quarta-feira, 28 de julho de 2010

Rua bahia 4.333


E assim acabou a rua bahia,
não vai ser preciso baixar o volume das tvs,
não existem mais crianças pra correr,
o corredor que foi palco de tantas confusões,
hoje está vazio,
não há encrencas,
não há diversão,
nem barulhos, nem reclamações.
E assim acabou a rua bahia,
nenhuma criança se pendurando no portão,
ninguém gastando o extintor pra apagar o fogo do fogão,
ninguém xingando palavrão,
pedir silêncio hoje... seria em vão,
só restam peças vazias e a poeira,
poeira de quase dois anos,
poeira de tantas famílias que viram suas vidas mudarem,
depois de uma tragédia,
famílias que sabe se lá onde estarão,
sabe se lá onde chegarão.
E assim acabou a rua bahia,
diferente do que todos pensavam,
ninguém ainda foi para suas casas,
que a tanto tempo foi prometida,
as mudanças feita as pressas,
revelam um povo que sem opção,
montará seus móveis já velhos em outras moradias.
E assim acabou a rua bahia,
com suas tantas histórias, com suas tantas vidas,
com seus amores secretos, seus segredos escondidos,
com seus moradores que sempre reclamavam,
e com outros que conseguiam achar graça de tudo isso.
Hoje as luzes vão ficar acessas,
pra lembrar a um pobre educador que vai passar a madrugada sozinho,
que a poeira no corredor e as casas vazias,
dizem quase que sussurrando,
que a moradia da rua bahia acabou.
Hoje não precisa pedir silêncio,
nem se incomodar com crianças correndo no corredor,
porque a lembrança disso tudo foi a única coisa que restou

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