sábado, 4 de setembro de 2010

Febre


Eu acordei do lado dela,
engraçado como tudo que nunca foi planejado,
simplesmente acontece,
e são justamente esses momentos,
que a gente não esquece.
Ela me ligou ontem e disse que não queria ficar sem mim,
achei estranho, pois nunca tenho um segundo encontro,
me dá medo as lembranças que se derretem no esquecimento,
mas já estou tão acostumado,
que não faço planos para o dia seguinte.
Andamos pelas ruas da cidade, tão vazias,
e o sorriso dela é tão lindo,
como não acreditar na sorte?
Quando ela simplesmente pára pra me ouvir,
e mesmo me achando tão idiota guarda tudo pra si.
Dessa vez eu peguei uma flor na casa de um vizinho qualquer,
disse a ela que se eu fizesse uma canção inspirada nela,
de todas as sinfonias ela seria a mais bela,
me sinto tão infantil,
mas ela aperta minha mão,
e me faz acreditar no que o mundo deixou de fabricar,
a esperança em amores que dão certo.
Ela me chama pra subir,
eu nem me faço de difícil,
entre milhares de pessoas, milhões de anos,
já é inacreditável estarmos juntos aqui.
Ela liga a tv e arruma um pouco da bagunça,
eu deito em seu colo,
e me pergunto se isso é mesmo real,
são movéis iguais ao de qualquer casa,
são assuntos semelhantes ao que digitamos na internet,
o que faz disso tudo especial?
Já não me importo, vivo a dádiva do segundo encontro,
ela me contando seus segredos, sonhos e medos,
e eu ouvindo seu coração batendo cada vez mais forte,
cada vez que a beijo mais,
cada vez que seu cheiro passa pra mim,
cada vez que o tempo ligeiro em gritar,
berra dizendo que está chegando o fim.
Eu desenho corações em sua barriga,
ela me pede pra parar, pois sente "cosquinhas",
ela morde minha orelha e me ameaça dizendo que vai me machucar,
a gente ri como criança,
ao som de um programa de calouros a gente dança,
e nos damos conta de como é bom ser simples.
Já falamos dos livros, filmes e todo assunto fútil,
que classificam nossos gostos,
debatemos as diferenças,
afinal como alguém pode não gostar dos livros de auto-ajuda e filmes de terror?
Abraçamos as igualdades, nada melhor do que andar de mãos dadas pela praia.
Nada é perfeito, nada continua retilíneo em seu lugar,
mas de alguma forma ela adormece em meus braços,
enquanto eu canto em seu ouvido as histórias dos amores impossíveis,
que aconteceram porque alguém decidiu acreditar.
Os meus olhos castanhos se fecharam pra dar lugar aos sonhos,
os sonhos das coisas não vividas que não vão se realizar,
como esse sonho, como esse delírio,
de quem está com febre a noite toda,
que fala coisas sinceras sem saber ao certo o que está a falar.