segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

É o que me completa


Eu sinto meu peito estourando por não saber como dizer,
é só a saudade das vezes que ficamos sós,
dos dias que me segurou pelas mãos.
Falamos o que pensamos,
sem pensar no tamanho da dor que sentimos,
ao ouvir coisas que em nós ferem como uma mentira inventada.
Eu sei, é só um jeito de você chamar minha atenção para esse momento,
nós dois sempre nos entendemos,
essa é a confissão do fracassado,
são as palavras que digo deitado no meu quarto,
é o retrato de um humano desesperado.
Me diz sussurrando em meu ouvido,
o que sou? O que o espelho reflete ou o que o mundo repete?
Tenho a esperança de ser o que você vê.
Já te pedi tantas vezes,
você me diz que não é o tempo,
mas eu só queria ir pra casa,
ficar com você sem tempo,
esse mundo está tão louco,
é preciso provar o que se é ou deixa de ser,
e eu chamado de perfeito me sinto tão longe disso.
Tão cansado, tão abatido, somos nós dois contra o mundo,
e uma família de amigos.
Eu sou cacos sendo reconstruídos,
eu sou o joelho ralado, os olhos com poeira,
alguém que sente o gosto amargo do chão,
e eu só preciso de você,
agora só você,
porque quando todos não entendem,
você não me define, simplesmente me ama.
Das minhas falhas a que vou segurar erradamente,
é o egoísmo de resumir minha a vida a você,
porque pessoas são abandonadas,
outras são traídas,
uma multidão acorda já desacreditada,
outras são vistas de maneira errada,
mas de você eu não preciso esconder nada.
Aquele velho nó na garganta,
e em dias assim, melhor ouvir o silêncio,
do que o discurso de pessoas amarguradas,
então seja toda a realidade desse vazio que me abraça,
e fique comigo essa noite sem precisar dizer nada.
É o que me completa,
o endereço do meu lar,
é a vontade de fugir,
o coração que não aguenta mais,
é o imperfeito que passa imagem de perfeição,
é a armadura de guerreiro com o coração de um menino segurando seu urso na mão,
sou eu e só eu sem precisar de nenhuma definição.
Muito obrigado por me ouvir,
como um pai que pára o mundo,
que dá seu filho único,
que me entende e me ama mesmo sabendo de tudo,
tudo que sonho, tudo que temo,
tudo que me dedico e tudo que acredito.
Para o mundo, eternamente uma síndrome de coitadinho,
para você, um filhote que quer voltar para o ninho.

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