sábado, 23 de outubro de 2010

Sonhei (A tristeza discursa sobre a solidão)


Ela estava certa,
essa solidão me corta o peito,
a conta-gotas de forma lenta,
levando minha alegria como um furacão.
Acordei de um sonho,
e vi que ter muitas opções,
me atormenta tanto quanto não ter opção.
Você lembra das palavras,
daquele senhor com um livro na mão?
Me martela a cabeça,
tanto quanto esses dias em vão.

Temos desafetos em cada canto,
andamos sobre ladrilhos de cacos de vidro,
alguém um dia falou que a esperança,
era a última a morrer,
guardaremos pra ela a mais belo flor?
Volte e segure firme nossas mãos,
porque ela estava certa sobre a solidão.

Ela estava certa,
destruímos o pra sempre com nossas mãos,
as palavras não se foram com o vento,
ficaram aqui sentadas em algum quarto escuro,
dentro do que antes era um sorridente coração.
Acordei de um sonho,
as nuvens não formavam desenhos,
destilavam uma chuva gelada de um inverno,
que dura o ano inteiro aqui dentro.
Eu ainda acho que Deus pode ouvir nossos pedidos,
só me questiono se Ele estaria aborrecido comigo,
ou se eu que há tempos deixei de dar a Ele meus ouvidos,
é só um Deus quieto?
Ou só um humano com segredos escondidos?

Temos um grande aprendizado,
como esquecer o que se quer esquecer?
Só sabemos o que é felicidade,
porque já experimentamos a tristeza,
se existem metades na verdade,
então é uma mentira inteira,
e nós sabemos disso,
afinal os amores só existe nos livros.

Ela estava certa,
quanto a quase tudo que discursou em seu olhar arrebatador,
mas se esqueceu que o mundo gira,
que essa seria a última noite na roda gigante solitária,
que a vida se constitui de olhar pra frente,
deixando o que para trás ficou,
e sempre ficam...
Fotografias, declarações, amores pra todo sempre...
Promessas que ninguém cumpriu...
Sonhos que não se realizaram...
A saudade de tudo que poderia ser e acabou...
Mas eu acordei de um sonho,
e vi de perto alguém sempre atento,
me dizendo que perdemos somente o que não era nosso,
e se não era nosso não merecia permanecer em nossas mãos.
Eu acordei desse sonho,
sem entender o que poderia significar,
não sei se era a tristeza discursando sobre a solidão,
não sei se são as coisas que não entendo,
misturada com o fato de'u ter comido feijão antes de dormir,
só sei que como qualquer sonho,
não existe sentido,
e depois de acordar percebi que a vida também não.

Um comentário:

Kiro Menezes disse...

Triste o "Discurso"!

Palavras bem postas...!