sábado, 28 de agosto de 2010

As coisas que eu acho


Eu acho triste não ter ninguém pra ligar no fim da noite,
ninguém esperando você chegar,
ninguém pra planejar.
Eu acho triste os dias sem Sol,
que vão se passando como uma folha em branco num papel,
sem corações desenhados,
sem amores improváveis que acontecem por simplesmente ser amor.
Eu acho triste viver num mundo de pessoas imperfeitas que impõem perfeição,
que ditam regras e inventam soluções,
para toda a destruição,
que cria canções que ecoam no cemitério dos corações sufocados,
dos corações que antigamente acreditavam que poderiam encontrar,
um amor que durasse o tempo certo.
Eu acho triste as manhãs que se passam sem você,
as noites em claro ao som da tv,
as fotografias que tatuam um tempo que não vai voltar.
Eu acho triste não ter ninguém pra se apoiar,
ninguém que traga um sorriso de graça,
que pinte o céu de mil outras cores até você gostar.
Eu acho triste não precisar de alguém,
ser auto-suficiente em relação a tudo, em relação a gente,
viver de partes pra tentar se sentir inteiro,
quando na verdade são só as coisas simples que valem a pena lembrar.
Eu acho triste os amores que se acabam sem começar,
o cinema sem ter ninguém pra abraçar,
as ruas frias sem ter mãos pra segurar,
o frio sem ter ninguém pra esquentar,
acho triste o mundo sem ter ninguém pra amar.
Eu acho triste o sentido que procuramos em tudo,
a vontade de dizer mil coisas e ficar mudo,
o dia dos namorados durar apenas um dia no mês de junho.
Eu acho triste nosso coração distraído não perceber,
a chance que acontece sem hora marcada,
as brincadeiras que dizem verdades e te deixam sem graça.
Eu acho triste a espera quando tudo que mais quero é te ter,
e me mata lentamente o tempo que se vai rápido quando deveria parar,
mas são coisas que acho,
e que não dizem respeito ao mundo,
discursam a tristeza que cabe a mim,
quando te digo que é triste,
não ter alguém pra perseguir estrelas,
não ter alguém pra amar pela vida inteira.

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