terça-feira, 27 de outubro de 2009

Tempestades

Nem tudo vai dar certo,
existem dias que até mesmo quem tem o jogo ganho nas mãos,
simplesmente perde.
Perdemos nossos planos,
devolvemos alianças,
choramos ao enterrar uma criança,
e são nessas horas que Deus é suficiente,
bem mais do que quando ganhamos o mundo inteiro.
Já não somos mais crianças,
a ponto de pensar que o mundo gira ao nosso redor,
afinal basta perguntar,
para a esposa espancada,
para o filho que visita o pai atrás das grades,
para a menina que pelo padastro é molestada,
para o menino que viu o pai bêbado matar a mãe a facadas,
é só perguntar e ver que o mundo não gira ao nosso redor,
as coisas são em sua grande maioria difíceis,
todos temos pra contar uma história triste,
frustrações que insistem em não nos deixar sair do lugar,
mas o que nos define?
O câncer em um corpo jovem que não entende o por quê?
O arrependimento de ter traído alguém ou a dor de ter sido traído?
A amargura de não ter sido reconhecido por tudo que se dedicou?
O que nos define é saber que por mais que perdas nos causem sofrimento,
Deus é suficiente, mesmo quando não entendemos.
Se nos sentimos sozinhos, se precisamos de alguém,
nossa humanidade pega o megafone,
e desperta todos os sentimentos de uma só vez,
são nessas horas que parte do nosso coração se agarra ao que é eterno,
e nos diz que Deus é suficiente.
Mas se o nosso coração se prende ao que é passageiro,
e prefere acreditar que tudo está fora do lugar,
então só nos resta ter fé,
não necessariamente uma fé que faça a tempestade parar,
mas fé como convicção que um Deus suficiente,
fará com que essa tempestade nos leve para onde Deus preparou para que pudéssemos estar.
E se ao chegar você me reconhecer,
por favor venha me cumprimentar,
afinal posso ter vindo na mesma tempestade que te trouxe a esse lugar,
tempestade dos que não entendem, mas vivem, dos que perdem, dos que caem,
tempestade dos que acreditam que Deus é suficiente,
que todas as coisas cooperam para o bem, até mesmo os dias descontentes,
tempestades dos que acreditam que no final não ficam peças fora do lugar.

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