sábado, 26 de dezembro de 2009

Nunca

Nunca é gritar para o céu estrelado e não ver estrelas,
é em dia de Sol fechar a janela,
é sentir amargo o que é doce,
é dizer que não sem pensar no sim.
Nunca é o amor que morre sem nascer,
é a culpa pelo medo que temos de dizer,
que as coisas que não entendemos,
preferimos esquecer.
Nunca é a última chance de se encontrar,
mas acabar por se perder,
é voltar atrás no tempo,
torturado pela dor dos arrependimentos.
Nunca é o guarda-chuva que se quebra,
pra que a gente perceba como é bom se molhar no temporal,
é a sensação estranha de sentir falta de quem nunca tivemos,
saudade de todos os momentos que nunca vivemos.
Nunca é a escolha dos que ficam de costas para o litoral,
é a desculpa dos que se enforcam em suas próprias cordas,
feitas de palavras,
é a prisão dos que decidem não se arrepender.
Nunca é o primeiro passo em direção ao frio,
é o fim do parágrafo, é o ponto final,
é o absoluto sem possibilidades,
é a morte do que é relativo,
é decretar o fim sem saber o porvir,
e achar normal.
Nunca é a palavra banalizada,
dos que não se repetem,
dos que fogem,
dos que não enfrentam seus dilemas,
dos que criam barreiras e não resolvem problemas.
Nunca é o beijo que não foi dado,
as cartas que voltaram,
o calendário marcado na data do aniversário,
que não será comemorado.
Nunca é cedo demais,
e tão tarde para voltar atrás,
nunca é flecha no ar,
as palavras no ventilador,
nunca é tudo que me lembro,
quando lembro das coisas que ouvi você dizer.
Nunca é o coração gelado que se nega,
a derreter.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Lágrimas de um pai

"Deus não desperdiça tinta, não deixa borrões,
não deixa a obra de arte inacabada"
Esse não é um texto fadado a rimar ou convencer,
são todos meus sentimentos que explodem como um vulcão,
caindo em forma de lágrimas.
O mundo imperfeito, pessoas imperfeitas,
e coisas que não dão certo,
mas somos exatamente feitos de coisas que não entendemos,
somos massacrados pelas lágrimas de um pai,
que chora pelo fim do relacionamento,
chora por ter que ir embora e deixar seu filho.
Em seus olhos vermelhos,
eu vejo a questão que faz o mundo desabar,
por que?
E eu sou a última pessoa que pode responder,
porque desses humanos desumanos,
eu sou apenas mais um sem saber o que dizer,
quando as palavras são necessárias.
Nossas questões são cruéis,
e me doem,
talvez porque não tive pais,
filho de uma mãe solteira,
que batalhou a vida inteira,
que eu perdi cedo demais.
Então eu me pergunto,
será que eu nunca fui questionado assim?
Será que quando eu tinha três anos,
minha mãe discutindo com meu pai,
não me perguntou com quem eu queria ficar?
Como hoje eu ouvi.
E isso me dói.
Sem definição, acho que hoje eu só precisava mesmo desabafar,
falar um pouco sobre a injustiça,
sobre coisas sem respostas,
sobre tudo que nunca conseguiremos entender.
Mas ecoa em minha mente a pergunta feita pela mãe,
de uma criança de três anos,
que instantaneamente diz: com papai.
Com quem você quer ficar?
Com quem você?
Com quem?
Ecoa até se tornar um sussurro...
Será mesmo que nossas perguntas nos insentam da culpa?
Porque eu já não sei dizer,
só pude dizer aquele pai quebrado,
que desabava ao perder o único bem que lhe restava,
só pude dizer,
que Deus não desperdiça nada,
que não deixa borrões e nem a obra de suas mão inacabada.
Não sei se de alguma forma adiantou,
só sei que foi a única coisa que pude dizer.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Vez por vez (Palavras sem sentido)

Você vai aprender a amar,
como um doce que ficou em sua boca,
como a lembrança do melhor momento,
que ninguém jamais viveu.
Alguém melhor pra você,
te ama sem você querer,
e quem você quer não quer com a mesma intensidade você.
Vá dormir tarde hoje,
fique esperando ela ligar,
já que por duas vezes você não atendeu.
Quero muito seu beijo,
viver independente,
estar em qualquer lugar,
melhor que a pessoa dos sonhos,
é a pessoa real.
Aquele garoto apaixonado,
contou segredos pra você,
e hoje os sonhos acordaram gritando,
querendo ser parte do que pra nós é tão real.
Montaremos nossa casa imaginária,
como crianças na areia,
deixaremos pra mais tarde,
as confusões cotidianas,
e dormiremos na sala,
depois de rir toda a madrugada.
O mundo está completamente louco,
e eu bem que te avisei,
que romances ideais,
só acontecem no cinema,
mas você dormiu durante a sessão inteira.
É cedo demais pra falar o que realmente desejo?
Então vamos conhecer o mundo,
rir do sutaque estrangeiro,
inventar palavras novas,
pra responder que não temos isqueiro.
Isso tudo vai passar,
e só vale a pena viver tudo que passa, com você,
já que a eternidade está reservada pra mim e pra você.
Quem te falou que estamos longe?
A distância não existe se o que nos faz amar está dentro de nós,
e eu amo poder dizer nós,
diferentemente de quando nos sentimos sós.
Não procure sentido,
as palavras simplesmente estão vindo,
vez por vez sem pedir seu raciocínio,
e o que não deu certo se perde em meio a um novo início,
pois como nos engaram a vida toda,
vivemos o que escrevemos e não o que está escrito.
Uma concha sem pérola jogada na areia,
um olhar que se fechou,
a besteria de querer convencer que o amor,
não precisa convencer,
só amar, como eu sonho amar você,
sem você saber, sem você acreditar,
sem você entender,
mas só por você também me amar.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Era de verdade amor

Não sei com quem você aprendeu a ser tão dura,
mas posso elogiar, pois aprendeu muito bem,
só que um dia você vai estar na chuva e terá que se molhar,
então vai sentir o frio que senti.
Se o passado fosse escrito no papel,
te apagaria da minha vida,
sem deixar vestígios,
sem fazer questão de qualquer lembrança de você.
Se o tempo fosse feito de areia,
eu destruiria o castelo que te fiz,
e deixaria o mar apagar o seu nome,
que por tanto te amar, escrevi.
Castanhos e lindos,
escuro e frio,
como a beleza de um poço,
e a agonia de quem cai lá dentro,
é assim que penso em todos os momentos que te dei.
A moeda que jogou para o alto,
um dia vai voltar,
e sem poder de escolha,
só poderá colher o que plantou,
e suas palavras duras,
vão te fazer quebrar,
em tantos pedaços que será impossível de contar.
Se o mundo cair sobre sua cabeça,
tome todos os remédios,
não terá minha mão pra te ajudar,
talvez porque me falte tempo,
talvez porque você seja o que eu sempre ouvi falar,
e não tudo que fiz questão de acreditar.
Antes queria entender,
agora massacro o coração tolo,
que tentou ver algo bom em você,
e te amou, como te amou.
Amou ao ouvir sua voz pela primeira vez,
amou ao sentir seu abraço,
ao ouvir suas histórias e planos,
amou ao ver sua cara de sem graça,
amou tudo em você,
e sofreu, como sofreu.
Sofreu quando você não acreditou,
sofreu quando nem fez questão de mim,
sofreu por ouvir tudo que você falou,
sofreu por te amar e saber que era de verdade amor.
Fui considerado héroi por meu orgulho derrotado,
ao te procurar tantas vezes sem você nem se importar,
só que no final das contas fiz isso por ser quem eu realmente sou,
diferente de você aprendiz da frieza,
que consegue fingir que nada acontece quando tudo aconteceu.
Só que meu discurso é sobre essência,
e isso é algo que você não vai entender,
afinal sua essência é fria,
e em corações congelados nada consegue nascer, nem mesmo o amor,
mas talvez um dia alguém te quebre em mil pedaços,
assim como você fez,
e então você consiga aprender,
a valorizar o que de verdade foi amor.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Você vive pra que?

É fatal como nos filmes da tv,
mil conceitos e meus olhos pesam,
com efeito entorpecente,
falamos de mais sem nada fazer.
Dormindo em pé,
o trabalho cansa o corpo,
o cotidiano fadiga a mente,
e você pergunta pra que?

Que vida é essa pra viver?
Viver com pra que, viver com quem?
viver um ano, um dia, uma hora talvez,
viver pra ser, ser pra viver,
viver sobre ou sobreviver.

Você vive pra que?

É ácido como a rotina que aprisiona,
nossos bens duravéis,
são feitos pra não durar,
compramos tudo sem precisar.
Dormindo de olhos abertos,
o dinheiro compra o tempo,
o tempo concede o dinheiro,
e você pergunta pra que?