sábado, 26 de dezembro de 2009

Nunca

Nunca é gritar para o céu estrelado e não ver estrelas,
é em dia de Sol fechar a janela,
é sentir amargo o que é doce,
é dizer que não sem pensar no sim.
Nunca é o amor que morre sem nascer,
é a culpa pelo medo que temos de dizer,
que as coisas que não entendemos,
preferimos esquecer.
Nunca é a última chance de se encontrar,
mas acabar por se perder,
é voltar atrás no tempo,
torturado pela dor dos arrependimentos.
Nunca é o guarda-chuva que se quebra,
pra que a gente perceba como é bom se molhar no temporal,
é a sensação estranha de sentir falta de quem nunca tivemos,
saudade de todos os momentos que nunca vivemos.
Nunca é a escolha dos que ficam de costas para o litoral,
é a desculpa dos que se enforcam em suas próprias cordas,
feitas de palavras,
é a prisão dos que decidem não se arrepender.
Nunca é o primeiro passo em direção ao frio,
é o fim do parágrafo, é o ponto final,
é o absoluto sem possibilidades,
é a morte do que é relativo,
é decretar o fim sem saber o porvir,
e achar normal.
Nunca é a palavra banalizada,
dos que não se repetem,
dos que fogem,
dos que não enfrentam seus dilemas,
dos que criam barreiras e não resolvem problemas.
Nunca é o beijo que não foi dado,
as cartas que voltaram,
o calendário marcado na data do aniversário,
que não será comemorado.
Nunca é cedo demais,
e tão tarde para voltar atrás,
nunca é flecha no ar,
as palavras no ventilador,
nunca é tudo que me lembro,
quando lembro das coisas que ouvi você dizer.
Nunca é o coração gelado que se nega,
a derreter.

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