sábado, 22 de agosto de 2009

Dom da praticidade (O fim nunca chega ao mesmo tempo para os dois)

Eu vi nos seus olhos um fim que nem sabia existir,
toquei minhas lembranças e ainda doíam,
como se eu tivesse perdido um futuro de ouro,
como se eu tivesse me perdido ao te perder.
É meu lugar ficar tentando mudar o que aconteceu,
mas nada vai mudar as mãos separadas,
os dias que foram feitos pra não serem entendidos,
os últimos beijos que não foram dados,
a última chance que ficou em alguma carta não mandada.
Eu tive medo quando senti seu jeito frio ao me abraçar,
percebi que tudo é criado sem intenção de durar,
e o dom da praticidade se esvai por entre os cacos desse coração fraco.
Não fique surpresa meu amor,
todo mundo canta amores perdidos,
meu olhar só reflete o quadro mal pintado,
dessa história acabada,
desse seu jeito de dizer te amo sem significar nada,
então não se preocupe comigo,
sei lidar bem com tudo isso,
com essas minhas escolhas erradas,
com essa minha saudade de viver o que sonhei e deixei de canto.
Falo como um desabafo,
falo sobre o querer que tudo fosse diferente,
simples e impossivelmente,
falo sem querer ouvir o que você tem a dizer,
sem o tentar ter um sim ou um não,
sem tentar te convencer,
falo sobre o desespero dos que fariam de um tudo pra poder voltar no tempo.
Seguiremos em frente, afinal nada se fez diferente,
foram só palavras ao telefone,
e eu entendo como sempre tudo errado,
derramando amor em um copo quebrado,
sentindo depois de tanto tempo o peso de ter abandonado,
uma felicidade meio pobre,
um compromisso meio nobre,
uma história que tinha muros de ouro,
e um castelo de palha,
onde se tenta sem conseguir,
achar o caminho pra chegar a um final feliz.
Então acaba assim o que a muito antes já tinha terminado pra você,
hoje terminou pra mim,
e mesmo sem o dom da praticidade,
de fingir deixar todas as dores pra mais tarde,
seguimos em frente,
cada um em seu lugar,
eu observando sua praticidade,
e você na sua frieza de ser.

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