quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Vai passar (A esperança dança com o coração partido)

Hoje está doendo mais do que pensei,
é um vazio que arde,
uma dor que não se pode esconder,
e fico apenas com a esperança,
que logo isso tudo vai passar.
Não precisa me dizer que vai ficar tudo bem,
eu aprendi isso cedo demais,
só o que nunca soube é o que me faz sofrer,
é a dor de simplesmente não te ter.
As palavras se repetem tanto,
é que não tenho nada a dizer,
só esse coração apertado,
o nó na garganta,
e a tentativa de tentar fugir,
dessa dor que só aumenta.
Por que tudo teve que ser real?
Eu queria estar mentindo,
nem que pra mim mesmo,
o meu erro maior foi dizer estar amando,
e com isso tudo me perder,
todas as vezes que te fazer feliz foi o mais importante.
Qual o valor de algumas lágrimas?
Quem me dera poder também dar risadas,
mas faço tudo tão errado,
que não culpo ninguém por meus sonhos quebrados,
culpo minha pobre intenção de amar e ser amado,
o que mais dói é saber que as coisas não são mais assim.
Está doendo e a esperança de que vai passar,
me faz ver estrelas que brilham depois do temporal,
mas enquanto isso, apenas dói,
dói como nunca pensei que poderia doer,
dói como algo que foi real,
aqui dentro, pra mim,
sofrendo forte e lento,
mas vai passar,
eu sei que vai ficar tudo bem,
e dias felizes com o coração batendo novamente,
irão ser reais,
como a dor que sinto,
como o amor que senti,
como os momentos que te dei.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Chove devagar (O coração que quase parou de bater)

Está chovendo devagar,
foi uma tarde sonolenta,
e não é certo o que você faz,
e só eu sei a dor que tenho sentido,
quando penso em você,
são pedaços querendo ser alguém inteiro.
Vai desaparecer com o tempo,
mas antes disso transborda meu coração,
com o vazio de não ter aqui seu abraço que me fez tão bem,
nem sou tão forte assim,
pra dizer que não sinto falta do beijo que te dei.
Chove devagar e eu tento dormir,
não estou muito bem,
estranho ter gostado de verdade,
de alguém como você,
que faz questão de esquecer,
o que tanto me fere o coração,
nenhuma ligação, nenhuma palavra pra dizer,
e assim sou assassinado a conta-gotas,
esperando meu amor voltar,
com flores nas mãos e um guarda-chuva.
Dói como um furacão que leva embora,
as flores que demoram uma estação pra nascer,
e o que mais dói é te amar sem mais querer,
um amor tão pequeno, que se faz tão forte,
quando sonha em sonhar junto com você,
e eu nem consigo entender,
mas eu plantei dias escuros,
e por um momento pensei colher dias de Sol,
pena ter que colher com você,
o que com outra pessoa plantei.
Mas não posso ver ao vento suas palavras,
não houve amores,
nem tão pouco promessas quebradas,
só o que poderia ser,
mas não foi,
e por isso o que sinto é dor e mais nada,
a dor de querer e não poder te ter,
a dor do frio que sinto,
ao ficar aqui esperando você chegar,
segurando essas flores,
esse guarda-chuva,
e um coração que bate mais devagar,
igual a chuva.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O homem que não pára de sorrir

O mundo acorda mal humorado,
tudo que sei é que ele sorri,
pegamos o ônibus todos os dias juntos,
eu cansado voltando do trabalho as seis da manhã,
e ele sinceramente não sei,
só sei que ele sorri.
Um sorriso contente,
de quem vive como se a vida fosse o que realmente é,
ele tem um retardo, alguma deficiência mental,
sempre com seu cabelo penteado de lado,
sua calça lá em cima com o cinto apertado,
e um jeito peculiar de cumprimentar a todos que olham pra ele.
Fico imaginando quem realmente tem retardo,
será que não somos nós?
Com nossos sorrisos amarrados,
nossos pensamentos atravancados.
Não sei se ele vê cores diferentes,
se quando olha pra gente vê narizes de palhaço,
mas sei que ele sorri,
e por seu jeito simples de não medir consequências,
puxa assunto com qualquer um que senta do seu lado,
e o que sei é que ele consegue,
por deboche ou por acharem o jeito dele engraçado,
ele consegue fazer com que todos ao redor,
comecem a rir,
alguns dão apenas o velho sorriso quadrado,
outros abaixam a cabeça como se não acreditassem no que vêem.
E o que eles vêem eu não sei,
por isso falo o que vejo,
eu vejo um monte de retardados,
querendo ter mais tempo,
menos contas,
mais sorrisos,
menos problemas.
Vejo um monte de retardados,
com seus fones de ouvido,
evitando o mundo ao redor,
querendo dar um passo em um dia que pode nunca chegar,
e vejo que em meio a tudo isso ele sorri.
Ele antes de descer olha pra mim,
observa meu balançar de cabeça,
e como uma criança que quer chamar atenção me imita,
como se estivesse ouvindo o mesmo som que eu,
mas ele não está,
ele é apenas alguém que sorri,
enquanto o mundo acorda mal humorado.
Ele é apenas alguém que vale a pena ser lembrado,
como o retrato do nosso fracasso,
de querer ganhar, mas acabar por perder,
perder os sorrisos de um dia que amanhece.
Talvez ele saiba de alguma coisa que não saibamos,
ou que esquecemos de aprender,
talvez ele saiba que esse dia que nasce,
é um dia feito especialmente para sorrir,
sorrir por ter mais uma chance de viver,
sorrir por ter mais um momento pra dizer "eu te amo",
pra quem nós nunca falamos,
sorrir por ter a oportunidade de agradecer,
por mais um dia feito pra chamar nossa atenção,
para um Deus que nos tem dado todos os motivos pra sorrir,
Talvez seja isso que aquele homem saiba,
e talvez seja por isso que ele tanto sorri.

Quando acabam as indicações

Fatos que ajudarão a entender:
38 anos.
Uma multidão de enfermos.
Paralítico.
Um tanque.
Homem algum.
Jesus.

Havia trinta e oito anos que um homem não podia andar,
não podia correr com seus filhos,
pegar sua esposa no colo,
jogar futebol com os amigos,
isto é se considerarmos a possibilidade dele ter filhos,
de ter uma esposa, de ao menos ter amigos,
pelos fatos acho isso bem difícil.
Já que em determinado tempo,
um anjo sacudia as águas do tanque,
um tanque que ficava em Jerusálem,
e quem descia após o mover das águas era sarado,
de qualquer enfermidade.
E já faziam trinta e oito anos,
e homem algum o ajudou a chegar ao tanque,
talvez esse homem fosse alguém digno de desprezo,
a escória da humanidade,
mas ainda assim nenhum amigo,
nenhuma mão estendida?
Imagino quantas vezes esse homem não rolou de sua cama,
e tentava rastejando chegar ao tanque,
ia cortando as pernas sem sentir dor,
ia sendo pisoteado,
ignorado e algumas vezes maltratado.
Vivemos dias assim,
dias em que precisamos de alguém,
alguém que nos indique,
para um emprego, para um cargo ministerial,
e quantas vezes não temos ninguém,
como esse homem esperamos a trinta e oito anos, ou menos tempo,
por uma mão estendida,
esperamos por alguém que se compadeça,
esperamos acima de tudo um milagre.
Mas nessa história o que importa não é o milagre.
Afinal uma multidão de enfermos,
espera por um milagre,
espera por uma porta de emprego aberta,
por uma família restaurada,
pelo fim de um vício.
E quantas vezes não enfrentamos a multidão?
Vamos com nossas forças, sem poder fazer muito,
com nossas pernas dormentes, sem direção,
somos pisados pela incerteza,
será que vai valer a pena chegar?
E se chegar será que vou ser curado?
Será que alguém não vai ter descido antes de mim?
Somos ignorados,
como alguém que nunca vai conseguir alcançar,
quem ele pensa que é?
Nunca vai conseguir nem tocar no respingo da água!
Somos maltratados,
sufocados pela pressão da multidão,
pela poeira que jogam em nossos olhos.
Desistimos,
assim como penso que aquele homem desistiu.
Sim, nós apuramos os fatos,
um homem paralítico a trinta e oito anos,
um tanque que poderia cura-lo,
homem algum que o ajudasse a chegar lá,
uma multidão de enfermos que o impedia,
mas como te falei,
o mais importante nessa história não é o milagre,
o mais importante é Jesus se importar.
E ele se importou...
Queres ficar são?
Imagino o olhar daquele homem,
talvez houvesse uma expressão característica,
de quem chora, marcas de dias mal dormidos,
talvez aquele homem ao ouvir isso,
pensou nos filhos que poderia ter tido,
na esposa e nos amigos,
não sabemos,
mas sabemos que aquele homem,
foi notado, e sim, ele foi curado,
não houve quem o indicasse, não houve homem algum que o ajudasse a descer ao tanque,
assim como muitas das vezes nós também não temos.
Ainda não notou o detalhe?
Continua pensando que o mais importante foi o milagre de ser curado?
Pergunte para aquele homem quem o enxergaria no meio da multidão,
ele estando deitado?
Um Deus que se importa vale mais que um Deus que apenas faz milagres.

Mateus 5: 1-15

Guiado

Tenho tentado planejar,
mas tudo tem mudado de lugar,
quis dar meu coração,
e o recebi de volta com o embrulho amassado,
quis viajar pelo mundo,
e tive meus pés fincados em um só lugar.
Me sinto feliz,
por saber que não estou só,
mesmo quando as vezes finjo estar,
finjo poder acrescentar dias a essa história mal escrita,
mas não posso.
Então o que posso fazer é crer,
acreditar piamente nas coisas que não se vêem,
e esperar,
esperar em um Deus que apenas tarda em se irar,
não se atrasada em responder minhas orações.
Vivo um tempo assim,
tempo de respostas,
tempo de ser guiado pelo Espírito de Deus,
tempo de ver meu coração doer pelas portas que se fecham,
e alegremente cantar quando amanhece,
em um novo dia que se faz momento a momento,
me fazendo entender que tudo está sobre controle.
Rachando lentamente,
vão se desfazendo todos meus conceitos e preconceitos,
e a pedra que cobria esse coração revoltado,
arde cada vez mais pra voltar a fazer o que sei,
e o que sei é que vivo na dependência,
de um Deus que me trouxe até aqui,
que mais do que nunca tem dito muitas vezes não,
mas como já não é segredo pra ninguém,
no final Ele só quer o que é melhor pra mim.
Um amor melhor, uma vida melhor,
um ministério melhor, um sonho intenso e imensamente real.
Planos? Tenho tantos e ainda faço muitos,
porém como um filho que aprendeu ralando o joelho no chão,
eu fiz questão de ouvir e aplicar o que Deus esteve a me falar.
Pv 5:21 Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do Senhor, e Ele aplana todas as suas carreiras.
Pv 14:12 Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são caminhos da morte.
Pv 16:1-2 Do homem são as preparações do coração, mas do Senhor, a resposta da boca. Todos os caminhos do homem são limpos aos seus olhos, mas o Senhor pesa os espíritos.
Pv 16:9 O coração do homem considera seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.
Pv 19:21 Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá.
Pv 20:24 Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor, o homem, pois, como entenderá o seu caminho?
Pv 21:2 Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações.

Eu escolhi apenas ser guiado, afinal "O coração do homem considera seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos."

Escolha você também ser guiado por um Deus que sabe o que faz.

Impossivelmente

Eu poderia ficar triste,
desacreditar no amor,
mas sou forte demais pra isso,
sou alguém como ninguém mais.
Foi com poeira nos olhos que me levantei,
seria apenas um faz de conta fracassado,
que me faria adormecer?
Existe ainda um céu azul,
mesmo atrás das nuvens cinzas,
e meu corpo ainda tem o calor,
de um amor pra vida inteira,
sem a besteira de convencer,
viver a vida como se deve viver.
Eles que estavam certo,
eu que errei,
o mundo dando voltas,
e minha âncora presa em que?
Na neblina que aparece quando quer?
Não cheguei até aqui choramingando atenção,
não sou lá grande coisa,
mas mereço mais do que você pode oferecer,
não estou na promoção,
nem quero mais ser comprado por você,
sai do estoque,
maduro demais pra cair em armadilhas,
criança demais pra ficar sentido dor,
por alguém que não é como eu.
Agora sim posso ter a certeza de dizer,
quem não quer sou eu,
quem não faz escolhas não merece escolher.
Já fui longe demais,
sei onde encontro minha paz,
e agora já não lhe daria nem por mil tesouros,
meu coração que tanto se importou.
Feliz aqui, feliz ai,
caminha a humanidade,
em passos finitos,
em atitudes pra mais tarde,
só sei que não sou como você,
e alguém como eu vive mais do que fala,
e sendo essa nossa maior diferença,
impossivelmente você conseguiria não olhar pra trás.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Quando de verdade eu amar você

O que vou dizer quando te amar de verdade?
Quando de verdade você acreditar,
quando de alguma forma houver sentido no falar,
quando dizer tudo será apenas a certeza,
que não existe nada a dizer.
Direi algo diferente de palavras repetidas?
palavras que não foram ditas?
Ainda não inventaram nada novo pra dizer,
se houvesse, eu escreveria mil livros com uma palavra só,
e todas as bibliotecas seriam dedicadas a você.
E talvez assim você entenda,
que quando se ama o que se diz,
sempre é menos importante do que o que se faz.
E o que faço é te dar meu tempo,
o que faço é ficar perdido quando me encontro no seu olhar,
quando tento de tudo,
mas não convenço você a me encontrar,
o que faço é pensar em você,
mesmo indo pra longe pra tentar te esquecer,
e quanto mais penso mais tenho vontade de te ter.
Te ter aqui do meu lado,
ser seu abraço,
ouvir seus reclames, aturar seus dias chatos,
escutar seus desabafos,
e prestar atenção a cada um dos seus detalhes.
Te ter aqui mesmo que seja pra te dar bombons,
num dia que se torna especial,
porque finalmente estaremos juntos,
mesmo que pra isso os dois tenham que ter passado mal.
E quem me dera se você soubesse o que sinto quando estou do seu lado, quando te abraço,
quando sinto o cheiro bom do seu cabelo,
perfumando minha lembrança.
Quem me dera ser seu sonho em forma de realidade,
sem ter que ficar pensando se foi apenas um beijo,
sem pensar se foi apenas,
a velha mania humana de matar o desejo.
Mas como saber coisas que palavras não podem dizer?
Como querer saber que palavra usar,
quando de verdade eu amar você?
Se com você tudo é diferente,
e o mundo não te vê como eu posso ver,
se com você é como um filme,
que tenho que te conquistar todo novo dia.
Tenho que fazer você entender,
que procurar explicações,
é deixar um dia a menos de viver.
E como eu quero viver,
viver dias de nós e não de talvez,
fazer você viver um amor pra vida inteira,
não um amor por partes,
um amor que por ser amor,
não precisa de explicação,
só precisa ser amado,
e assim chegamos quase sem querer,
a nossa questão,
será que você quer ser amada?
Por um menino bobo,
que fala tanto que se esquece onde começou,
que só tem esse amor complicado,
e uma mente frágil que vive pensando em você?
Um menino que te vê como uma necessidade,
e mesmo com todos os seus defeitos,
escolheu amar você,
sem ligar para o que falam,
sem pensar no que pensam,
porque no fim,
certo ou errado,
só nós dois saberemos se valeu a pena viver.
Viver o que?
Você talvez questione.
Viver dias de Sol,
de beijar no temporal,
do telefone que toca ao anoitecer só pra dizer boa noite,
dias que amar será normal.
Dias que serão completos,
dias que contaremos segredos,
falaremos de sonhos e das coisas que temos medo,
dias de nós dois,
dias que não nos sentiremos sós.
Mas quanto a saber o que te direi quando te amar de verdade, acho que ainda não sei.
O que sei é que amo o suficiente,
pra viver o presente com você,
sem medo do que pode acontecer,
sem medo de você não entender,
sem medo de você pensar que tudo é precipitação,
porque o que sei é que sinto tudo isso,
e é tudo por você,
e tudo que eu tinha de melhor eu já te dei,
meu tempo e meu amor,
fora isso nada me resta a oferecer,
só a sensação que me dói de não saber duas coisas.
A primeira é se realmente você vai me deixar amar você,
e a segunda é o que vou te dizer quando,
de verdade eu amar você.

Então foi só isso?

Então foi só isso?
Um beijo no portão.
Uma noite de ilusão.
Um alguém pra não pensar.
Então foi só isso?
Mais um coração no lixo.
Um amor não correspondido.
O fim virando recomeço.
Então foi só isso?
Abraços apertados.
Deixar pra depois.
Um sentimento em pedaços.
Então foi só isso?
Tentar não pensar.
Fechar os olhos para o que poderia ser.
Então...
Foi apenas...
Isso?
Minhas palavras se perdendo,
enquanto minhas mãos desenhavam seu cabelo,
meu coração pobre oferecendo o único tesouro que tinha,
um também negligenciado,
a sensação de estar faltando um pedaço,
de ver um mundo sem órbita no espaço,
ficar sentado junto aos pensamentos em cacos.
Então foi só isso?
Um relacionamento congelado,
com um tempo que passa rápido demais,
o calor do meu corpo se perdendo no seu frio e doce não saber o que fazer.
A noite perfeita pra um de nós dois,
e só pra um de nós dois?
Sem significar nada? Sem mudar nada?
Então foi só isso?
Isso que me faz querer ficar só,
isso que é errado desde o começo,
pisar sem olhar para o chão.
Então foi só isso?
Só meu peito aberto,
esperando um disparo seu?
Só minhas verdades,
escorrendo pelo ralo do medo?
Só um beijo com gosto de arrependimento?
Será que foi só isso,
e nada mais?
Sem brilho, sem a saudade do momento que passou?
E então...
Foi só isso?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Queria que fosse ela

Queria que fosse ela,
que estivesse aqui,
que pudéssemos sair.
Queria que fosse ela,
pra amar pra vida inteira,
de alguma maneira sei,
que ela me faria feliz.
Queria que fosse ela,
meu despertador,
meu beijo de bom dia,
a última voz antes de adormecer,
o sonho que tenho,
de viver em par.
Queria que fosse ela,
a dona das minhas poesias,
do meu pensamento,
do meu dia-a-dia.
Queria que fosse ela,
a rir de mãos dadas pelas ruas,
fazer caretas no espelho,
viver um amor por inteiro,
correspondido,
intenso, lento e rápido ao mesmo tempo.
Queria que fosse ela,
no meu colo,
no meu ouvido,
na minha boca,
no meu peito,
fazendo de mim seu objeto de desejo,
como ela mesmo diz.
Queria que fosse ela,
pra colorir o céu comigo,
acordar tarde,
depois de ter dormido exaustamente cedo.
Queria que fosse ela,
a escrever meu nome na areia,
a sentir cócegas na barriga,
e ficar brava quando não ligo.
Queria que fosse ela,
bem perto de mim,
bem do jeito que somos iguais,
sem medo do que pode acontecer,
porque ela saberia, de alguma forma ela saberia,
que é pra acontecer,
ou ao menos aconteceria,
se fosse ela a estar aqui.
Queria que fosse ela,
pra ver o Sol nascer,
mesmo que da janela do quarto,
depois de uma madrugada inteira,
de carinho,
de prazer,
de amor,
de ficar deitado contemplando o momento,
sem ter nada pra dizer.
Queria que fosse ela,
pelo mundo a fora,
aqui e agora,
sem adeus na hora de ir embora,
um mundo que gira duas vezes,
num só dia, num só minuto,
pra faze-la cantar,
bem baixinho, quase sussurrando,
a música que é nossa cara,
nossa história, nosso jeito.
Queria que fosse ela,
eu apenas queria que fosse ela.

O menino que faz voar

E lá vem ele,
com sua mão encolhida, arrastando o pé,
com a fala enrolada, chega se enconstando em mim.
Eu estava naqueles dias quietos,
sem muito o que falar,
dias que tentamos evitar,
com o coração sentado, sem querer conversar,
com a mente borbulhando, sem saber que decisão tomar.
E lá vem ele,
é só uma criança que gosta de brincar,
só mais uma entre as crianças que tenho que pedir pra não correr,
mas hoje provavelmente sem querer,
ele me fez voar,
me fez levar a vida devagar.
"Deus cuida de mim",
de todas as canções que ele cantou,
essa frase chegou onde nenhuma outra poderia chegar,
ele veio pra puxar assunto,
e eu queria ficar só,
mas são nos dias em que nada podemos oferecer,
que podemos ter as mãos livres para receber.
Ele subitamente me disse que sabia cantar um hino,
e eu me dispus a escutar,
quando não se tem nada a perder,
fica mais fácil jogar pra ganhar,
sua doença de nascença o impossibilitara de falar,
o que eu podia entender eram apenas fragmentos das palavras,
somado ao esforço que ele fazia pra respirar,
mas entre os pedaços do que eu ouvia,
o sussurro de Deus veio por completo,
invadindo assim meu coração dormente.
Uma cena imaginária se não fosse tão real,
o cantor sem canções,
ouvindo uma criança sem voz pra cantar,
ele me ensinava, me dizia pra eu acompanhar,
de repente com a mão torta e mirrada,
de uma criança que teve paralisia parcial,
ele toca no meu peito e me diz:
essa canção vai tocar seu coração.
E tocou...
Tocou quando me fez lembrar o cuidado que Deus tem por mim,
tocou quando me lembrou quem eu sou,
pra que sou e o que fazer,
tocou quando de um recipiente que julgava ser vazio,
saiu o sussurro de Deus, saiu o toque majestoso,
saiu o jeito simples que Deus tem de nos falar o que precisamos,
quando não queremos ouvir.
Eu, apenas o observador,
deixando o menino cantar,
o mesmo menino que gosta de correr,
o menino com a fala enrolada,
com a mão mirrada e com o pé que arrasta no chão,
o menino que Deus escolheu para confortar meu coração,
que pode não ser um grande corredor quando crescer,
mas tem a habilidade de fazer voar.

Apegado a Ti

Quando for difícil demais,
viver o que acontece,
e o impossível,
fizer desaparecer,
o que eu ouvi você me prometer,
me apegarei a Ti.
Mesmo sem saber pra onde ir...
Mesmo sem saber o que fazer...

Mais que tudo,
eu tento te amar,
a imperfeição dos meus dias,
me faz duvidar,
que por me amar,
um caminho novo,
é feito abaixo dos meus pés.

Quando for difícil acreditar,
nas coisas que não se vê,
e meus pedaços,
infeitarem o chão,
que você acabou de limpar,
me apegarei a Ti.
Mesmo sem saber pra onde ir...
Mesmo sem saber o que fazer...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Meu grande amigo (Quando não se acorda bem)

Hoje não acordei bem,
levantei com vontade de voltar a dormir,
acordei com vontade de desistir,
ouvir velhos conselhos,
acertar ao menos uma vez.
Vejo tantos pensamentos,
e tudo é sempre a mesma coisa,
um caminho sendo feito abaixo dos meus pés,
nem sei se realmente vou ficar aqui,
é a preocupação cotidiana,
um furacão que está por vir,
queremos dias melhores,
mas parece mesmo que as coisas não vão ser bem assim.
Só me sinto sozinho nessa manhã,
e a solidão nada mais é que a vontade de ter alguém,
e mesmo assim não ter.
Então o que me diz grande amigo?
Se você teme quando quero acertar,
e eu tenho tentado fazer do jeito certo,
achar alguém legal pra ficar,
mas enfim você me conhece faz tempo,
e alguém normal é raro,
sem muitas igualdades, nem muitas diferenças,
alguém que só queira estar,
apenas fazer questão de estar,
mas enfim acho que só não acordei muito bem.
Cansativo esse meu pesar,
quem deveria ser está tão longe,
que pra ela nem poderia dizer,
mas decididamente hoje parei de procurar,
talvez, meu grande amigo,
seja mesmo só uma decisão tomada de manhã,
por alguém que ficou a noite pensando em tudo isso,
e que por isso acordou longe do seu mundo colorido.
E o amor?
Essa pergunta é difícil,
hoje prefiro dizer que não acredito mais,
amar já não é como era antes,
e eu já não acredito em segundas chances,
como você mesmo disse, isso tudo é muito estranho,
e eu aprendi com o tempo o benefício de viver sozinho,
e pelo que aprendi o melhor vem com o tempo.
Mas enquanto isso?
Já te falei que hoje não estou muito bem para responder,
pergunta difícil,
mas meu grande amigo,
posso te dizer que mereço um pouco mais do que tenho vivido,
então nada mais justo que encontrar em braços castos,
um abrigo.
Obrigado, por se importar,
afinal você sempre foi um grande amigo,
disposto a me escutar nesses dias que acordo me sentindo sozinho,
que prefiro dizer que não estou,
dias que não acordo bem,
seguirei seus conselhos,
pelo menos dessa vez.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um ano se passou

Um ano se passou,
quedas, fracassos, decepções,
um furacão de planos devastando um sonho,
o sonho de mudar o mundo,
nem que fosse o mundo de alguém.
Quem eu sou mudou irreversivelmente,
nada mais será como um dia foi,
estive no chão durante muito tempo,
catando migalhas de que um dia iria existir um dia melhor,
juntando os pedaços do que de mim restou.
Aos que viram o herói virar vilão,
meu pedido de desculpas,
aos que se decepcionaram,
minha eterna culpa que aos pouco é apagada,
por um Deus que usa até pecados e erros,
para que todas as coisas cooperem para o bem.
De mil coisas que falei, de poucas me arrependo,
continuo com vontade de cospir na cara dos falsos mestres,
que estão ficando ricos, pregando besteiras,
como o sucesso, a perfeição e a riqueza,
não existem dez passos para um vida melhor,
não existem razões psicológicas para vencer,
existe uma cruz, existe um redentor,
existe um pai que mandou seu único filho por amor.
E é nisso que acredito e é isso que hoje sou,
o mesmo sorriso engraçado,
o jeito de corrigir quem fala errado,
que chora por ver como está tudo tão errado,
mas um ano depois as feridas cicatrizaram,
e onde o mundo via ruínas,
um menino se levantou, ainda cheio de poeira,
mas com os olhos brilhando.
Aos que sempre oraram, meu agradecimento,
aos que desistiram, meu lamento,
pois levanto sem fiéis amigos,
sem aplausos, sem nenhum tipo de reconhecimento,
mas amando mais e entendendo que ser cristão não é bem isso,
que santidade não pode ser medida,
que abundância de vida não se classifica pelo que se tem, mas pelo que se é.
E eu sou o resultado das pedras que me jogaram a um ano atrás,
sim, se você chegar perto poderá ver as marcas,
e se me perguntar onde estão as pedras,
te levarei a um lugar,
o lugar onde construí um castelo,
e onde chamo pra morar os rebeldes, os que são mal interpretados,
os que cairam, os que viveram dias escuros comigo no fundo do poço.
Eu sou o resultado de tudo isso,
sou a flor que nasceu no lixo,
o sal que foi jogado fora,
a luz que foi apagada pra evitar desperdício,
e sim se um dia você pensou que eu estava perdido,
não quero nunca mudar sua opinião, afinal você acertou,
eu continuo perdido, mas como era de se esperar,
só pode ser encontrado quem um dia se perdeu,
só pode viver quem um dia morreu.
E calejadamente eu sigo em frente...
Aos que tanta perfeição eu cobrei,
peço perdão, tem mais valor ser quem você é,
porque hoje não sou um referencial,
um ano depois não sou mais um exemplo,
sou apenas eu, um ano depois,
eu sou apenas eu, sou tudo que Deus me criou pra ser,
e ele me criou pra ser eu,
tão simples que parece ser mentira,
mas um ano depois descobri que Deus,
sim, Deus é simples.

domingo, 8 de novembro de 2009

Acabaram as palavras (Princesas, borboletas e maças)

É só o que tenho a dizer,
acabaram as palavras,
que eram todas pra você,
não há flores em sua calçada,
nem as noites em claro,
com o pensamento a se perder.
Parece não ter sido suficiente,
tudo que poderíamos viver,
não serei eu ao abraçar você,
quando o frio chegar.
E isso dói, como se toda dor sentisse dor,
por mais uma história sem nós,
é que finais felizes não correspondem a um talvez.
São minhas últimas palavras,
um milhão de motivos pra esquecer,
e um que sufoca meu peito,
me fazendo lembrar você,
mas é só até aqui que pude chegar,
um amor não correspondido corre para o mar,
e fica parado por não saber nadar.
Acho que estou triste,
mas às vezes acho que não,
se ao menos foi real pra mim,
não se perde nada ao tentar, afinal já nascemos perdendo um segundo por vez.
O silêncio é pior que a decisão,
faz doer mais do que imaginam,
os que um dia ouviram um não,
mas não precisamos disso,
é só minha escassez,
uma pérola não encontrada,
só mais um deixando pegadas solitárias.
E de mim o que sobrou?
O recomeço do que se acabou,
de um milhão de sonhos,
o último suspiro antes de esquecer o que poderia ter sido.
Sim, dói mais por ter sido verdadeiro,
do que por ter acabado o que nunca de vera tenha existido,
mas de volta ao castelo vazio,
é só mais um príncipe sozinho,
procurando a princesa,
num campo de borboletas,
que não consegue subir no topo das árvores mais altas,
e pegar as mais belas maças,
mas fica esperando com olhos fixos,
porque um dia alguém que não dará valor,
ao seu sabor jogará ela no chão
e eu estarei aqui pronto para não deixa-la se machucar.

Quando é pra acontecer

Quando é pra acontecer,
os olhos brilham fortes como estrelas,
e o pensamento se perde a todo instante.
Quando é pra acontecer,
não existe medo ao se apaixonar,
não existem palavras para definir,
é querer ser conhecido e conhecer.
Quando é pra acontecer,
os sonhos são planos,
e planejar junto é um sonho.
Quando é pra acontecer,
não precisa ser perfeito,
nem tão pouco ter razão,
não tem muito o que pensar.
Quando é pra acontecer,
o coração arde,
é a vontade de ligar,
inventar uma desculpa boba,
pra ouvir a voz,
deixar só a saudade pra depois.
Quando é pra acontecer,
os mundos se encontram,
as diferenças são iguais,
ninguém precisa fingir pra ninguém.
Quando é pra acontecer,
o amor é correspondido,
não precisa de respostas,
porque parece ter sido escrito.
Quando é pra acontecer,
não precisa cobrar nada,
cada instante parece ser uma necessidade.
Quando é pra acontecer,
o final é feliz,
o começo é inesquecível,
e o meio se faz um dia de cada vez.
Quando é pra acontecer,
noites nubladas dão lugar a Lua,
dias de chuva dão lugar ao Sol,
não que seja assim,
mas com quem se quer por perto,
tudo sempre é melhor.
Quando é pra acontecer,
o filme no cinema não importa,
não existem desculpas,
só a vontade de se ver.
Quando é pra acontecer,
simplesmente acontece.

É amor

Faz nascer em mim as flores,
que secaram no Sol,
tenho imaginado,
como seria viver um dia melhor,
desde que vi você partir.
Sou frágil, não preciso esconder,
meus sonhos se perdem no que faço,
e nada dá certo ao redor,
quanto mais te amo,
mas estranho me sinto.
É só amor ou a eternidade está perto de mim?
Faz nascer as canções novamente,
o silêncio dos que estão longe,
consome a melodia,
que pra ti cantaria,
repetidas vezes todos os dias.
Tudo que tenho é meu ser insuficiente,
que busca desesperadamente,
o dia em que estar junto de você,
será pra sempre.
É só amor ou tudo se completa quando você está aqui?
Se chamam de fé o fato de mesmo sem te ver, acreditar,
eu já posso recusar,
pois acredito porque vejo,
vejo lentamente seu tocar em mim,
as flores renascendo, a música com cada nota em seu lugar.
Nem sou tudo que deveria ser,
tão pouco o que acho que sou,
e é constrangedor saber que você sabe tudo sobre mim,
pensamentos escuros que rachariam a imagem que o mundo tem de mim,
e é corajoso alguém como você se arriscar tanto assim,
se todo valor que existe só existe porque vives aqui,
dentro desse peito sufocado,
cheio de vontades e mal agrados.
É só amor ou vê em mim o que ninguém pode ver?
Se eles soubessem o fracasso que sou,
o medo que tenho de não conseguir,
descobririam que minhas palavras de ânimo,
vem todas de você,
porque cegos guiam cegos para o lado errado,
e pessoas sós não andam acompanhadas,
é o estar na multidão como se não hovesse ninguém ao lado.
Mas nem eu entendo como posso perder tantos alguéns,
e mesmo assim ser um cara engraçado,
sentir curado esse coração marcado por fracassos.
É só amor ou é você sempre perto de mim?
Um homem em sua armadura de herói,
que sabe ser apenas um menino que precisa ser cuidado,
sem pais, sem nada a oferecer,
com uma história triste pra contar,
com conceitos que entopem o ralo,
e fazem do que era simples algo complicado.
Se é só amor me ame com toda intensidade,
porque fico aqui precisando de você,
porque o mundo espera de mim algo a oferecer,
e tudo que há de bom em mim,
vem de você, vem desse amor que não consigo entender,
o amor que ama o renegado,
que é suficiente pra mim,
que me faz escolher ficar a sós com você,
do que sair por ai e rir com amigos,
cantarolar histórias e na maioria das vezes te esquecer,
e hoje e mesmo que só por hoje,
eu prefiro ficar só com você,
porque sei que é amor,
sim eu sei.

Não me deixou

Posso falar dos dias tristes,
de tudo que não deu certo.
Te falar das companhias,
dos dias sem ninguém por perto.
Sem falar das vezes que cai,
das vezes que me estenderam a mão.
Sem falar das vezes que perdi,
das vezes que partiram meu coração.

Só não posso dizer,
que algum dia você me faltou,
não posso esquecer,
que você sempre me amou.
Mesmo eu sendo assim como eu sou.

Posso falar dos dias de indecisão,
de tudo que se quebrou em minhas mãos.
Te falar sobre essa vida sozinha,
dos dias de decepção.
Sem falar das vezes que sonhei,
das vezes que planejei.
Sem falar das vezes que fui traído,
das vezes que traí.

A menina que vende livros (Qual a cor do amor?)

Qual é a cor do amor,
e as flores que caem dos seus cabelos?
Porque pra mim tudo é fascínio,
como acordar de um sonho bom e descobrir que é real.
Se não quiser meu coração,
devolva embrulhado com o Sol que reflete em seus olhos,
que assim a lembrança de que te encontrei,
ficará eternamente,
como o amor em canções.
como o amor que foi feito só pra você.
Achei quando pensei não mais encontrar,
é que faço tudo errado,
perdi meu respirar quando seu sorriso,
me fez prisioneiro do meu próprio coração apaixonado.
Tudo assim, sentidos de quem sem entender não deixa de pensar em você,
mas me diz qual é a cor do amor,
eu quero poder pintar também,
e fazer meu mundo colorido,
com as cores das flores que caem dos seus cabelos.
Queima aqui dentro a saudade das coisas que poderia ter dito,
é a perfeição indo de encontro aos olhos meus,
olhos de quem procura livros,
mas encontra sem querer,
palavras de liqüidificador,
que se formam tão rápido que acabam por não ter nada a dizer,
então só me diga a cor do amor,
que pinto a parede do seu quarto e o chão da sua rua,
porque dessa vez nenhuma palavra vai ser suficiente pra dizer,
como é lindo seu cabelo caindo sobre os olhos,
e o jeito que você tem de ser um livro raro,
daqueles que poetas decoram pra nunca esquecer.
É que você pode ser tudo pra mim,
e eu nunca irei saber,
se te vi apenas uma vez,
e você nem se lembraria de mim,
afinal só você tem a cor do amor,
e eu sou preto e branco,
meio sem tom, meio sem cor,
e é com você que tudo ganha cor,
é no listrado do seu vestido,
que fico sem ter qualquer coisa pra dizer.
Tudo é igual em dias de chuva,
mas que bom que a menina que vende livros,
desenha no chão do meu peito um Sol,
uma tarde quente,
e com o sorriso de uma criança não sai da minha mente.
Acredite no que quiser,
só não deixe de ser a cor que colore meu mundo frio,
nem deixe de sorrir,
porque a cor do amor é seu sorriso,
e na minha mente nunca vagamente,
estão as flores que caem dos seus cabelos,
me fazendo destilar palavras,
que sufocam essa vontade de novamente te encontrar,
mesmo que novamente sem querer.

Vamos comigo?

Trago na mochila as coisas de casa,
e no peito a esperança,
de que ninguém precisa ser perfeito,
pra ser alguém.
Eu sou o Sol iluminando a estrada,
e os pés que calejam na caminhada,
mas quando tudo falha,
vejo que vale mais a pena ter vivido o tudo que o nada,
e renovo minhas forças,
como alguém que caiu e ralou os joelhos,
mas por não andar só,
teve as feridas tratadas.
Vamos comigo? Existe um mundo pior em outro lugar,
vamos ser os que enxergam entre os cegos da multidão,
vamos fazer valer a pena,
os dias em que temos opção.
Porque quando olharmos pra trás,
vamos sentir falta das coisas que não vivemos,
e a saudade que nos abate fere a fogo o coração,
tão humano e tão frágil do pobre peregrino,
que sem saber escrever uma só palavra,
escreveu mil livros vivendo intensamente cada momento.
Não tenho o que comer,
se fizer frio tremerei, meu cobertor é fino,
faço uma oração ao ver a criança suja pedindo esmola para um doutor,
e são em tempos assim que me sinto parte da paisagem,
dos que se sentem esquecidos,
que não aparecem em fotografias,
que precisam de um salvador,
pra quem sabe fazer com que as mágoas do passado,
fiquem de vez em seu lugar.
Eu sou a chuva que me faz espirrar,
o sorriso do senhor que me abrigou,
sou parte do que me parte o coração,
a imperfeição desses dias sem razão,
que precisam de solução,
dos pais que sofrem ao verem um filho no caixão,
dos amigos que fazem da graça a justificação,
por mais uma ressaca ao amanhecer.
São em tempos como esses que aprendo a viver,
enlouquecendo lentamente a cada passo nesse meu caminhar,
a mochila fica cheia e a cada pessoa que passa,
deixo um pouco do que sou,
porque em tempos como esse somos novamente,
obrigados a sentar perto da fogueira e lembrar de histórias,
que nos trazem a esperança,
porque em tempos como esse vale mais a pena ser o que menos dão valor,
e ver refletido em poças feitas pela chuva o rosto surrado,
pelas decepções e aprendizados,
que só quem caminha pode entender.
Então vamos comigo? Ficar sem ter onde morar,
chorar pelos que choram,
e quando estivermos perdidos teremos a certeza de termos nos encontrado.
Vamos comigo dar os que os outros vendem?
Existe um mundo pior,
pegue a mochila, dê adeus como se nunca fosse voltar,
porque o mundo é grande demais,
e em tempos como esse,
o pouco que temos pode ser tudo pra alguém.

Entendo (O fascínio de desistir sem tentar)

Entendo seus medos,
mas será que eu nunca poderia ter sido o abraço,
que te acalma quando tem trovões?
Entendo que não queira respostas,
mas como deixar partir,
o que se sente sem querer,
o amor que vem na maré cheia e esquece de descer?
Entendo suas palavras,
mas não me peça pra nada dizer,
porque dentre mil defeitos,
desistir sem tentar não é um dos meus,
então não direi pensamentos,
e filosofias que dizem o que não sinto,
mas faço de minhas palavras,
o depósito de tudo que sinto,
porque não posso fingir que não me importo,
afinal com você dias em tom de sépia,
não cobrem o litoral,
e com você tudo combinar é normal,
então não me peça para agir como pessoas,
que se despedem sem dar tchau.
Entendo os detalhes,
faço de mim parte da arte,
e de você os retoques que faltavam,
só não diga que sente falta das partes que faltam,
porque você em algum momento,
preferiu deixar de pintar,
trocou as cores de lugar,
e quis apenas fechar o livro da nossa história,
mas não farei perguntas,
respeitarei seu gosto pela facilidade,
de simplesmente falar sem querer ouvir,
seu gosto pelo medo de perder o que nunca ganhou.
Entendo suas explicações,
racionais ou não,
parece pouco importar,
já que o que mais importa é deixar pra lá,
é a velha história de priorizar os que nos tratam como opção,
mas se não houve erros,
e já não posso estar em seus sonhos,
de que vale então estar em sua vida?
Se a vida é feita de sonhos,
sonhos de algum dia podermos estar juntos,
sem ter mais nada pra falar,
rindo das piadas sem graça que eu fazia pra você gargalhar.
Entendo os segredos,
e de todos o maior deles,
foi você nunca ter me contado,
que o amor desiste por ter medo de amar,
me deixando assim com a saudade de sentir saudades de você,
entendo mesmo,
os segredos e as explicações,
os medos e as decepções,
os detalhes e as palavras,
as respostas e seu pedido pra deixar como está,
mas como te disse não sou dos que desistem sem tentar,
e já que a vida é feita de sonhos e saudades,
saudades das coisas vividas, das coisas que nunca viveremos,
saudades da companhia, do que poderíamos ter dito,
e sonhos de quem sabe um dia,
não precisarmos sentir mais saudades,
porque estaremos vivendo os melhores dias,
juntos,
se você não tivesse desistido.

Enquanto ela dorme

Minha pequena dorme,
e não sei se sonha com o menino que quer faze-la feliz,
e ama-la do jeito que ela sempre quis.
Minha pequena dorme,
e com ela minha vontade de ser dela,
de ficar com ela,
como alguém que se encontra ao se perder,
como alguém que desaprendeu a esquecer.
Minha pequena dorme,
e eu sei,
ela não pensa em mim como penso nela,
não sente por mim o que sinto por ela,
nem pretende fazer de mim,
uma de suas razões que alegrem seu dia,
mas das coisas que importam,
eu só me importo,
em não sentir falta dela essa noite,
por isso me dedico por inteiro,
dando em forma de presente meus momentos,
porque enquanto ela dorme,
eu escrevo palavras repetidas,
que falam de um sentimento que ela não sente,
nem consegue entender.
Mas é que enquanto o mundo se esforça para convence-la,
sobre como a vida deve ser,
eu apenas tenho a certeza que viveria minha vida toda com ela,
porque o mundo requer respostas,
e eu só quero que ela saiba quem eu sou,
só quero que ela saiba que sou mais eu,
quando me dedico a ela,
quando faze-la feliz não faz mais parte do que era tanto faz,
e sim uma necessidade,
e sim parte dos dias em que tudo ao redor pára,
formando assim a menor divisão do tempo,
que para mim que tanto a quero,
é bem mais que minutos formando horas,
é quando a eternidade toca o momento,
quando sinto o corpo dela junto ao meu.
Ainda que acabe como um sonho ao acordar,
o meu amor foi tão intenso,
que de platônico seria impossível deixar pra lá,
seria impossível depois de uma noite ao lado dela,
não voltar pra casa sorrindo,
não ter a sensação de que ao encontra-la,
amar faz sentido quando tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.
Mas isso tudo são palavras que ela vai ler ao amanhecer,
porque por enquanto ela dorme,
e por isso não pode ver todo meu amor sendo derramado por ela.
Por estar dormindo não consegue entender meus dias sem ser dela,
que vão passando lentos como se fizessem questão de dizer,
que chato mesmo, não é o que ela sente numa noite com a Lua linda,
chato é viver na esperança de encontra-la e não ver esse dia chegar.
Mas tudo bem,
logo vai amanhecer e ela vai acordar,
e então ela vai ver escrito no espelho do banheiro,
a frase de quem teve a certeza de que valeu a pena,
ter dedicado todo o tempo pra ama-la mesmo não tendo sido amado.
E então e só então,
ela vai acreditar nas verdades que desconfiava serem mentiras,
e vai entender que eu não desisti,
porque aprendi a diferença entre diamantes e pedaços de vidro,
e por isso ao encontra-la não jogaria fora a chance,
de sonhar sonhos de mãos dadas ao lado dela.
Mas enquanto isso,
durma minha pequena,
porque vou esperar você acordar,
ou então terei sido um sonho,
daqueles que te fazem acordar sorrindo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Esse não é meu lugar

Não me sinto em casa,
então não tente fazer,
com que me sinta a vontade aqui.
Sou um forasteiro longe do lar,
um peregrino escrevendo na história desse lugar.
Se meus pés me levam para o que é eterno,
meu coração fragilmente se apega ao que vai passar,
minha guerra sem balas de canhões,
tem como objetivo chegar onde deveria estar.
Até queria viver meus planos,
mas o que me cabe é planejar,
não acrescento um só minuto ao meu dia,
então não fico a me preocupar,
aprendi que no fim as coisas dão certo,
que não há perdido que não possa se achar.
É que não sou daqui,
minha riqueza não está nesse lugar,
se não deu certo não choro,
apenas volto a caminhar,
pois se dessa vida apenas, eu esperar,
a miséria do homem que sou,
nunca irá se curar dessa doença que me mata,
de me apegar as coisas que vão passar.

Rosto Triste

Já são meia-noite,
o silêncio reina nesse lugar,
não há correria de crianças,
nem confusões de gente grande,
nada que possa incomodar.
Apenas uma tosse,
que vara a madrugada,
uma tosse seca, parece até amargurada,
uma tosse de quem já sente a vontade de parar de respirar.
Eu pouco o vejo,
seus olhos tristes sempre miram o chão,
me responde um boa tarde,
apenas com o gesto de sua mão.
De manhã bem cedo, às vezes,
dá pra ouvir os pés arrastando no chão,
sua idade avançada faz de seu caminhar uma lentidão,
ele parece ter dificuldade para falar,
ou apenas se rendeu a situação.
Em sua casa sua esposa dorme com outro,
em sua casa tem menos valor que um cachorro,
um cachorro que vive a margem,
que não tem coragem,
que o corpo debilitado pela doença,
acaba por tirar da obra de arte de Deus,
todos os detalhes.
Um rosto triste,
sem vontade de viver,
mas quem pode culpa-lo?
Quem pode dizer se isso é certo ou errado?
Temos muitas respostas,
algumas delas fazem tanto sentido,
que se você falar pra ele, quem sabe ele até bata palmas.
Mas o rosto triste, o olhar que mira o chão,
vai te falar tudo sem precisar dizer nada,
vai te falar dos filhos que o abandonaram,
dos amigos que o deixaram,
da doença que parece não ter cura,
da esposa que olhando pra ele chama outro de amor.
Se me perguntarem o nome dele,
não vou saber responder,
como disse ele pouco sai do quarto,
e praticamente não tem nada a dizer,
mas sua tosse seca durante a madrugada inteira,
me lembra do homem do rosto triste,
que encontrou todas as razões pra não querer mais viver.

O invisível é real (Sentidos de um coração apaixonado)

Das coisas que são reais dou valor ao que é invisível,
dou valor ao que seus olhos dizem sem você perceber,
e eles me dizem o quanto foi bom eu ter encontrado você,
eles dizem que pra você o essencial é invisível,
e nossos sonhos se unem como não poderia deixar de ser.
E posso dizer que é real sentir falta de você todas as noites,
querer seu carinho a todo instante,
te ligar e dizer que não aceito não como resposta,
ir até sua casa pra ouvir sua história,
ir e não querer ir embora.
Posso dizer que é real a vontade de te abraçar,
como se vivesse um último segundo,
como seu abraço fizesse parar o mundo,
e minha vida tivesse sentido ao te sentir.
Posso dizer que é real a vontade de te fazer feliz,
de conseguir dizer tantas palavras,
que não dizem nada do que quero dizer,
dizer que não te conheço bem,
mas pelos pequenos detalhes que conheço,
já tenho aprendido a amar você.
Posso dizer que é real o coração que arde,
ficar sentado numa praça,
vendo você se distrair com uma flor,
enquanto eu falo do que quero, quem eu sou,
enquanto os carros passam com faróis acesos,
deixando mais claros o castanho,
e me lembrando que não me apaixonar por você seria estranho.
Posso dizer que é real a sinceridade do que sinto,
como o sentimento de um menino bobo,
que não sabe bem o que fazer,
quando vê em sua frente o amor da sua vida,
mas não tem toda a certeza que existe pra poder dizer,
quem sabe um "eu te amo",
quem sabe um "eu esperei minha vida toda por você".
Posso dizer que é real mesmo que só pra mim,
mesmo que só nos meus pensamentos,
e eu sei que pra você também foi real,
nem que por alguns momentos,
foi real o beijo roubado,
minhas mãos em seu cabelo,
todas as palavras ditas com o olhar,
que não caberiam em mil textos.
Posso dizer que é real,
mesmo que tudo que eu sinta seja invisível,
invisível como os incomuns,
como tudo que falamos quando ninguém pode ouvir,
como as comidas que não gosto e você ama de paixão,
como nossas histórias tristes,
como nossos sonhos dando as mãos,
como o essencial de ser você e eu,
como o essencial de sentir o que sinto quando penso em você,
e tentar fazer isso tudo ser real pra você.