domingo, 8 de novembro de 2009

Vamos comigo?

Trago na mochila as coisas de casa,
e no peito a esperança,
de que ninguém precisa ser perfeito,
pra ser alguém.
Eu sou o Sol iluminando a estrada,
e os pés que calejam na caminhada,
mas quando tudo falha,
vejo que vale mais a pena ter vivido o tudo que o nada,
e renovo minhas forças,
como alguém que caiu e ralou os joelhos,
mas por não andar só,
teve as feridas tratadas.
Vamos comigo? Existe um mundo pior em outro lugar,
vamos ser os que enxergam entre os cegos da multidão,
vamos fazer valer a pena,
os dias em que temos opção.
Porque quando olharmos pra trás,
vamos sentir falta das coisas que não vivemos,
e a saudade que nos abate fere a fogo o coração,
tão humano e tão frágil do pobre peregrino,
que sem saber escrever uma só palavra,
escreveu mil livros vivendo intensamente cada momento.
Não tenho o que comer,
se fizer frio tremerei, meu cobertor é fino,
faço uma oração ao ver a criança suja pedindo esmola para um doutor,
e são em tempos assim que me sinto parte da paisagem,
dos que se sentem esquecidos,
que não aparecem em fotografias,
que precisam de um salvador,
pra quem sabe fazer com que as mágoas do passado,
fiquem de vez em seu lugar.
Eu sou a chuva que me faz espirrar,
o sorriso do senhor que me abrigou,
sou parte do que me parte o coração,
a imperfeição desses dias sem razão,
que precisam de solução,
dos pais que sofrem ao verem um filho no caixão,
dos amigos que fazem da graça a justificação,
por mais uma ressaca ao amanhecer.
São em tempos como esses que aprendo a viver,
enlouquecendo lentamente a cada passo nesse meu caminhar,
a mochila fica cheia e a cada pessoa que passa,
deixo um pouco do que sou,
porque em tempos como esse somos novamente,
obrigados a sentar perto da fogueira e lembrar de histórias,
que nos trazem a esperança,
porque em tempos como esse vale mais a pena ser o que menos dão valor,
e ver refletido em poças feitas pela chuva o rosto surrado,
pelas decepções e aprendizados,
que só quem caminha pode entender.
Então vamos comigo? Ficar sem ter onde morar,
chorar pelos que choram,
e quando estivermos perdidos teremos a certeza de termos nos encontrado.
Vamos comigo dar os que os outros vendem?
Existe um mundo pior,
pegue a mochila, dê adeus como se nunca fosse voltar,
porque o mundo é grande demais,
e em tempos como esse,
o pouco que temos pode ser tudo pra alguém.

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