quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tudo é egoísmo


Nossos melhores amigos estão de mãos atadas,
eles não podem viver por nós,
os planos que desistimos,
os sonhos que deixamos pra trás.
Já não veem nossas razões,
antigamente éramos os jovens que mudariam o mundo,
hoje somos os velhos segurando carrinhos de arrependimentos.
Já são quase seis da manhã,
e estamos aqui falando sobre o que o mundo não consegue mais entender,
falamos sobre o amor, sobre percepção,
sobre as teorias que inventaram pra recriar os dons,
o dom de se importar quando todos não se importam,
o dom de dedicar tempo para ouvir o futuro da humanidade na voz de uma criança,
o dom de fazer valer a pena.
Nosso reino de reis mortos abarrotam as ruas de ladrões,
estamos ricos dos tesouros que apodrecem,
somos máquinas presas a rotina, procurando por palavras que façam sentido,
procurando um braço amigo pra ajudar a enfrentar o frio,
o frio dos nossos corações congelados,
que conseguem engolir mundos inteiros,
mas não tem sequer uma nuvem para oferecer.
Tudo é egoísmo.
Poderíamos estar fazendo outras coisas que produziriam prazer,
mas quando se trata de sentimentos, partes não formam algo inteiro,
não sei se acredito em tudo que digo,
mas sei que mesmo assim eu ainda tenho no que acreditar.
As chaves estão em suas mãos,
embora nem todas as portas tenham sido feitas para serem abertas,
existe um momento certo,
existe um olhar que se cruza de forma diferente,
existe um dia que o simples se torna especial,
existe um dia que a flor descobre que é flor,
e nós os pintores de uma vida que não segue uma linha reta,
encontramos o fim ao revisar o começo.
Vamos pra casa e ficar deitados no sofá,
ler o jornal de hoje feito com notícias de ontem,
esperar que nossas intenções não nos traiam,
embora o restante do mundo viva como se não valesse a pena viver,
nós somos a estrada que leva à costa,
somos o Sol e a poesia.
Antes éramos a poeira de uma casa vazia,
só porque não conseguíamos ver o que de verdade éramos,
os bilhetes que escrevemos nossos pensamentos mais bonitos,
dançam no meio do furacão das palavras que devíamos ter dito.
Por definição e complemento,
tudo que é criado precisa de uma conclusão,
sejam livros ou canções,
quem então inventa amores é capaz de termina-los,
e eu me agarro ao que era eterno e hoje não dura mais.,
porque em dias como os nossos,
quem se reconhece como um ser é alguém mais capaz.

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