sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Quando acabam as indicações

Fatos que ajudarão a entender:
38 anos.
Uma multidão de enfermos.
Paralítico.
Um tanque.
Homem algum.
Jesus.

Havia trinta e oito anos que um homem não podia andar,
não podia correr com seus filhos,
pegar sua esposa no colo,
jogar futebol com os amigos,
isto é se considerarmos a possibilidade dele ter filhos,
de ter uma esposa, de ao menos ter amigos,
pelos fatos acho isso bem difícil.
Já que em determinado tempo,
um anjo sacudia as águas do tanque,
um tanque que ficava em Jerusálem,
e quem descia após o mover das águas era sarado,
de qualquer enfermidade.
E já faziam trinta e oito anos,
e homem algum o ajudou a chegar ao tanque,
talvez esse homem fosse alguém digno de desprezo,
a escória da humanidade,
mas ainda assim nenhum amigo,
nenhuma mão estendida?
Imagino quantas vezes esse homem não rolou de sua cama,
e tentava rastejando chegar ao tanque,
ia cortando as pernas sem sentir dor,
ia sendo pisoteado,
ignorado e algumas vezes maltratado.
Vivemos dias assim,
dias em que precisamos de alguém,
alguém que nos indique,
para um emprego, para um cargo ministerial,
e quantas vezes não temos ninguém,
como esse homem esperamos a trinta e oito anos, ou menos tempo,
por uma mão estendida,
esperamos por alguém que se compadeça,
esperamos acima de tudo um milagre.
Mas nessa história o que importa não é o milagre.
Afinal uma multidão de enfermos,
espera por um milagre,
espera por uma porta de emprego aberta,
por uma família restaurada,
pelo fim de um vício.
E quantas vezes não enfrentamos a multidão?
Vamos com nossas forças, sem poder fazer muito,
com nossas pernas dormentes, sem direção,
somos pisados pela incerteza,
será que vai valer a pena chegar?
E se chegar será que vou ser curado?
Será que alguém não vai ter descido antes de mim?
Somos ignorados,
como alguém que nunca vai conseguir alcançar,
quem ele pensa que é?
Nunca vai conseguir nem tocar no respingo da água!
Somos maltratados,
sufocados pela pressão da multidão,
pela poeira que jogam em nossos olhos.
Desistimos,
assim como penso que aquele homem desistiu.
Sim, nós apuramos os fatos,
um homem paralítico a trinta e oito anos,
um tanque que poderia cura-lo,
homem algum que o ajudasse a chegar lá,
uma multidão de enfermos que o impedia,
mas como te falei,
o mais importante nessa história não é o milagre,
o mais importante é Jesus se importar.
E ele se importou...
Queres ficar são?
Imagino o olhar daquele homem,
talvez houvesse uma expressão característica,
de quem chora, marcas de dias mal dormidos,
talvez aquele homem ao ouvir isso,
pensou nos filhos que poderia ter tido,
na esposa e nos amigos,
não sabemos,
mas sabemos que aquele homem,
foi notado, e sim, ele foi curado,
não houve quem o indicasse, não houve homem algum que o ajudasse a descer ao tanque,
assim como muitas das vezes nós também não temos.
Ainda não notou o detalhe?
Continua pensando que o mais importante foi o milagre de ser curado?
Pergunte para aquele homem quem o enxergaria no meio da multidão,
ele estando deitado?
Um Deus que se importa vale mais que um Deus que apenas faz milagres.

Mateus 5: 1-15

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