terça-feira, 30 de junho de 2009

Fazer valer a pena

Quero tocar esse momento,
porque cedo ou tarde tudo acaba,
acabam as mentiras,
que o mundo conta como verdades,
acabam os dias em que o amor,
é confundido com vontade.
Quero que você saiba como sou,
porque cedo ou tarde tudo muda,
mudam os sentimentos,
que tento maquiar como razões,
mudam os dias que digo sim,
querendo dizer não.
Quero viver essa vida,
porque cedo ou tarde tudo se vai,
se vão as promessas não cumpridas,
as oportunidades dessa vida,
se vão os amores infinitos,
os dias que desperdiçamos e eram tão bonitos.
Quero respirar você,
porque cedo ou tarde você partirá,
partirá levando meu coração,
partirá deixando a saudade,
partirá com tudo que sou,
e não importando se é cedo ou tarde,
será sempre a hora errada.
Quero fazer valer a pena,
porque cedo ou tarde os momentos acabam,
a vida se vai, você partirá e o que eu sou irá mudar,
faço então valer a pena,
porque assim poderei ter a certeza,
de que toquei todos os momentos e ao tocar, a vida não se foi,
então como a vida não se foi, você não partiu,
e por você não partir, nada em mim mudou,
e por nada em mim mudar, eu continuo a te amar.

De volta à saudade

De volta aos dias de céu sem cor,
de volta aos momentos em que a alegria gera dor, de volta aos instantes lentos,
e ao tempo que insiste em não passar.
De volta ao coração apertado,
sorrisos de lado,
uma vida inteira pra refazer,
de volta ao sono que tarda a aparecer,
de volta ao meu mundo sem você.
De volta à multidão de solitários,
aos dias sem sentido,
de volta aos estilhaços de um coração partido,
aos gritos no silêncio da minha mente,
do contentar-se descontente,
do meu olhar dormente.
De volta ao calendário rabiscado,
de volta às lembranças guardadas no porta retrato,
de volta às palavras escritas na janela embaçada do meu quarto,
de volta ao tic-tac da saudade,
que faz de cada minuto, horas intermináveis.
De volta aos meus olhos inundados,
aos rios no meu rosto,
ao meu travesseiro molhado,
e ao mundo inteiro que eu trocaria pra estar ao seu lado.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Introdução - Cristianismo no lixo

Estou voltando pra casa, depois de um longo dia,
é a mesma rotina de buscar o dia em que não farei parte da rotina,
a mesma rotina de coisas que não consigo entender.
Confesso-me culpado de fingir não olhar para o lado,
de fingir não me importar,
mas isso me deixa tão cansado, tão sem vontade de viver,
é como se cada dia em que busco meu futuro eu me perca em meu passado,
como se tudo que considero certo estivesse errado.
Estou frustrado com minha capacidade de ser tão egoísta,
hoje que já não preciso fingir ser forte, revejo minhas atitudes de alguém tão fraco,
de alguém que não consegue mais viver por viver,
deve existir uma razão, deve existir algo que esconderam de mim,
algo que jogaram fora e ainda não se arrependeram.
Sim, eu creio em Deus, mas Ele parece tão diferente do que dizem por aí,
tão saturado de filhos que só pensam em si,
de filhos que só sabem pedir,
filhos obesos de bençãos, unções e poder.
Não sei bem o que acontece, nosso deus parece ter cara de umbigo,
nosso rei parece estar dentro de nossa barriga,
e o sangue derramado parece tão azul,
eu só sei que também sou assim,
mas se existe mesmo algo que deixaram de me contar,
sobre a verdade que liberta,
sobre o Rei que veio pra servir,
sobre uma nação santa que se colocou num pedestal,
se esquecendo que só seríamos conhecidos através do amor,
o amor que nos denuncia ser filhos de Deus,
então procurarei onde as pessoas costumam jogar o que não serve,
o que não gostam, o que preferem não se lembrar,
vou procurar no lixo, esse cristianismo que deixaram pra la.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sobre o que foi, é e será...

Vamos começar falando sobre quem eu já fui...
Já fui aquele cara que acertava mais do que errava, que mesmo sabendo que não conseguiria, tentava, tentava ver o dia em que seríamos de verdade, seríamos nós mesmos, sem ter medo.
Já fui aquele cara que fazia nascer sorrisos e lágrimas, que a galera pulava, que estava sempre perto pra ajudar, e com a esperança que no fim tudo dá certo, sempre tinha uma palavra.
Já fui aquele cara que engolia sapos, que ouvia calado, que pedia desculpas mesmo não estando errado, que acreditava na amizade, que dava valor a lealdade, que se dedicava pra fazer o melhor, que sorria mesmo sabendo que pelas costas tomava uma punhalada.
Hoje quem sou...
Sou aquele cara no duro caminho da reconstrução, que meio perdido se agarra a uma convicção, se agarra na esperança de ter alguém ao lado quando tudo desmorona.
Sou aquele cara que tem fama de ser e não é, que dizem fazer, mas não faz, que por mais que tente olhar pra frente acaba olhando para trás e vê uma história mal escrita baseada em personagens irreais, heróis frágeis e amigos de papel que voaram com o vento, mas acima disso muitos erros meus, mas não tão meus que não possam ser compartilhados, o difícil é cada um assumir sua parte.
Sou aquele cara que cansou de parecer perfeito, que desistiu de esconder seus próprios defeitos, que ainda quebrado junta os pedaços mais importantes pra tentar se sentir inteiro.
Sou aquele cara que se sente injustiçado, com vontade de xingar meio mundo, que entende que as conseqüências são minhas, mas a culpa não será atribuída a mim primeiro.
Sou aquele cara que foi deixado de lado por criticar um sistema que sucumbe por estar errado, que foi rebelde por ser sincero, que desistiu do luxo das paredes desenhadas e cadeiras acolchoadas para os honrosos ministros e cadeiras duras para a plebe fiel pra procura no lixo onde o verdadeiro cristianismo foi jogado.
Sou aquele cara que chora quando ninguém vê por hoje estar cometendo mais erros do que acertos, mas que ao menos se sente verdadeiro, sem capa de super herói, sem levantar a bandeira dos inconformados com o mundo de dentro de um iate ou de um carro importado.
Quem serei...
Serei aquele cara que cuida melhor dos feridos porque já sentiu a dor de ser caluniado, de batalhar do lado certo e ser posto como aliado do inimigo, de ser tachado de errado.
Serei aquele cara que deu a volta por cima sem precisar ser ingrato, sem precisar chamar ninguém de safado, ou julgar com pesos ocos, nem vencer o jogo da moralidade com cartas marcadas, nem convencer um povo nobre em um discurso com frases decoradas.
Serei aquele cara que perdeu amigos de papel, mas ganhou amigos de ouro, que fazem dos dias nublados, dias de Sol só pra me ver melhor.
Serei aquele cara do tipo que se olha sem querer acreditar, no que Deus pode fazer na desgraça de ser envergonhado, de ser massacrado sem direito a defesa, onde tudo se justifica pela moral, poder e submissão, onde questionar já é desobedecer.
Serei aquele cara que venceu com fé em Deus e sorriso nos lábios por acreditar na graça, na graça de um Deus que por um perderia a multidão, que pelo retorno de um filho pródigo faz uma festa, que por uma ovelha perdida deixa as noventa e nove a esperar.
Serei aquele cara que não se vendeu nem se iludiu por estar em um altar segurando um microfone sem fio, que continua errando, mas que aprendeu que até os erros contribuem para o bem daqueles que amam a Deus.
Serei aquele cara sem carro importado, sem o rosto na capa do cd, mas que vai te deixar incomodado aponto de ser expulso com delicadeza, mas ser acusado de por ser confrontado ter deixado a igreja.
Serei aquele cara que bebeu a água do fundo do poço, que passou muito sufoco e hoje respira aliviado por ver em Jesus um perdoador de pecados, interessado em ouvir confissões sem chamar ninguém de cara-de-pau, nem ver que as pessoas erram e achar isso anormal.
Serei aquele cara como sempre complicado, mas simples de lidar, sem a hipocrisia dos lideres religiosos, cheios de interesses e sorrisos falsos, cheios de si mesmos que não apóiam seus pastores, mas julgam como erradas as palavras verdadeiras de um jovem decepcionado.
Sim, serei aquele cara que julgou-se forte e caiu, que era moralista e ruiu, que era um santo lutando contra o pecado e hoje assume sua condição de pecador, que buscou no lugar errado a razão de existir, que se entregou cegamente e se arrebentou, que era uma benção e hoje é uma maldição, que ganhava elogios e hoje não ganha nem um aperto de mão.
Sim, eu serei aquele cara que por ser amado de tal maneira por Deus, aceitou a graça, se arrependeu e sem méritos próprios venceu, acreditando sempre que existem segundas chances e que nunca é tarde pra ser quem você deveria ter sido.