sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Lágrimas de um pai

"Deus não desperdiça tinta, não deixa borrões,
não deixa a obra de arte inacabada"
Esse não é um texto fadado a rimar ou convencer,
são todos meus sentimentos que explodem como um vulcão,
caindo em forma de lágrimas.
O mundo imperfeito, pessoas imperfeitas,
e coisas que não dão certo,
mas somos exatamente feitos de coisas que não entendemos,
somos massacrados pelas lágrimas de um pai,
que chora pelo fim do relacionamento,
chora por ter que ir embora e deixar seu filho.
Em seus olhos vermelhos,
eu vejo a questão que faz o mundo desabar,
por que?
E eu sou a última pessoa que pode responder,
porque desses humanos desumanos,
eu sou apenas mais um sem saber o que dizer,
quando as palavras são necessárias.
Nossas questões são cruéis,
e me doem,
talvez porque não tive pais,
filho de uma mãe solteira,
que batalhou a vida inteira,
que eu perdi cedo demais.
Então eu me pergunto,
será que eu nunca fui questionado assim?
Será que quando eu tinha três anos,
minha mãe discutindo com meu pai,
não me perguntou com quem eu queria ficar?
Como hoje eu ouvi.
E isso me dói.
Sem definição, acho que hoje eu só precisava mesmo desabafar,
falar um pouco sobre a injustiça,
sobre coisas sem respostas,
sobre tudo que nunca conseguiremos entender.
Mas ecoa em minha mente a pergunta feita pela mãe,
de uma criança de três anos,
que instantaneamente diz: com papai.
Com quem você quer ficar?
Com quem você?
Com quem?
Ecoa até se tornar um sussurro...
Será mesmo que nossas perguntas nos insentam da culpa?
Porque eu já não sei dizer,
só pude dizer aquele pai quebrado,
que desabava ao perder o único bem que lhe restava,
só pude dizer,
que Deus não desperdiça nada,
que não deixa borrões e nem a obra de suas mão inacabada.
Não sei se de alguma forma adiantou,
só sei que foi a única coisa que pude dizer.

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