sexta-feira, 5 de março de 2010

Coração


Ele está sentado esperando,
segura o celular nas mãos,
como quem segura o destino de uma vida inteira,
não existe um sorriso, só um olhar distante,
sem compreensão, uma expectativa que ansiosamente se segura a esperança,
prevendo que logo quebrará ao cair no chão.
Se ele soubesse que ela não se importa,
que das mil coisas certas que ele possa fazer,
as coisas que ele não faz são sempre as que fazem mais falta,
e isso todos que o vêem notam,
notam em sua cara triste,
notam ao verem as rosas que sentadas ao seu lado,
esperam para ter a certeza que ela não vai aparecer para recebe-las.
Ele sente a garganta dar um nó,
se ele soubesse que ela não vai ligar,
que seu mundo irreal colidiu com a realidade,
das pessoas que não sabem amar,
ou ao menos não quiseram ama-lo.
Ele está sentado ali fazem horas,
o tempo já mudou e gotas logo cairão,
e eu queria não sentir dó,
ao ver que os planos dele,
vão morrer afogados por cada gota de chuva,
e o vento frio que corta seu rosto,
corta também as frases que planejou falar,
corta os pulsos da esperança de ver a saudade se esvair,
mesmo que por alguns momentos.
Se ele pudesse ouvir o que ela diz a si mesma,
tentaria viver sem ela até conseguir,
ela diz que é impossível,
ela diz que existem mil motivos,
ela diz que não consegue se apaixonar,
e quem poderia culpa-la,
ele é só um coração sentado num banco,
um coração molhado da chuva,
um coração com flores que catou pelas ruas.
Ele é só um coração que faço algumas perguntas,
pergunto se ele quer um guarda-chuva,
ele olha pra mim como se não houvesse temporal,
e me diz que não importaria guarda-chuva,
se são de seus olhos as águas que inundam a rua.
Pergunto se ele quer alguma ajuda,
ele ensaia um sorriso,
e me responde como se esperasse essa pergunta,
me diz que um coração só precisa de uma só coisa,
e é de um peito pra bater,
de um motivo pra viver,
de um amor pra existir,
e isso tudo é a mesma coisa.
Eu saio sem respostas, mas com muitas perguntas,
olho pra trás e vejo o pobre coração sentado na chuva,
com flores ao lado e um celular que não funciona mais,
e me pergunto qual peito anda vazio sem esse coração?

Um comentário:

Ana disse...

Ooooooooooi =)