sábado, 6 de dezembro de 2008

Carta ao amigo de pé

Bom ter notícias suas meu irmão que hoje se tornou desconhecido,
não por culpa sua, mas como você disse estamos muito distantes,
eu sinto muita falta das conversas sobre os que estavam onde estou,
antes de mais nada tenho que dizer que é bem diferente do que pensávamos,
aqui só faz frio, a água é amarga só no primeiro gole parece ser doce,
doce devido a auto comiseração, ou a querer achar culpados,
mas como aprendemos eu escolhi estar aqui.
Aqui eu não preciso fingir pra ninguém,
até porque as feridas logo denunciam e a visão embaçada de tanta escuridão,
faz com que fique impossível achar uma saída,
daí então a necessidade de uma mão estendida,
mas como sempre conversávamos é perigoso se arriscar,
afinal é mais fácil quem estender a mão cair do que quem estar caído levantar,
nesse momento você deve se recordar, pois foi você que usou essa frase.
Claro que ela não faz muito sentido pra quem está aqui,
na verdade aqui não existe sentido,
você iria rir, a cada mero feixe de luz as pessoas correm querendo quem sabe sair daqui,
outros já fizeram comércio e vendem desde livros de auto ajuda até suicídio,
e o mais engraçado é que mesmo sendo mais caro o suicídio é o que mais vende,
talvez pela falta de esperança e a culpa que as pessoas carregam.
Todos nós aqui temos um espelho que só reflete a vergonha de ter caído,
então nem me pergunte como estou, porque só consigo enxergar vergonha por ter falhado,
e não ter sido como você, tão forte e mesmo sem saber interpretar,
continuar tendo uma vida digna dos que estão de pé.
Fiquei muito feliz por saber que você ainda usa a blusa que te dei,
sei que é mais fácil colocar a culpa nos que estão aqui,
afinal em matéria de indiferença sempre fomos referências,
mas aqui tudo é bem diferente de quando estive ai,
porém meu saudoso amigo ainda existem sonhos nessa cidade perdida,
afinal não sei de onde vem, mas sempre se estende uma mão e alguns levantam,
e algo que nunca pensamos acontece aqui,
ainda existe esperança, mesmo com toda culpa, ódio, vergonha e dor,
ainda existe esperança meu nobre amigo.

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