domingo, 12 de setembro de 2010

Furacão


Bem vindo furacão, desta vez eu já estava te esperando,
bloqueei as janelas, talvez não veja a luz do Sol quando a tempestade passar,
mas também não vou deixar seu vento entrar,
e bagunçar toda minha vida,
jogar longe as fotografias,
misturar meus sentimentos com a vontade que se tem a noite e passa de dia.
Desta vez você trouxe presentes,
um sorriso, um beijo doce e um corpo quente,
mas só eu sei quanto tempo demorei pra reconstruir,
os cacos que você deixou ao partir,
e você sempre se vai,
levando tudo de mim, me deixando longe de tudo que eu sempre quis,
mas não desta vez.
Vou ficar no escuro esperando o vento destelhar esses dias tristes,
porque se existe um começo, haverá de qualquer forma um fim,
e o Sol vai voltar a brilhar.
Desta vez seu sopro será como um vento que apenas consegue mover um cata-vento,
me tirando o sono, mas não me deixando com medo,
me arrancando lágrimas, mas não meu arrependimento,
porque eu vivo noites de pra sempre, não noites de momentos.
Eu sei você vai empurrar a porta até entrar,
sentar no sofá e ler as notícias de ontem no jornal de hoje,
olhar nos meus olhos e rir da minha teoria,
que castelos de areia foram feitos pra durar,
mas em tempos como o nosso a única coisa que dura é a certeza de que tudo é incerto.
Não me deixe esperando, deixe logo tudo fora do lugar,
porque nada é mais frágil do que as palavras de alguém que não sabe o que dizer,
dizer que nada pode ser esquecido,
dizer que ninguém deve se importar,
dizer que fingir é negar a dor de tudo isso.
E dói aqui dentro,
onde sua tempestade não pode tocar,
onde seu vento não pode levar,
onde suas ondas não podem abalar,
dói no ideal de quem acredita no amor,
dói na esperança de encontrar uma razão maior,
do que apenas isso.
Mas de alguma forma eu já sabia que você iria chegar,
trazendo esse sorriso que nem uma borracha feita do mesmo material que as estrelas,
conseguiria apagar,
trazendo esse beijo que eu beijaria rezando pra que o dia insistisse em não acordar,
trazendo esse corpo quente que me embaralha sem saber quem é quem,
como se fosse uma canção que só uma noite perfeita sabe cantar.
Então antes de ir apenas me ensine a esquecer,
enquanto arrumo a bagunça que você vai deixar,
porque sou forte, mas tem tantas coisas que eu não sei,
não sei tocar violão, não vou saber a canção que você mais gosta de escutar,
não sei ser prático, não aprendi a esquecer,
mas eu sempre soube que você iria chegar,
e mesmo eu me preparando seria impossível não deixar você entrar.

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