratona, uma correria que ninguém nunca chega em primeiro lugar.
Todos egoístas, pensando em sí mesmos,
culpando os outros, falando dos outros,
reis de suas próprias vidas,
é exatamente o que há tempos você viu debaixo do Sol?
Porque se for, a humanidade em nada mudou.
As duas filhas se multiplicaram,
e estão em cada canto da cidade,
consumindo nosso tempo, nossos sonhos,
nossa força,
e levando embora nossos grãos de mostarda,
e nesse exato momento em que conversamos,
já levaram todas as minhas lágrimas.
Os olhos secos só revelam o que você já viveu,
um tempo tão escasso,
que até aqueles que dizem adorar a Deus,
não o conhecem, e autoflagelam-se com conceitos humanos e tolos.
São os dias de antigamente como se fosse hoje,
é o mesmo Deus vendo o mesmo povo,
cometendo os mesmos erros,
e eu, um qualquer,
sentado ao lado de um antigo rei,
falando sobre um livro que o mesmo já escreveu,
e que resumindo tudo que disse,
apenas pode afirmar que tudo é vaidade,
tudo.

Eu fico por aqui


Eu sonhei com o amanhã,
e pude esquecer por alguns instantes,
as respostas que faltam,
os dias de hoje,
e as derrotas que ficaram para trás.

Era tão bom estar ao lado dos que não desistem,
que quase pude me sentir assim,
tão forte quanto aos que tentam,
e algum dia alcançarão seus sonhos.

Vá em frente velho amigo,
a vida é feita de altos e baixos,
e as cicatrizes dos dias difíceis,
só nos lembram de dar valor ao dias fáceis.

E eu...
Eu fico por aqui.
Eu fico por aqui.
Eu fico por aqui velho amigo.
Fico por aqui.

Eu toquei o irreal,
e pude sentir que meus pés sairam do chão,
sem medo de ter do que se arrepender,
a vida sem replay,
só vale a pena para os que não tem medo de viver.

Então mesmo que ao redor,
tudo seja silêncio e dor,
e a falta de saber o que fazer,
existirá um pódio esperando por você,
dos que tentam, dos que vencem,
no meu sonho eu via você.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A canção das flores


Os dias tristes
não sabem o que é acordar do seu lado,
não conhecem seu sorriso,
nem seu jeito de cantar desafinado.
As manhãs só acordam o Sol
quando encontram seus olhos castanhos,
o frio só existe pra sentir seu calor,
e se poemas são necessários,
eles serão feitos de eternas palavras,
que repetirão meu amor.

É quase novembro,
e as flores se jogam aos seus pés.
É um pouco do que consigo descrever,
e um amor que em silêncio,
se dedica todo a você.

Os dias cinzas,
não sabem as cores que destilam,
quando você diz me amar,
mesmo sem ter nada a dizer.
A felicidade só não é mais feliz,
porque nunca saboreou o prazer,
de andar de mãos dadas com você.
O mundo muda constantemente,
mas só foi criado um momento perfeito,
e parece que esse momento,
se torna eterno quando estou com você.

Conforto


Me sinto perdido,
longe do peito que bate acelerado quando me vê,
você grita: estarei sempre aqui.
Eu ouço minhas vontades,
cantando a canção do desespero.
Eu era a cura,
agora sou parte da doença,
que distorce as palavras doces,
o olhar de amor.
Me sinto como se soubesse as respostas necessárias
para o mundo,
logo hoje que consegui me convencer que faço parte
do rol dos piores do mundo.
Sim é a mais pura verdade,
nada é mais como eu pensei ser,
sim, acredite em mim,
nada é como pensei.
Eu me protegi contra os dragões,
salvei a princesa, defendi o castelo,
e fui ferido de morte,
pelo meu maior inimigo,
o meu jeito tolo de pensar ter vencido.
Todo o tempo do mundo ou poder voltar no tempo?
Quantas coisas eu teria pra mudar...
Quantas escolhas...
Como alguém que não aprendeu a desistir,
você me diz que tudo é possível ao que crer,
minha imunidade reage,
culpando ao resto do mundo por não crer,
por me fazer sofrer.
Se em tempos remotos,
um sábio e um dos mais sábios,
teve a sabedoria de dizer que tudo era vaidade,
eu, em toda minha burrice posso dizer,
que hoje tudo é futilidade,
amores pela metade,
palavras sem sinceridade,
sem a menor razão para existir,
para viver.
Então eu vejo seu olhar,
e de alguma forma me antecipo ao seu dizer,
e percebo que você é mais que tudo,
tudo que já tive, já fui, terei, serei.
E vou dormir,
mesmo sendo um dos mais errados,
vou dormir sendo amado,
como alguém que muito foi perdoado.
Afinal quais são as palavras que compõem o amor?
Sim...
É a falta do que responder,
que me prova o quanto você me ama,
e quanto eu tenho valor.

Insônia


Vai ser uma longa noite,
com o pensamento longe,
arrependimentos perto,
e muita coisa pra mudar.
Logo de manhã,
vai ser como uma brisa de domingo,
sem muito o que se preocupar,
sem muito assunto pra constar,
mas eu vou lembrar de tudo
que vale a pena,
e trarei uma âncora
pra presentear meu lado ranzinza,
ou como diriam,
meu lado frágil de ser rancoroso.
Mas vamos ver o lado bom
que todos têm,
todos, menos os que queremos que não tenham,
ou aqueles que nos fere o peito,
arranca os sonhos,
e levam embora toda paixão e amor dedicado.
Existe amor?
Mais certo que o calor do Sol,
ou tão certo como a saudade de quem perdeu quem tanto se amou!
Viva, sem precisar culpar alguém por não ter vivido,
porque a vida não aceita cheque pré-datado,
o pagamento é à vista,
e no final do prazo não existe saldo devedor.
Eu gosto dos que se misturam,
o puro é aquele iludido que acaba por se sentir superior,
te veio na lembrança tanta gente...
Eu sei...
Minha mente também vagou e numerou um tanto enorme de pessoas,
que não caberiam em um texto.
Eu gosto dos que não fazem sentido,
dos que correm atrás do sonho,
mesmo que sonhar seja pagar o preço de correr atrás,
sem nunca chegar em primeiro lugar.
Afinal estamos passeando
por essa vida cheia de futilidades e absurdos,
amores eternos e o que pensamos que vale a pena,
pensamos...
No final vendemos o que não tem preço,
já dizia meu favorito compositor,
por isso ao menos super valorize
o que você tem de bom,
e eu espero que o que você tenha de melhor
seja seu coração, seu sentimento,
e a vontade enorme de sonhar com um dia,
em que tudo será como um filme,
mesmo que esse filme seja um curta-metragem,
só por existir já vale o preço da entrada,
no cinema da sua vida.
Fico por aqui com minhas palavras repetidas,
sinônimos do que um dia já disse,
e cópias do que já disseram.

domingo, 16 de outubro de 2011

A Eternidade não desafina


Fiz questão de evitar seus olhos
cheios de mágoas e silêncio,
transformados em lágrimas.
Somos o avesso dos planos de ontem,
rasgando sem saber o sonho de viver juntos o amanhã,
e que sejam por nossas besteiras,
que sejam por nossas tristes certezas.
As tempestades, por mais fortes que sejam,
não foram feitas para durar pra sempre,
e minha memória deixa de lado os erros cometidos,
como se fosse uma criança sem juízo,
que se joga no mar sem saber nadar.
Existiriam mil culpados se o crime não fosse amar,
mas em matéria de amor o único dever é amar
e o único direito é ser amado,
e se não for assim, alguém será condenado a se iludir,
pensando que não precisa de amor,
que não precisa amar,
e pensar assim é um crime inafiançável.
E alguém gritará "que me prendam"!
Sem nem notar que já está preso a tanto tempo.
Fiz questão de ouvir suas palavras em tom de acusação,
que desafinadamente ao meu ouvido chegam em tom de explicação,
você me faz provar cada um dos meus erros amargos,
e no meu peito apertado apenas consigo sentir o sabor das lembranças doces,
de estar do seu lado.
Fiz questão de segurar suas mãos,
mesmo enquanto você evitava olhar em meus olhos,
me alivia a dor saber que tudo é real,
porque o amor é uma dor que se prende com um nó na garganta,
transborda os olhos e parte em pedaços a história, a nossa história,
na esperança de juntar de um modo perfeito o que sempre deveria ter sido.
Nada fica para trás quando não se tem o dom de esquecer
os melhores momentos que alguém já pode viver,
e talvez seja esse o sentido do que é eterno,
e se esse for o fim, e o fim sempre chega,
foi eterno enquanto durou,
como já disse um antigo poeta,
e você estará em mim,
e eu estarei em você,
como uma lembrança, nos dias de Sol,
como uma dor, nos dias frios,
como um simples pensamento que as vezes irá surgir, e sempre surge,
de como poderia ter sido,
poderia, mas acabou.

sábado, 8 de outubro de 2011

Um gosto amargo


Quando foi que meu olhar deixou de brilhar
ao encontrar os seus planos se concretizando nos meus?
Você sabe que nunca os momentos foram tão reais,
deixo você tentar renascer como se fosse fácil,
e não espero que você tenha dificuldade,
só não quero que se esqueça,
que ainda fecho os olhos,
pensando em você.
Não sonho alto,
quem tem cicatrizes aprende a dor que é cair,
e eu que já ouvi falar que tudo te vai bem,
não poderia me sentir pior,
mas com um sorriso de quem se importa, mas consegue disfarçar,
eu desligo as lembranças,
com a esperança que realmente elas não venham me acordar.
Eu entenderia se o mundo fosse perfeito,
e se todo resto se esforçasse para parecer o que não é,
mas seu dom de me fazer sentir o que o mundo imperfeito não conhece,
me surpreende ao mesmo tempo que me faz ser quem eu sempre fui,
alguém que já não consegue desaprender a viver sem tudo que somos,
tudo que somos quando estamos juntos.
Eu tenho ainda as flores, já mortas,
as cartas, já ilegíveis,
e a história que não se completa por si só,
como meu corpo em dias frios esperando pelo calor do Sol.
Não lhe culpo pela dor,
não tenho por direito te dizer tudo que me falta,
ou tudo que poderia ter sido e se acabou,
mas não nego que odeio ter que amar tudo que se passou,
e o cansaço de quem tenta quase que em vão,
esquecer o que o tempo não consegue apagar.
Mas não acabou, ao menos dentro do mundo que você me deixou,
com seu cheiro, assinatura e os momentos eternos,
que em instantes trazem a saudade, as lágrimas vestidas de sorrisos,
e os goles amargos nesse copo cheio de qualquer coisa que entorpece
o que sinto, o que penso, o que sou,
de tudo aquilo que você deixou,
de tudo aquilo que restou.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Colisão


Não existem mundos parecidos,
que não venham colidir,
as palavras são telhados no vendaval.
Você me fala sobre mudanças,
eu estou convencido,
de que quem precisa mudar é você.
Quais as cores de um mundo perfeito?
E se chover não borraria tal perfeição?
Então esse é o som das lágrimas caindo no chão,
não que não me importe,
mas não existe truques,
que evitem uma colisão.
Diga o que quiser,
todos os mundos estão.
Seja como for,
todos os mundos estão,
em rota de colisão.
Não existem janelas que resistam,
os segredos guardados,
não podem ser protegidos.
Você tenta sem sucesso,
o silêncio cala a discussão,
mas não tem como evitar uma colisão.




Achados e perdidos


Não olhe em meus olhos, ficarei tímido,
e as palavras de agora não acontecerão.
Não repare na minha distração momentânea,
é uma mistura de saudade e medo,
quase um desespero, não confunda com falta de atenção.
Uma coisa é quando nunca se teve,
outra é quando a única coisa que você teve se perdeu,
não partiu pela frestas da janela,
apenas saiu pela porta que deixei aberta.
De tudo que foi feito para doer,
o que mais dói é o olhar de quem não vai mais voltar,
é um olhar que pede pra ficar,
pede pra continuar sendo importante,
pede porque sabe que de todos que foram feitos para se arrepender,
o tempo é o único que nunca ira voltar atrás pra rever o tempo que passou.
Isso me torna um monstro?
Alguém que sempre destrói o que toca?
Como um Rei Midas que faz com que tudo ao redor vire ouro,
como alguém que consegue fazer o "pra sempre" parte do que já passou?
As lágrimas que moravam em meus olhos,
partiram junto com a vontade de mudar o mundo,
se foram... e não posso dizer que não olharam para trás.
Sim eu estou aqui pra pedir ajuda, quem sabe alguma informação,
e estou olhando para o chão,
pois sei que me olhas como um monstro,
mas só quero achar,
a melhor coisa que alguém poderia ter,
e se não quiser me ajudar, eu entenderei.
Mas de todos os absurdos da vida,
eu te peço que me ajude a encontrar o coração que Deus me deu,
pois o que tinha cores, passou a ter uma só cor,
e hoje já não consigo ver.
O coração era sincero, não só quando lhe convinha a ser,
era sorridente e sempre disposto a ajudar,
tinha muitas cicatrizes,
e de tudo que se pode aprender,
ele sabia amar.
Não me diga que meu erro é procurar fora,
o que está dentro de mim,
pois isso já me disseram,
mas eu não sou capaz de acreditar.
Deixe me então continuar nessa busca,
me convencendo que estou procurando,
o que na verdade não quero encontrar.





domingo, 21 de agosto de 2011

Um louco diz


Eu trago os sonhos no contra-tempo do meu peito,
aprendendo a resgatar memórias,
dos lugares onde nunca estive,
e dos momentos que nunca cheguei a viver.
Desacreditei nos passos que compõem a caminhada,
quando eles trouxeram câimbras à minha esperança.
Então paro meu pensamento enquanto minhas pernas se confudem,
na multidão do apressados,
na multidão dos atrasados,
eu deixo meu pensamento, suavemente parar,
como quem tenta se convencer que os vencedores,
são aqueles que conseguem levar a vida devagar.
Sigo admirando as palavras de um louco,
as histórias tristes de quem teve a convicção de desistir,
enquanto o mundo ergue apenas os que conseguem vencer,
mas de que importa a opinião de um mundo que não tem tempo pra si mesmo?
Durmo com minha consciência cantando no meu ouvido,
as palavras de tal louco que me diz,
que ter tempo é um dom,
e a vida é um aprendizado que ensina somente a aproveita-lo.




domingo, 31 de julho de 2011

Quando não se pode vencer


Eu baixei as armas, esperando trégua,
mas o mundo entendeu como rendição.
Eu estava com os pés cansados,
mas hoje meu coração descansa em paz.
Todo sim é um não,
os exemplos nunca arrastaram,
e as palavras não convencem quem aprendeu com a vida,
a canção das palavras de decepção.
As tragédias são as notícias do jornal,
o peito aberto já não pode sentir o calor do Sol,
e existe quem na guerra sente a paz,
e olhos que se fecham podem sim tirar os pés do chão,
e ir pra longe, longe de toda essa confusão.
Não são sons de balas de canhão,
não existem tantos corpos pelo chão,
mas muitas guerras estão acontecendo,
no silêncio do coração.
E tempos de paz às vezes é tudo que se pode almejar,
tempos de independência
de ser feliz sem precisar se apoiar no que os outros,
fazem,
deixam de fazer,
são,
deixam de ser.
Eu escrevo uma história que não sei lê,
pus uma bandeira branca como ponto final,
já me faltavam palavras como munição,
todos os sentimentos recuaram como um batalhão,
do outro lado eis que surge o vencedor,
da única guerra que ninguém nunca será capaz de vencer,
a guerra das desculpas,
a guerra de dar a culpa aos outros,
quando o culpado é você.




quarta-feira, 27 de julho de 2011

Se o mundo fosse meu


Se o mundo fosse meu,
ele estaria jogado em algum lugar feito para o que queremos esquecer,
assim como as palavras ditas, as histórias tristes,
e as chances perdidas.
Se o mundo fosse meu,
ele seria um homem velho,
sentado em uma praça esperando por companhia,
quem sabe pra contar sobre as desventuras da vida.
Se o mundo fosse meu,
ele seria uma gota de chuva,
que escolhe quem vai molhar,
porém não encontraria ninguém.
Se o mundo fosse meu,
seria repleto de mais solidão,
teria menos amores eternos e suas traições,
dizer te amo só seria possível falar,com o coração.
E a saudade, sim, essa deixaria de existir.
Se o mundo fosse meu,
correr para todas as direções seria o mesmo que desistir,
e a opinião de cada um, seria simplesmente de cada um,
e todos fariam questão de guardar pra si.
Se o mundo fosse meu,
teria a cor de um sorriso,
e a intensidade de rir sem saber o porque,
e pelo menos uma vez,
viveríamos sem precisar sentir que poderíamos ter vivido mais.
Se o mundo fosse meu,
ele seria um dançarino,
o predileto das estrelas,
esqueceria que as pessoas que nele vivem,
são meros caçadores de recompensas,
e giraria ao som do mar,
giraria dançando com o Sol e com a Lua,
sem nem ao menos notar que com isso o tempo passa,
e nem todas as coisas que nós meros caçadores almejamos,
conseguimos alcançar.
Se o mundo fosse meu,
iria de um dia acontecer,
que esse mundo tão meu,
ficaria cinza, triste e sem lugar para orbitar,
esse mundo tão meu, precisaria de alguém melhor que eu,
e então esse meu mundo seria bem mais feliz,
se fosse inteiramente de Deus.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Te vejo


Eu trocaria todos os momentos,
pra te ver como vejo hoje.
Na busca de asas para poder voar,
aprendi com os tombos,
que por ser simples,
malabarizamos a vida pra tentar complicar.
Acima das emoções de um passado bem distante,
acima das críticas de um presente quase agora,
acima de tudo você está.
Eu trocaria todas as desculpas,
que fizeram irreais o meu mundo de pecados particulares,
pra te ver como vejo hoje.
Na tentativa de seguir um caminho já trilhado,
eu me perdi e só assim você pode me encontrar,
vazio de mim,
sem nada, nem ninguém em quem pudesse me apoiar.
Acima dos males que me sobrevirão,
e até mesmo de todas as vitórias que comemorarei,
acima de tudo você está.
A fé é o supremo dom de acreditar,
em qualquer coisa, em qualquer alguém,
eu decidi acreditar em Ti,
porque não há ninguém como Tu,
nem nunca haverá.
Enfim, das crenças, opiniões e teorias,
que o mundo se conforma e busca pra atribuir sua fé,
eu encontrei mais que um deus, mais que um refúgio,
encontrei um pai, uma família, encontrei o amor,
encontrei a paz de viver um hoje que se limita ao tempo,
encontrei a certeza de viver o que é eterno.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

1%

O mundo é feito de pessoas que falam,
o mundo é feito de pessoas que falam tanto,
que nem conseguem se ouvir.
Falam o que se deve fazer, o que acreditar,
falam sobre os outros e esquecem de si.
Falam sobre um Deus que não conhecem,
e moldam esse Deus às suas próprias necessidades.
Falam tanto que não percebem que são só palavras,
palavras assassinas, pesadas,
palavras que envolvem em uma mentira uma história verdadeira,
e falo isso como um mestre que sempre se apoiou em palavras.
Hoje essas mesmas palavras ficarão para trás,
as palavras que fizeram tantos exilados e excluídos,
palavras que fizeram muitos se cansarem e até desistirem,
hoje essas palavras ficarão para trás.
Trocarei todas as palavras por "um por cento",
um por cento de quê?
Um por cento de sinceridade,
um por cento de autenticidade,
não tenho por objetivo mudar o mundo,
fazer loucuras por Cristo,
marcar uma geração ou extorquir dinheiro de fiéis,
ser um guerreiro de bucho cheio enquanto muitos passam fome,
não tenho esses "nobres" objetivos.
Esses objetivos exigem um outro caminho,
o caminho das palavras,
o caminho das notícias boas aos domingos,
o caminho da retidão que anda na corda bamba da perfeição.
Hoje se vão as palavras,
e se você quiser saber o que é um por cento,
é simples,
um por cento é o mínimo que podemos fazer,
não para impactar, ou para ser uma bomba,
ou quaisquer outras "palavras" que você está acostumado.
Um por cento é o mínimo que podemos fazer,
pra manter aquecida a chama em nossos corações,
porque um por cento é pouco,
mas é melhor do que fazer parte dos muitos que deixariam o amor se esfriar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Eu não saberia o que dizer


Eu não estava lá,
pra segurar suas mãos frias,
Soube pelos outros,
da sua agonia,
eu não saberia o que dizer.

Não pude me despedir,
mas com esperança,
espero você voltar.
Meus olhos não viram você partir,
mas com uma saudade que não cabe em si,
espero você chegar.

Eu não pude evitar,
a dor que te afligiu.
Soube pelos outros,
você que escolheu,
eu não saberia o que dizer.

E foi tudo por você,
e por isso estou aqui,
te esperando voltar,
pra te dizer não sei o que.
Mas esperando por você

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dias bem vividos


Lembra de quando tudo parecia impossível?
Não que tudo seja fácil,
cicatrizes na memória,
gritam como tudo foi difícil.
Lembra de tudo que nos prometeram?
Não que tenham cumprido,
as lacunas em branco,
silenciam o tempo,
que não foi tempo perdido.

Como nós crescemos com tudo isso,
uns sonhos deixados, alguns rounds vencidos.
Como nós crescemos com tudo isso,
a vida na estrada, dias bem vividos.

Lembra como o mundo era pequeno?
Se limitava entre o que nos diziam,
e todos os nossos medos.
A realidade era um segredo.
Lembra dos que não acreditavam?
Eles suportam suas vidas,
como um fardo,
com cores de pesadelo,
prometendo mudanças pra si mesmos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O que sobrou de mim


Um brinde aos degraus,
que nos trouxeram até aqui,
é difícil se reconstruir,
recomeçar não apaga cicatriz.
Um sonho é só um sonho pra quem ouve falar,
mas real pra quem pode viver,
pedras no caminho sempre vão existir,
mas os castelos são construídos de que?

O que sobrou de mim,
grita que sobrevivi,
Pedaços pelo chão,
ainda tenho muito a aprender.
A diferença não está,
no que fizeram com você,
mas no que você vai fazer,
com o que restou de você.

Um passo na direção contrária,
um caminho e tantas portas erradas,
gente que finge feliz,
o peso de uma humanidade cansada.
Um sonho é só um sonho pra quem ouve falar,
mas real pra quem pode viver,
pedras no caminho sempre vão existir,
mas os castelos são construídos de quê?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Imaginar minha vida sem Ti


Vou tentar, mas de antemão sei que não vou conseguir,
sim prometo que vou me esforçar,
mas friso bem que não vou conseguir imaginar...
Imaginar minha vida sem Ti.
Seria acordar em dias de inverno,
sem o Sol, sem as flores, sem sonhos,
sem música, sem momentos pra lembrar,
sem a paz, sem o conforto de poder pertencer a Ti.
Seria lutar por mil objetivos,
alcançar todos e mesmo assim não ser feliz,
quem sabe encontrar um grande amor,
e mesmo assim nunca descobrir o que realmente é amar.
Seria um retrato desfocado de como tudo poderia ser,
críticas que almejam construir grandes construções,
um vazio que consegue preencher por não ter nada melhor em si,
uma multidão de pessoas que viveriam suas vidas tentando convencer,
de suas certezas, suas convicções,
mas sem nada entender.
Ah como seria triste minha vida sem Ti,
o céu não me presentearia com estrelas ao anoitecer,
o sorriso de uma criança não faria mais qualquer um sorrir,
e o tempo seria um massacre ao passar sem razão pra existir.
Seria como folha seca que vara a primavera,
e escurece mais a cada estação,
até desaparecer.
Seria impossível, e por não haver possibilidades,
acho que o impossível seria uma palavra que não iria existir.
Enfim minha imaginação só consegue ir até aqui,
sem som, sem palavras, sem nada.
Disse antes que não iria conseguir,
então sem surpresa agora estou aqui perto fim,
só pra poder dizer,
que ainda que eu pudesse imaginar um mundo perfeito,
eu iria escolher viver as dificuldades desse mundo aqui,
as tristezas, os devaneios, as incompreensões,
desse mundo bem aqui,
talvez porque eu não saiba,
talvez porque eu não consiga,
talvez porque sem você seja tudo imaginação,
mas me apóio na idéia de que seja pelo fato,
de eu querer viver com você.

domingo, 17 de abril de 2011

Encontrei


Estamos quites.
Mentia pra mim mesmo,
meu pobre pensamento,
eu que perdido e inseguro,
me achava sendo o dono do mundo,
mas nem isso te afastou.
Eu tentei te esquecer,
quem poderia me culpar?
Não existem escolas que ensinem,
a ser amado de verdade,
ainda bem que você não desiste,
até diria que você me encontrou,
mas não se pode encontrar o que nunca perdeu.
Não sei quando te deixei,
não tenho noção do tempo que estive aqui,
trocando cacos de um coração de pedra,
por um punhado de orgulho de ouro.
Relembre.
Você me diz como se fosse fácil,
são fatos ou medalhas feitas de papelão?
Sou o que diz ou luto pra não te decepicionar?
Temos nossos segredos,
seguiremos cada qual pra seu lugar,
um filme que acaba sem final,
esperando a versão do diretor ou esperando o protagonista chegar?
Quem não perde não pode encontrar,
quem não se surpreende não pode se decepcionar,
você me diz sabendo que eu vou sorrir no fim.
Então posso dizer que eu te encontrei,
quando estava perdido e inseguro,
longe de mim e de tudo.
Eu te encontrei,
quando era cada um por si,
e todos por quem quiser.
Te encontrei,
encontrei,
rei.

A Dádiva de te ter aqui


Ninguém nunca vai saber os sonhos,
que se realizam quando abro meus olhos,
e te vejo aqui,
te vejo aqui sorrindo pra mim.
As frases sem cabimento,
as cores do universo,
o mais lindo pôr-do-Sol,
todos cantarão essa canção,
que canto em silêncio,
quando te tenho aqui.
Todos procuram um amor,
e eu tenho a dádiva de te ter.
Todos viveriam pela metate,
mas eu te peço por favor,
fique aqui,
fique aqui até a Lua virar Sol,
até essas palavras bobas,
se tornarem livros de palavras que se repetem,
implorando pra te ter aqui.
Minha casa é o calor do teu abraço,
ter seu beijo de bom dia,
é em que se resume ser feliz,
que seja eterno você sempre aqui.
Eu me perco ao te encontrar,
e essas palavras são tão mentirosas,
se você estiver distante,
que só você estando aqui,
e olhando a realidade em meu olhar pra saber,
que te ter aqui,
é o amor sem explicação,
assim como eu amo te ter aqui,
assim como eu amo a dádiva de te ter pra mim.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Teoria das mudanças


O silêncio quase sufoca,
eu usurpava dos sonhos,
a qualidade de ser sonhador,
hoje sou real,fato, quase frio.
Lembro bem das frases que inventei,
justificaram por muito tempo meus devaneios,
afinal tudo dura o tempo certo,
pelo menos é assim que penso,
quando penso em um Deus que não tem dúvidas,
e sabe exatamente onde tudo começou.
Eu costumava ser mais alegre,
não que me queixe,
recebi sem merecimento a dádiva de ter alguém,
e de ser de alguém ao mesmo tempo,
por falar em receber,
me vem a memória minha falta de agradecimento,
pela eternidade que virá,
pelos dias que vivi,
e pelo amor que recebi,
reforço ao dizer que foi sem nenhum merecimento.
Persistência era uma opção certa,
quando eu discursava sobre minhas atribuições,
hoje com o adoecer da esperança,
eu desisto mais rápido,
simplesmente por não acreditar em mudanças,
quanto ao sistema, circunstâncias e pessoas,
pessoas que já não me surpreendem,
logo não me decepcionam,
no fundo do que restou do que um dia fui,
eu acredito sim,
acredito que eu não perdi as esperanças nos outros e no mundo,
apenas não tenho grandes expectativas.
As coisas são de época, uns diriam até que são de "Lua",
outrora a verdade machucava,
hoje a lisonja é sinônimo da verdade,
lembro-me como se fosse ontem,
que tudo era simples pra quem tinha fé,
hoje tudo continua sendo simples, só que, para os que tem dinheiro,
mas como disse antes, as coisas são de época,
antes Deus não se vendia,
hoje Ele ainda não se vende,
mas tem aqueles que o façam.
Como era bom antigamente,
a coluna não doía,
matar aula era a maior batalha da preguiça,
e tudo que eu quisesse ser, eu poderia,
vai parecer clichê, pois continuará na rima,
mas tudo que eu escrevo aqui não tem nenhum sentimento de nostalgia,
é apenas uma teoria,
a teoria das mudanças,
do que foi, do que é e do que será,
com uma pitada de como seria.

domingo, 10 de abril de 2011

Ainda não consigo expressar


Acho que às vezes deveríamos correr,
ir para algum lugar fora da estrada,
onde o Sol deixe seu olhar com cores,
que só daqui a mil anos irão inventar.
Mas pra isso é preciso deixar de olhar ao redor,
não se importar com os que vivem a vida alheia,
que fazem pra si conceitos que os aprisionam em suas próprias teias,
os fantasmas esquecidos,
que abarrotam o porão de nossas vidas.
Sim, todos precisam dar sua opinião,
encontrar algum lugar, mesmo até, que esse seja lugar nenhum,
afinal no país dos sorrisos fingidos,
quem não sorri não é feliz,
e se soubéssemos o que é felicidade,
mais do que um estado,
mais até do que uma palavra com descrição no dicionário.
Acho que o fim está tão perto,
e ao mesmo tempo distante,
são fantasmas esquecidos em nossa estante,
que mudam as cores do cenário,
e logo nos convencem que é novidade.
Quem sabe essas notícias no jornal,
não sejam parte de uma grande mentira,
que amanhã quando acordarmos veremos,
que perdemos quase tudo o que somos,
mas guardamos a convicção,
guardamos o motivo que nos faz acreditar,
que um dia tudo estará em seu devido lugar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Durmam bem (Homenagem a todas as vítimas do atentado no RJ)


Hoje eu acordei,
chorando de tudo.
Hoje eu acordei,
sentindo as dores do mundo.
E na minha tv, retratos desse absurdo,
o ser humano em seu lado mais obscuro.

Durmam bem, nossas criançinhas.

Hoje eu acordei,
sentindo a dor de um pai,
que perde seu filho,
para o "nunca mais".
Hoje eu acordei,
com lágrimas de mãe,
que perde sua filha,
e implora pra que o tempo volte atrás.

domingo, 3 de abril de 2011

Gosto tanto


Gosto de lembrar do seu sorriso,
de quando conversávamos por horas à fio,
dos conselhos de um pai,
do ombro de um amigo,
do carinho que eu nunca tive,
das coisas que o mundo trata como fatos sem sentido.
Gosto do cheiro da felicidade,
aquele que sentem os que podem acordar te agradecendo,
que são felizes por ter sua fidelidade e misericórdia.
Gosto do som da sua voz,
que não precisa de melodia,
que pouco se importa com notas musicais,
gosto do som da sua risada,
rindo do meu desespero de criança que não sabe o que fazer,
o som da sua voz me dizendo que o que eu sonho eu não vou alcançar,
mas isso será bom pra mim e eu entenderei lá no fim.
Gosto da sua sinceridade,
me chamando de bonito quando experimento roupas frente ao espelho,
ou quem sabe me dizendo que eu desisto muito fácil de tudo,
e que eu deveria dar uma chance pra mim mesmo,
e resolver acreditar mais nos outros.
Gosto e ao mesmo tempo tenho medo do seu silêncio,
é que me sinto sozinho sem seu senso de humor,
ou até mesmo seu conforto depois que acordo de um pesadelo,
eu gosto de te amar muito mesmo,
de um jeito pobre, indevido e carente,
mas te amar daqui pra sempre ou se posso arriscar, desde sempre.
Gosto de tudo em você,
mas além de gostar, eu amo sua persistência em não me deixar ficar longe,
longe de Ti.

Outono


Eu sussurrei para o Sol,
palavras de chuva,
a ventania dos que não se encontram,
dos que reclamam de tudo.
Vai acontecendo devagar,
uns diriam que são coisas da cabeça,
invenções de um desespero,
o suspiro dos que acordam de um pesadelo,
mas agora com todas as chaves na mão,
ela diz que não precisa de respostas.
Nem ao menos bateu a porta,
sem que ninguém notasse,
simplesmente foi embora,
me sobra ler o rótulo dessa bebida que de tão amarga,
prefiro dizer que não tem sabor.
Mais um fim chegou,
e logo outro recomeço chegará,
sem paciência deixamos de esperar,
deixamos um bilhete de papel pardo em nosso lugar,
afinal nada dura pra sempre,
foi o que ela sempre dizia em seu olhar.
Quanto tempo faz?
As farpas de tudo que dissemos deram lugar à flores,
e se antes o que havia entre a lembrança e a dor era casamento,
hoje só a lembrança me escreve cartas do que passou,
sem dor, ao menos sem nenhuma dor que eu seja capaz de sentir.
O outono chegou,
o Sol não acreditou em meus segredos,
e as palavras de chuva,
hoje molham meu rosto enquanto ando por aí,
me lembrando do que eu dizia com meu olhar,
que o que é eterno foi feito pra durar,
as palavras de chuva molham meu rosto,
me lembrando o que eu não quis escutar,
o seu olhar que dizia ao tom de uma velha canção,
"que o pra sempre, sempre acaba".

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tudo que preciso


Eu preciso de todo tempo do mundo,
pra viver cada instante com você,
preciso dessa saudade de chegar em casa e te ver,
preciso do seu cheiro no travesseiro,
que fica mesmo quando você se vai.
Eu preciso te ter por perto,
preciso do seu temperamento brando,
me dizendo que as coisas podem ter um outro jeito de se ver,
preciso das palavras que seus olhos dizem,
e só eu consigo ler.
Preciso cuidar de você,
te cobrir ou na maioria das vezes te descobrir,
te abraçar e quando você menos esperar te dizer o que sinto,
sem nem ao menos ensaiar.
Preciso inventar novas palavras,
que façam você entender novamente,
o significado de "pra sempre",
preciso te ligar todas as vezes que ligo,
só pra ouvir sua voz,
e assim ter a certeza que é um sonho,
mas que não deixa de ser real.
Preciso das suas surpresas,
sua paciência e toda sua atenção,
preciso de silêncio enquanto estou no fogão,
preciso também durante o almoço segurar suas mãos.
Preciso que você me beije e pare de me beliscar,
preciso ser seu amigo, amante e companheiro,
preciso estar perto mesmo longe,
ser visita constante no seu pensamento,
mesmo que isso não faça sentido.
Eu preciso ser isso tudo,
porque ao teu lado é fácil ser tudo que eu preciso.

Relativo


Somos seres pela metade,
buscamos algo que se encaixe,
e nossos olhos fixos no céu,
denunciam a esperança que temos,
de que haja mais que nuvens,
mais que essa chuva que não passa.
O caos só proporciona um momento de alívio,
mas só consegue sentir os que tem o dom do silêncio,
e enquanto os sábios de um mundo louco usam os pronomes pessoais me, mim, comigo,
os loucos de um mundo "são" continuam trocando verbos por ações.
Falham as segundas chances,
adormecem as boas inteções,
a fagulha de hoje nada mais é que o incêndio de amanhã,
e se existem coisas que o dinheiro não compra,
deixaram de nos mostrar.
O fim que antes era justificado pelos meios,
hoje já não precisa de justificativa,
nossos erros hasteiam a bandeira de tudo que é relativo,
logo nada é tão certo que não possa estar errado,
e nada é tão errado que não possa estar certo.
Segue sem titubear os ponteiros do relógio,
marcando as horas e minutos por anos à fio,
e nos falta mesmo assim, tempo para admitirmos,
que sentimos falta de viver cada momento,
isso mesmo... momento... aquela menor fração do tempo,
sentimos falta dos momentos em que o mais importante é não fazer nada,
mesmo que isso já seja fazer alguma coisa,
mas todos nós entendemos a indústria do consumismo,
que ter é mais importante do que ser,
isso é indubitavelmente indiscutível,
porém quando isso começou a acontecer,
isso eu não me lembro.
Uma bala deixa seu rastro no céu escuro,
que era palco das estrelas,
o sangue escorre no jardim,
que era palco das flores,
e o desconforto borra o papel,
que era palco da poesia,
tempos que mudam, seres que se adaptam,
valores que se perdem.
O tempo nos deixou escolher,
e fizemos as escolhas erradas,
mesmo tendo a justificativa do relativismo.
Resta-nos agora simplesmente aprender,
que entre ter e ser, devemos ser absolutos,
resta-nos acreditar que o mais simples é a escolha certa,
mesmo sendo um absurdo.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Contas à pagar


Tiro um dia da semana,
pra rasgar as contas à pagar,
não sei se visito minhas lembranças,
ou se deixo a bagunça por assim estar.
Eu empilhei minhas decepções,
e quase me soterrei,
a pior derrota é não ter a quem culpar,
e já vão pelo ralo vinte e poucos anos,
sem muito ter feito, sem muito o que dizer,
ouvindo promessas na tv,
ouvindo minha voz ecoando em minha mente,
dizendo que tudo um dia será como deveria ser.
Respiro o mesmo ar que assassinos e covardes,
rio das piadas de um estuprador,
olho no fundo dos olhos de um ladrão,
que amanhã pode me roubar,
e eu me pergunto o que é justo?
O que faz sentido nesse mundo de palavras pesadas,
e atitudes leves que evaporam no calor do momento?
Já não sei quem é mais covarde,
os que matam seus próprios sonhos por medo de viver,
ou os homicídas qualificados que mesmo na prisão,
não tendem a se arrepender,
talvez eu tire um dia da semana pra entender.
Encontrei na estante a resposta pra todas as perguntas,
incrível como o mais simples deixou de ser o mais importante,
e os dias felizes se tornaram feriados em um calendário,
e fomos escoando pela eternidade como perguntas retóricas,
por medo de descobrirmos a única resposta que vale a pena.
Mas vou tirar um dia da semana pra entender tudo isso,
mesmo que esse dia dure a vida inteira,
mesmo até que eu não consiga entender,
mas uma coisa eu tenho certeza...
Vou rasgar as contas à pagar,
afinal isso dura apenas algumas horas,
do dia da semana que irei tirar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nome sobre todo nome


Meus dias escuros,
foram interrompidos,
pela revelação da tua graça,
que pois em meus olhos um novo brilho,
em minha boca uma nova canção,
que trouxe vida onde havia morte e solidão,
o nome sobre todo nome, sobre todo nome.

Jesus o nome sobre todo nome,
rendido e sem saber o que dizer,
eu dou toda glória ao filho do homem.
Jesus o nome sobre todo nome,
o caminho, a verdade, a vida,
a graça e o amor que me alcançou.

Meus dias de silêncio,
foram interrompidos,
pela revelação do seu amor,
que estendeu a mão a um pecador,
sonhos ao meu mundo sem cor,
que trouxe esperança pra superar a dor,
o nome sobre todo nome, sobre todo nome.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Por que me amar?


Eu sou apenas um passo,
na longa caminhada do tempo,
um aprendiz que não sabe o que diz,
e pede ajuda.
Eu sou as mãos vazias,
com vergonha de te ver,
as palavras gaguejadas,
por não saber o que dizer.

Meu orgulho me corrompe,
meus defeitos me traem,
a sorbeba me faz cair,
sou o oposto do que poderia ser.

Por que me amar,
a ponto de não me deixar partir?

Eu sou os planos pelo chão,
que não sabe o que fazer,
um filho que não sabe obedecer,
e pede ajuda.
Eu sou o que os outros querem ver,
réu confesso esperando julgamento,
como último desejo súplica por você.

Por que me amar,
a ponto de me dizer que sou mais do que penso ser?
Por que me amar,
a ponto de se dedicar a alguém como eu?
Por que me amar,
a ponto de não me deixar partir?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Funeral da esperança


Nem deixou um bilhete suicida,
foi embora sem se despedir da vida,
não há rastro de pão na trilha,
quem diria que seria assim que tudo acabaria,
uma história mal escrita,
um copo de whisky que entorpece a mente,
a vida em uma noite fria.
Nossos pais não estavam errados,
quanto aos nossos defeitos,
todos compram valores invertidos,
na loja de pecados enrustidos,
e vemos em fração de segundos,
reis que erguem reinos de si mesmos,
e pensar se tornou objeto que entope os ralos,
e se junta aos sonhos que abarrotam o lixo.
Todos em suas roupas pretas,
tentando homenagear com frases decoradas,
alguém que já não pode escutar,
algumas lágrimas ensaiadas,
um aplauso a mais se aproxima,
quando chega mais um que desistiu.
Agora é o silêncio, a ilusão,
e o teatro que todos já conhecem o final,
mas não se espante não existe um ideal,
só tentativas que supõe encontrar a raíz de todo mal.
Consegue ainda deixar seu perfume no ar,
a lembrança consegue trazer o tom de sua voz,
mas todos querem um pouco mais de esperança,
e não presenciar este cortejo,
que nos leva a seu próprio funeral.
Se era a última a morrer,
porque nos trazer a tona,
o fato de que estamos mortos a tanto tempo?
Porque não deixar um bilhete nos dizendo o que fazer?
Levou consigo as respostas,
e nos deixou as perguntas,
de um mundo governado pelo desespero,
que recusa heróis,
e não reconhece seus defeitos.