terça-feira, 31 de agosto de 2010

As flores queriam ser você


Preciso de uma fração da eternidade,
pra encontrar as palavras certas,
pra dizer o que a poesia não consegue descrever,
dizer o que todas as flores gostariam de ser,
e todas as flores gostariam de ser você.
Seria muito fácil se o céu refletisse a cor dos seus olhos,
se as canções tivessem seu sotaque,
se todas as noites fossem feitas pra que eu pudesse estar com você.
Me fascina os instantes improváveis,
que fazem de horas parte do que será eterno,
eterno como as lembranças do seu perfume,
do seu beijo, dos detalhes que chamamos de momento.
Seja a simples pimenta na pulseira,
ou o medo de ver cenas de horror no cinema,
seja o jeito que você segura minhas mãos,
ou seu apego aos livros que ocuparão mil estantes.
A menina que não consegue vender,
me dá de graça o mais importante que ela poderia ter,
o tempo, o sorriso e o jeito encantador que ela tem de ser,
e eu fico de mãos vazias,
sem quase nada pra oferecer,
lembro das frases ensaiadas,
de falar das igualdades pra que acredite que temos tudo a ver,
mas no final das contas,
com ela é tão fácil deixar acontecer,
que não existe espaço pra tentar convencer,
são apenas os detalhes de dois mundos que colidem,
com a esperança de se rever.
Suponho que apenas uma fração da eternidade,
ainda é pouco tempo pra poder dizer,
todos os pensamentos de uma noite que valeu a pena viver.

sábado, 28 de agosto de 2010

As coisas que eu acho


Eu acho triste não ter ninguém pra ligar no fim da noite,
ninguém esperando você chegar,
ninguém pra planejar.
Eu acho triste os dias sem Sol,
que vão se passando como uma folha em branco num papel,
sem corações desenhados,
sem amores improváveis que acontecem por simplesmente ser amor.
Eu acho triste viver num mundo de pessoas imperfeitas que impõem perfeição,
que ditam regras e inventam soluções,
para toda a destruição,
que cria canções que ecoam no cemitério dos corações sufocados,
dos corações que antigamente acreditavam que poderiam encontrar,
um amor que durasse o tempo certo.
Eu acho triste as manhãs que se passam sem você,
as noites em claro ao som da tv,
as fotografias que tatuam um tempo que não vai voltar.
Eu acho triste não ter ninguém pra se apoiar,
ninguém que traga um sorriso de graça,
que pinte o céu de mil outras cores até você gostar.
Eu acho triste não precisar de alguém,
ser auto-suficiente em relação a tudo, em relação a gente,
viver de partes pra tentar se sentir inteiro,
quando na verdade são só as coisas simples que valem a pena lembrar.
Eu acho triste os amores que se acabam sem começar,
o cinema sem ter ninguém pra abraçar,
as ruas frias sem ter mãos pra segurar,
o frio sem ter ninguém pra esquentar,
acho triste o mundo sem ter ninguém pra amar.
Eu acho triste o sentido que procuramos em tudo,
a vontade de dizer mil coisas e ficar mudo,
o dia dos namorados durar apenas um dia no mês de junho.
Eu acho triste nosso coração distraído não perceber,
a chance que acontece sem hora marcada,
as brincadeiras que dizem verdades e te deixam sem graça.
Eu acho triste a espera quando tudo que mais quero é te ter,
e me mata lentamente o tempo que se vai rápido quando deveria parar,
mas são coisas que acho,
e que não dizem respeito ao mundo,
discursam a tristeza que cabe a mim,
quando te digo que é triste,
não ter alguém pra perseguir estrelas,
não ter alguém pra amar pela vida inteira.

Aquele tempo



Eu vejo um monstro no espelho,
boas intenções afunilando,
o que já era estreito,
esperamos acontecer,
por isso vivemos de antigos feitos,
suas mãos distantes,
me trazem medo.

O vento traz de volta,
a saudade das coisas que não vivemos,
absolutamente sem sentido,
nós tão independentes,
em braços castos procuramos abrigo.

Eu vejo a cura escorrer pelos dedos,
a rotina sufocando,
o que não é dela por direito,
tentamos esquecer,
remédios adormecem a dor no peito,
solidários, alimentamos,
nossos próprios desejos.

O vento traz de volta o que não tem preço.
Cacos do passado aprisonam o recomeço.
O vento traz de volta todos os momentos.
As lembranças dos bons tempos.

domingo, 22 de agosto de 2010

Que exploda



Eu quero mais é que se exploda,
essa vaidade,
pessoas fúteis, sem personalidade.
Eu não quero mais fingir...
Eu quero mais é que se exploda,
esse pensamento,
pessoas falsas, inventando sentimento.
Eu não quero mais fingir...

Que se exploda, que se exploda,
gente que fala demais e vive à toa.
Que se exploda, que se exploda,
gente certinha que disfarça a vida louca.

Eu quero mais é que se exploda,
a riqueza humana,
pessoas ricas, que se acham bacanas.
Eu não quero mais fingir...
Eu quero mais é que se exploda,
a politicagem,
pessoas influentes fazendo sacanagem.
Eu não quero mais fingir...

domingo, 8 de agosto de 2010

Quantos dias tem uma rotina


Meu deserto é feito de prédios,
rotina e pessoas chatas,
a segunda chega,
sem nem ao menos se perguntar,
se o fim de semana foi o fim,
de mais uma semana igual.
Acho que estou triste,
mas nem por isso fico preocupado,
só estou cansado,
de mim mesmo, dos outros,
de tudo que se define por si só.
São metas pra alcançar,
um bom emprego, uma carreira, um lar,
tudo isso num espaço de tempo que não me dá espaço,
nem ao menos pra ter tempo.
Queria viajar, ver o Sol se pondo em outro lugar,
mas o que me resta é a prisão dos dias iguais,
dias em que todos vivem sem prestar atenção.
Estamos todos sufocados,
com a corda no pescoço,
e uma carta de indicação na mão,
seja lá onde você for parar,
terá alguém te esperando,
pra moer ainda mais seus ossos,
ou quem sabe fazer o choro cessar.
Depressivas são as palavras que vão caindo como chuva,
nesse inverno tão intenso,
só não esqueça de se agasalhar,
a piedade não existe mais,
são os assassinos que governam em nosso lugar,
antes que termine o dia,
não esqueça de se agasalhar,
é muito mais frio quando anoitece e não se tem companhia,
quando a rotina vence,
e o que nos resta é esperar por um novo dia.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Quando lembro


Quando me lembro de tudo,
são frases sem valor,
pra expressar a gratidão,
por todas as vezes que me ajudou.

Tudo bem, tudo bem,
lá fora o mundo é incolor,
o que outrora era belo,
faz parte da lembrança,
do museu feito de tudo que já passou.

Quando me lembro de tudo,
sinto falta do seu calor,
hoje falam de dinheiro e emoção,
não vivem mais o amor.

Tudo bem, tudo bem,
eu sou tão culpado,
que tento me justificar,
como peregrino perdido,
com saudade do lar.