sábado, 28 de agosto de 2010

Aquele tempo



Eu vejo um monstro no espelho,
boas intenções afunilando,
o que já era estreito,
esperamos acontecer,
por isso vivemos de antigos feitos,
suas mãos distantes,
me trazem medo.

O vento traz de volta,
a saudade das coisas que não vivemos,
absolutamente sem sentido,
nós tão independentes,
em braços castos procuramos abrigo.

Eu vejo a cura escorrer pelos dedos,
a rotina sufocando,
o que não é dela por direito,
tentamos esquecer,
remédios adormecem a dor no peito,
solidários, alimentamos,
nossos próprios desejos.

O vento traz de volta o que não tem preço.
Cacos do passado aprisonam o recomeço.
O vento traz de volta todos os momentos.
As lembranças dos bons tempos.

Nenhum comentário: